Rainha vai para o Oriente Médio e passa a usar burca: ‘Vaidade esquecida’

Por Luiz Felippe Reis

Uma das maravilhas do Carnaval, além é claro de toda cultura intimamente brasileira propagada mundo afora, são as lindas mulheres que mostram na Avenida, através de encantamento natural e samba no pé, um pouco do deslumbre que este país é capaz de produzir.

Reinar à frente dos ritmistas das escolas de samba no Carnaval é, para as beldades, sinônimo de glamour e fama. E característica comum entre essas gatas é a exposição do corpo. Mas para uma delas a realidade de semi-nudez e curvas à mostra deu um tempo.

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Rainha de bateria da Tradição, Monique Rizzeto está vivendo há quase dois meses no Catar, país islâmico, que exige que os turistas sigam algumas das doutrinas do islã – Fotos: Arquivo pessoal e Alex Nunes

É que a rainha de bateria da Tradição, Monique Rizzeto, está morando há quase dois meses no Catar – país do Oriente Médio em que a religião islâmica é professada por quase 80% da população, majoritariamente sunita – e abandonou as roupas curtas e sensuais, andando pela capital Doha de burca, vestimenta tradicional das mulheres islâmicas, que tapa os cabelos, os ombros e as pernas.

Aprovada para um projeto de uma multinacional, Monique volta ao Brasil nesta semana, mas deve retornar ao Catar ainda este mês para a continuação dos trabalhos no país asiático. Acostumada a pegar pesado na academia para chegar aos desfiles com o corpo impecável e ousar nos modelitos para encantar na Avenida, a gata revela, no entanto, que está gostando de conhecer a nova cultura e admirando a forma de viver dos catarianos.

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Apesar das restrições, Monique admira a forma de viver no país do Oriente Médio: ‘É possível conciliar a fé e a felicidade de viver’ – Foto: Arquivo pessoal

– No início, eu estranhei muito, pois o Catar exige que os turistas respeitem suas tradições da cultura islâmica. Em locais públicos, os turistas precisam tampar os ombros e joelhos. Calções e tops são proibidos e as leggins não substituem as calças jeans. As mulheres usam roupa típica, a chamada burca, e o calor ultrapassa os 40 graus. Estou acostumada a dedicação excessiva à vaidade e à semi-nudez. Estou vivendo agora o aposto do que sempre vivi, a vaidade foi esquecida, excesso de maquiagem removida, os saltos altos e brilhos nas roupas foram deixados no armário. Antes de chegar, achei tudo novo e severo, mas me deparei aqui com o respeito à religião. Hoje, percebo a diferença de cultura e, mesmo com todas as restrições impostas, é possível conciliar a fé e a felicidade de viver – comentou Monique, que já posou para o Ensaio Sensual do Sambarazzo.

As mulheres no Islã são guiadas pelas leis primárias islâmicas, postas no Alcorão, assim como pelas demais leis secundárias (que tendem a variar de acordo com a diferença na conceituação das mulheres islâmicas). A doutrina é bem clara com relação à necessidade da preservação do corpo feminino em locais públicos: “Ó Profeta, dize a tuas esposas, tuas filhas e às mulheres dos crentes que quando saírem se cubram com as suas mantas; isso é mais conveniente, para que se distingam das demais e não sejam molestadas; sabei que Allah é Indulgente, Misericordiosíssimo.” (Al Ahzab: 59), diz o versículo.

A nova musa dos ritmistas da Tradição será coroada - Foto: Ricardo Almeida/Sambarazzo
Foto: Ricardo Almeida/Sambarazzo

No Carnaval carioca, além de rainha de bateria da Tradição, Monique Rizzeto é musa do Império Serrano.