Do fundo do baú! Ex-comissário, Paulo Barros relembra aventuras a bordo

Por Redação

As viagens de Paulo Barros nem sempre foram em busca de uma grande ideia para transformar em enredo de escola de samba. É que, antes de se aventurar no Carnaval, o carnavalesco se dedicou durante 12 anos à aviação, trabalhando como comissário de bordo.

Paulo Barros na noite em que se formou comissário de bordo, em 1985. Na foto, ele aparece ao lado da colega Cleide Frasson - Foto: Arquivo pessoal
Paulo Barros na noite em que se formou comissário de bordo, em 1985. Na foto, ele aparece ao lado da colega Cleide Frasson – Foto: Arquivo pessoal

Embora transitasse por vários aeroportos ao redor do mundo, sua aterrissagem mais certeira foi na pista de desfiles da Marquês de Sapucaí, onde brilha há mais de uma década. Mesmo com tanto tempo afastado de sua primeira profissão, Paulo ainda guarda recordações da época de avião.

– Foi minha primeira oportunidade profissional, meu único emprego antes do Carnaval. Eu adorava o trabalho. Ficava em lindas cidades, fazia viagens inesquecíveis, conhecia mundos diversos. E, naquela época, só viajava quem era rico. Mas a gente ficava nos melhores hotéis, com tudo pago, em Roma (Itália), Los Angeles (Estados Unidos) e outros lugares incríveis. Era muito prazeroso – lembra o carnavalesco da Portela, que era escalado a maior parte do tempo para trabalhar nos concorridos voos internacionais.

Tripulante nunca mais! Atualmente vivendo de Carnaval, Paulo Barros só viaja a passeio – Foto: Arquivo pessoal

Mas vida de comissário não se resume a conforto, glamour e momentos de prazer. O artista não consegue tirar da memória alguns micos e sufocos que viveu nas alturas.

– Uma vez, colei no teto durante uma turbulência. Tem quase 30 anos isso. Era um voo do Rio de Janeiro para Belo Horizonte. Em outra viagem, numa sexta-feira de Carnaval, o voo era Rio-Fortaleza-Roma. Foi um incidente que acabou sendo bom pra mim. Pegamos turbulência, antes de posar em Fortaleza. Acabei caindo em cima de um carrinho de bebida, me machuquei todo, torci o pé… Fui levado ao hospital e não segui viagem. Como não foi nada de sério, voltei para o Rio e curti o Carnaval todo – conta Paulo Barros, que no início da carreira como carnavalesco precisou encarar uma jornada dupla, dividindo seu tempo entre aviação e escola de samba.

Do quepe ao panamá! Carnavalesco trocou de chapéu ao escolher o samba como profissão – Foto: Sambarazzo

– Quando comecei no Carnaval, eu ainda estava na Varig (extinta companhia aérea). Conciliava as duas profissões. Fiz três carnavais na Vizinha Faladeira, trabalhando de comissário ainda. Até que, em 1996, decidi sair para me dedicar integralmente ao Carnaval. Uma aposta que demorou oito anos para valer a pena. Comi muito capim nesse período. Tentei até abrir uma loja de CDs, mas não vingou. Pensando melhor, foi uma ideia maluca, mas minha bola de cristal estava funcionando – confessa, aos risos.

Nos 12 anos de Varig, que foi uma das maiores e mais conhecidas companhias aéreas do mundo, o carnavalesco aprendeu alguns conceitos que faz questão de carregar na bagagem e utilizar ano após ano nos barracões da vida.

– Aprendi a ter regras. Trouxe isso para o Carnaval. Na companhia, nada era aleatório. Para tudo havia uma ordenação, uma sequência de serviços, um planejamento para executar qualquer atividade. Exatamente por essa experiência me tornei metódico no trabalho – finaliza.