Evangélico, intérprete quer Crivella na Sapucaí: ‘Carnaval já deixou de ser profano’

Por Luiz Felippe Reis

Pra fazer valer o espírito plural do Carnaval – e do Brasil – não há mais sentido separar os diferentes. Hoje, as mais mulheres assumem cargos de destaque no samba e até os evangélicos se aproximam cada vez mais da chamada “festa profana”. Um dos convertidos mais conhecidos é Anderson Paz, intérprete da Porto da Pedra, que tem passagens pelo Grupo Especial à farta.

Com a eleição à Prefeitura de Marcelo Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, que durante a campanha teve o apoio aberto da maioria das escolas de samba, a expectativa é o estreitamento ainda maior entre religião e Carnaval. O dono do microfone número um do Tigre de São Gonçalo quer a presença do político nos desfiles do Sambódromo e aproveita para alertar os evangélicos sobre a importância da festa que é uma das marcas identitárias mais emblemáticas do carioca.

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– Seria legal ele (prefeito Marcelo Crivella) estar na Sapucaí, como uma pessoa de bem, comum. É importante ele conhecer o sistema. O Carnaval carioca e brasileiro, que hoje está no mundo inteiro, deixou de ser profano há muitos anos. O Carnaval gera emprego, gera receita para o Estado, ajuda muitas pessoas desempregadas, que, na época do Carnaval, trabalham. Muita gente ganha dinheiro no samba, precisa do dinheiro. Falo isso para o povo de Deus, o profano está na cabeça das pessoas, é necessário ver com outros olhos. Não se pode generalizar. O Samba, pra mim, hoje é arte e cultura – explicou.

‘Independentemente de quem vai me julgar no samba ou não, o julgamento maior é em Cristo Jesus’, desabafa Anderson Paz

Depois que se converteu à palavra de Deus em 2013, Anderson se diz bem mais centrado e focado na parte profissional enquanto cantor de samba. Alvo de algumas ironias no passado logo que virou evangélico, ele chegou a sair do Carnaval, mas voltou atrás. O importante pra ele é ter a consciência tranquila das escolhas que fez.

– Quando eu estou na Porto da Pedra, no samba, eu canto. Quando estou na Igreja, estou adorando Jesus Cristo. É importante ter a mente aberta pra não se sentir condenado. Independentemente de quem vai me julgar no samba ou não, o julgamento maior é em Cristo Jesus. No samba, tem pessoas desviadas da Igreja, porque gostam do Carnaval, mas não aprenderam a separar. Sofreram julgamentos e saíram da Igreja – lamenta Anderson.

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