A 70 dias do Carnaval, escolas não têm verba da prefeitura e Liesa insiste em reunião com Crivella

Por Redação

Faltam exatos dois meses e 11 dias para o Carnaval carioca e as 14 escolas de samba do Grupo Especial ainda não receberam os recursos financeiros que a Prefeitura do Rio costuma destinar todos os anos aos desfiles. A quantia de R$ 500 mil para cada escola, anunciada há duas semanas, foi rejeitada pela Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) por representar um corte de 50% do aporte em relação ao ano passado. Por isso, mesmo que o prefeito Marcelo Crivella já tenha assinado a liberação do dinheiro, ele ainda não passou a ser gerido pelas agremiações, que insistem numa reunião com o chefe do Executivo municipal e com Paulo Messina, Secretário da Casa Civil.

Escolas de samba do Rio não receberam verba municipal a 70 dias do Carnaval e esperam aceno do prefeito Marcelo Crivella sobre o protesto dela contra o corte de 50% da subvenção | Foto: Fernando Grilli/Riotur

O panorama da situação foi dado nesta quarta, 19, pelo presidente da Liesa, Jorge Castanheira, durante coletiva na sede da instituição localizada no Centro do Rio. Aos jornalistas, o dirigente revelou que somente R$ 2,2 milhões entraram para os cofres de cada escola até agora, grana referente ao pagamento feito pela TV Globo pelos direitos de transmissão e a uma primeira parcela repassada pela liga com os lucros da venda de ingressos. Não há expectativa de recursos vindos da 99, empresa que foi convidada para assumir a cota de patrocínio que a Uber resolveu dispensar — a negativa de ambas já é certa.

— Estamos em busca de patrocínio e seguimos tentando marcar a audiência com o prefeito e o secretário, solicitada junto a Riotur (Empresa Pública de Turismo do Rio). Entendemos as circunstâncias em que eles se encontram, com a proximidade do Réveillon. Parece que hoje eles conseguiram resolver as pendências e talvez possamos nos encontrar nos próximos dias. Enquanto isso, as escolas estão todas sem os recursos necessários para a preparação do Carnaval 2019 — afirmou Castanheira, que recentemente apontou a religiosidade de Crivella como um dos possíveis motivos para que ele deixe de apoiar a folia.

Explicações sobre o ‘caso Rock in Rio’

O presidente da Liesa também aproveitou a ocasião, que foi antecedida por uma plenária com os dirigentes das agremiações, para esclarecer o plano de parceria comercial entre o espetáculo da Sapucaí e o “Rock in Rio”, festival de música idealizado pelo empresário Roberto Medina.

Na semana passada, um administrador ligado à empresa, Márcio Cunha, participou de reuniões na sede da instituição que gerencia a festa, o levou a imprensa a ventilar a hipótese de que Medina poderia reforçar o time empenhado em resolver a crise financeira instalada desde a temporada passada.

O presidente da Liesa, Jorge Castanheira, aproveitou a coletiva para explicar como se deu o contato com um profissional ligado à área de operações do Rock in Rio que pode captar recursos para o Carnaval | Foto: Sambarazzo

Segundo Castanheira, não há uma conclusão para a tratativa, uma vez que a divulgação antecipada pode ter influenciado a execução do trabalho.

—  Houve um ruído de comunicação. A tentativa dele (Márcio) é buscar novos parceiros e patrocinadores com a experiência que tem na área operações do ‘Rock in Rio’. A ideia é tentar achar um formato e levar nosso projeto a novos ramos, como o setor automobilístico, por exemplo. Isso foi feito. Nosso departamento comercial esteve com ele e passou as oportunidades que podem ser negociados — explicou, afirmando que a existência de um plano a longo prazo para a captação recurso existe e teria duração de quatro anos.

Impeachment? Que nada!

Sobre a notícia de que dirigentes das escolas de samba teriam se reunido na última semana no barracão da Beija-Flor na Cidade do Samba, Zona Portuária do Rio, para discutir um pedido de impeachment de Castanheira, o próprio disse desconhecer o tema e destacou que o ambiente entre os representantes segue ameno.

— Não posso falar sobre essa notícia porque eu não estava nesta reunião. Mas, até aqui, o clima segue tranquilo, principalmente hoje durante a reunião — diz o presidente, que foi reeleito recentemente para um mandato que dura até 2022.

‘Não há plano B’, decreta Castanheira

Conforme contou Castanheira, as escolas já estão assinando os termos do regulamento do próximo Carnaval e que, portanto, não há possibilidade de reduzir o número mínimo de alegorias que precisam ser levadas para a Avenida (o que poderia representar um alívio nas contas) e que essa necessidade de fazer valer o que está escrito se estende para os outros quesitos:

— Não há plano B faltando dois meses e meio pro Carnaval. (Uma mudança no regulamento) poderia prejudicar a apresentação planejada pelos carnavalescos. Poderia, de alguma maneira, impactar profundamente a qualidade do que foi planejado.

Ensaios técnicos seguem nos planos, mas sem nenhuma certeza

A volta dos ensaios técnicos, presente que todos os sambistas gostariam de ganhar no Natal que se aproxima, segue uma incógnita. Mais uma vez, Castanheira destacou que é preciso viabilizar recursos via Lei Rouanet ou através do incentivo fiscal concedido pelo governo do estado (o custo dos treinos é de aproximadamente R$ 4 milhões). Até aqui, nada foi resolvido.

— Ainda não decidimos. A gente tem o plano de executar. E pra isso, precisamos do recurso financeiro. Se a gente conseguir, vamos dar segmento a esse objetivo de recuperar a possibilidade no futuro, quem sabe, de viabilizar os ensaios técnicos — destacou, completando que não há uma data limite estipulada para que se decida sobre a realização.


Os ensaios, que costumavam lotar a Marquês de Sapucaí em janeiro e fevereiro, não estão previstos ainda no calendário de 2019 | Foto: Reprodução/Facebook