Por Redação

Maior revelação do Carnaval dos últimos três anos, o carnavalesco Leandro Vieira, da Mangueira, virou um dos artistas com as criações mais esperadas da festa. A inspiração para tal talento ele tem de onde tirar: Renato Lage, da Grande Rio, e Rosa Magalhães, da Portela, que juntos já ganharam 10 vezes o desfile das escolas de samba e marcaram época principalmente durante a década de 1990.

Leandro Vieira e seus dois inspiradores: Rosa Magalhães e Renato Lage – Foto: Irapuã Jeferson

Quase num duelo entre criador e criatura, Leandro e Renato nutrem uma rivalidade sadia, baseada na admiração, no respeito e na motivação para superar o outro. Em 2016, primeiro ano de Vieira no Especial, a vitória foi do mais jovem, título da Mangueira e 4° lugar para o Salgueiro de Lage. Em 2017, deu Renato. Salgueiro ficou em 3° e a verde e rosa em 4°.

– Eu tinha falado que não ia tirar na minha frente, e não tirou. Eu falo de brincadeira, porque eu torço por ele. Um menino que tem valor e está no caminho certo. Ele sabe aproveitar as oportunidades, até com esse enredo. Ele já ganhou uma vez. Ele me dá ânimo – admitiu Renato Lage, que fará sua estreia na Grande Rio ano que vem.

Dois dos principais carnavalescos do Carnaval, Leandro Vieira (Mangueira) e Renato Lage (Grande Rio) são amigos, mas mantêm, com muito bom humor, uma rivalidade sadia – Foto: Sambarazzo

“Perder pro Renato é mesma coisa que estar ganhando”, diz Leandro Vieira.

A brincadeira/rivalidade entre os amigos ganha nova força em 2018. Grande Rio e Mangueira desfilam coladinhas no Domingo de Carnaval; a tricolor é a 5ª e a escola do Palácio do Samba é 6ª. Leandro quer o segundo campeonato, mas em caso de perder pra Lage, o cara não vai ficar tão abalado.

– Perdi pra ele naquele buraco. Mas eu torço pelo Renato pra caramba, é um cara que me apoia em tudo, é um mestre. Perder pro Renato é mesma coisa que estar ganhando. Ganha o mesmo Carnaval. No próximo ano, eu venho coladinho nele – tirou sarro Leandro, no terceiro ano consecutivo na Estação Primeira.

Logo depois de Leandro no Domingo de Carnaval, Lage ganha ainda mais motivação com o trabalho na Grande Rio.

“A Mangueira do Leandro vem atrás da gente, e isso dá ainda mais vontade de fazer chover”

– Há uma admiração, uma reverência, mas cada artista tem a sua visão, sua maneira de pegar. Ele é carnavalesco, acho que sou artista e menos carnavalesco. Eu falo sempre pra ele, cuidado que eu sou um senhor de idade. Mas, assim, domingo tá legal. A Mangueira do Leandro vem atrás da gente, e isso dá ainda mais vontade de fazer chover – disse.

Já que o assunto são desfiles, quem vai estar na Sapucaí, já nas altas horas da madrugada, vai acompanhar estilos opostos de desfiles nessa sequência Grande Rio-Mangueira. Lage se veste de irreverência para saudar Chacrinha; Vieira vai largar mão da crítica, fazendo repensar o modelo de carnaval atual.

“O enredo da Renato e o da Rosa são os melhores”

O carnavalesco da verde e rosa sabe bem que uma figura do peso como um Chacrinha nas mãos e mente do mestre Renato é um ‘perigo’:

– Chacrinha na mão do Renato é um perigo. Chacrinha é um personagem da cultura brasileira super emblemático. Além da trajetória na TV, tem toda a questão da ligação dele com a música popular brasileira, com a Tropicália. A ligação do Chacrinha com Carnaval… ele é um personagem altamente carnavalesco, e o Renato sabe fazer isso muito bem. Pra mim, o enredo do Chacrinha, junto com o da Rosa (Portela, “De repente de lá pra cá e dirrepente daqui pra lá”) são os dois melhores. Gosto de ler as sinopses de todos os enredos, admito que têm umas que eu leio pulando. Mas é sempre bom saber do que as escolas vão falar.

A Grande Rio brinda com alegria a Sapucaí: “Vai para o trono ou não vai?” homenageia Abelardo Barbosa, o Chacrinha, um dos maiores comunicadores da televisão brasileira e figura emblemática da cultura nacional – Foto: Divulgação

“O samba sempre teve essa pegada crítica, e hoje não pode mais fazer isso, houve uma certa censura.”

“Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco”, de Leandro Vieira, propõe uma critica aos destinos escolhidos pelo Carnaval e desbrava os porquês do evidente distanciamento popular das escolas. Reflexão imediata a partir do corte de verba da prefeitura de Marcelo Crivella, que não será poupado no desfile. Renato Lage curtiu a sacada.

– Leandro foi oportuno. Buscou até um samba lá de trás pro título. O samba sempre teve essa pegada crítica, e hoje não pode mais fazer isso, houve uma certa censura. Tem que ser politicamente correto e tal. E a Mangueira é ótima pra fazer isso, é uma escola do povo. O Brasil tá precisando disso – comentou.

No Domingo de Carnaval, na sessão coruja, a Grande Rio apresenta “Vai para o trono ou não vai?”, e a Mangueira, logo na sequência, vai criticar os moldes dos desfiles modernos e propor um resgate à identidade e raiz da festa.

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