Rendendo homenagens! Paulo Barros se declara a Horta e mais presidentes

Por Luiz Felippe Reis

O enredo “No voo da águia, uma viagem sem fim” parece estar influenciando diretamente o carnavalesco Paulo Barros, da Portela. Que o artista aproveita muito bem suas férias indo visitar as paisagens mais belas do planeta, isso o Sambarazzo já mostrou faz tempo – como nas viagens para Minas Gerais, Miami, Búzios, Europa… E, desta vez, o artista fez mais uma viagem, passeando por sua memória afetiva, a fim de lembrar, com toda gratidão, dos presidentes de escola de samba mais marcantes de sua carreira.

Responsável por dar a primeira oportunidade a Paulo Barros no Grupo Especial, o presidente Fernando Horta, da Unidos da Tijuca, foi citado pelo carnavalesco na lista de agradecimentos especiais aos homens que fizeram a diferença no início da trajetória dele na festa mais popular do Brasil.

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Parceria que deu certo! Três títulos, três vices e sempre presente no Sábado das Campeãs, a união Paulo Barros-Fernando Horta fez um bem danado à Tijuca – Foto: Arquivo pessoal

– Lembro nitidamente no meu primeiro ano (2004) de Unidos da Tijuca, quando comecei a subir as primeiras alegorias, a escola se apavorou. Todos queriam correr daquilo, todos apavorados com o que viam. E o Fernando Horta se manteve na posição: “Deixa o rapaz trabalhar”, dizia. Fernando Horta foi o homem que acreditou na aposta dele. Foi mais um homem que fez parte da minha vida e vai fazer pra sempre – lembrou Paulo Barros, que teve duas passagens pela Tijuca – de 2004 a 2006 e de 2010 a 2014 -, conquistando três títulos e três vice-campeonatos para a escola do Borel.

Paulo Barros na Tijuca
Tiro certo! Logo em sua estreia no Grupo Especial, em 2004, o carnavalesco Paulo Barros ajudou na conquista do vice-campeonato, melhor colocação da Tijuca em 68 anos àquela época – Foto: Divulgação/Mauro Samagaio

Depois de contratar um carnavalesco até aquele momento desconhecido, Fernando Horta não retrocedeu um palmo na principal aposta para o Carnaval 2004. Convicto em sua ousadia, o homem forte da Tijuca nunca duvidou do sucesso de Paulo Barros.

– Eu gostei do trabalho dele nas escolas do Acesso, achava que estava tudo muito igual no Carnaval, e resolvi trazê-lo pra Tijuca. Estava querendo apostar em alguma coisa nova, sabia que seria espetacular. Só não sabia como seria para os jurados. Deve ter assustado os jurados com a cabeça mais antiga, mas deu certo, e eu estava bem confiante – recordou o presidente da Tijuca, que depois do desfile de 2004 só por uma vez ficou de fora do Sábado das Campeãs, que envolve as seis melhores do Carnaval.

Horta e Paulo Barros
É tetraaaa, é tetraaaa! Fernando Horta e Paulo Barros participaram ativamente de três (2010, 12 e 14) dos quatro títulos tijucanos na história do Carnaval – Foto: Divulgação/Mauro Samagaio

“Temos uma história, mas a vida é assim, separa as pessoas”, diz Horta sobre Paulo Barros

Recentemente, Paulo Barros foi condecorado com a Medalha Pedro Ernesto, ofertada pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Ausente por causa de compromissos com o Vasco da Gama, onde ocupa a vice-presidência administrativa, Fernando Horta não pode comparecer à solenidade em que o amigo era o protagonista, mas ficou lisonjeado pelo convite. O mandachuva tijucano, no entanto, mostra que durante a competição aquela velha máxima “Amigos, amigos, negócios à parte” prevalece.

– Eu torço pra ganhar dele. É claro que torço pelo sucesso dele, somos amigos, mas quero ganhar. Fiquei sensibilizado com o convite, recebi com muito carinho. O Paulo Barros tem uma identificação com a Tijuca. O Paulo Barros fez bem para a Unidos da Tijuca, como a Tijuca fez bem para o Paulo Barros. Temos uma história, mas a vida é assim, separa as pessoas – pontuou o dirigente.

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Com novo chefe, o vice-presidente da Portela, Marcos Falcon, Paulo Barros não terá a torcida de Fernando Horta: “Torço pra ganhar dele”, garante o comandante tijucano – Foto: Reprodução/Facebook

Durante a solenidade, Paulo Barros não deixou de lembrar do seu novo patrão, o vice-presidente da Portela, Marcos Falcon, com o qual parece ter constituído uma relação de respeito.

– Quando se olha pra essa Águia, a gente identifica a beleza, a força, tudo aquilo que a Portela é, principalmente por eu ter sido recebido de uma maneira tão carinhosa pelo mestre Monarco, pelo mestre Noca, pela Tia Surica enfim… por toda a Portela. E pelo vice-presidente, que, até hoje, respeitou todo o meu trabalho, e isso pra mim, independentemente do resultado do desfile… A Portela faz parte da minha história – se declarou o artista mais bem pago do Carnaval.

A gratidão de Paulo Barros no evento solene não se resumiu ao homem que lhe deu a primeira chance profissional na elite do Carnaval. O artista fez questão de exaltar a memória de dois presidentes que já morreram, mas que deixaram pra ele um legado de ensinamentos na época das “vacas magras” nos grupos de acesso.

– Vou tocar alguns nomes que fizeram e fazem parte da minha vida e que construíram minha história. Presidente Hélcio (Aguiar), do Arranco do Engenho de Dentro (agremiação da Série B), já falecido, que foi uma das pessoas mais brilhantes que eu conheci na minha vida em termos de conhecer o Carnaval. Um grande amigo meu da Vizinha Faladeira (Escola da Série C do Carnaval), também falecido, Carlinhos Bacalhau – citou Paulo.

Paulo Barros e Carlinhos Bacalhau
Paulo Barros com um de seus mestres, o ex-presidente da Vizinha Faladeira, Carlinhos Bacalhau – Foto: Arquivo pessoal

Em sua nova casa, Paulo Barros tenta levar à Portela ao título que não conquista há 32 anos. A azul e branco de Madureira será a quarta a desfilar na Segunda-feira de Carnaval. De olho no quarto campeonato em sete temporadas, o presidente Fernando Horta aposta no quarteto Mauro Quintaes, Annik Salmon, Marcus Paulo e Hélcio Paim para levar à Tijuca a mais uma vitória. A escola do Borel será a última a passar pela Sapucaí no Domingo da festa mais popular do Brasil.