Por Redação

A cidade do Rio de Janeiro se acostumou com prefeitos entusiastas do Carnaval carioca. César Maia – pai da Cidade do Samba – e Eduardo Paes – dono de investimentos nas quadras e responsável por dobrar a subvenção da prefeitura – eram figuras cativas nos desfiles. Com Crivella até 2020, as escolas de samba terão que se adaptar à nova realidade, mais distante e menos fraterna.

São Paulo também elegeu um novo prefeito por quatro anos, mas, pelo visto, a relação tá bem mais próxima. João Doria visitou nesta semana os barracões da Fábrica do Samba – similar à Cidade do Samba – e prometeu a conclusão das obras do espaço em 10 meses.

Carnavalesco da Unidos do Peruche, Mauro Quintaes, artista reconhecido no Rio pelas passagens por Salgueiro, Viradouro, Unidos da Tijuca e outras, opinou que fica mais confortável trabalhar com a atenção do poder público municipal. Pra ele, a relação saudável em Sampa comparada à animosidade de Crivella com as agremiações pode fazer o Carnaval de São Paulo crescer enquanto alternativa de mercado para quem anda incerto sobre os destinos da festa carioca.

– Acho que vale ressaltar o conforto de se trabalhar com o apoio da prefeitura. O prefeito Doria esteve nos barracões, com o ministro do Turismo. É uma relação, portanto, muito diferente da relação da Prefeitura do Rio com o Carnaval Carioca. Eu, particularmente, acredito, que São Paulo, inclusive, será um grande mercado de mão de obra do Rio. Se a situação do Rio continuar no ritmo que está, talvez São Paulo se torne uma alternativa de trabalho aos profissionais do Carnaval Carioca. E estou preparando uma temporada do programa com os personagens do Carnaval de São Paulo. Afinal, até então, só entrevistei personagens do Carnaval do Rio – disse Mauro Quintaes, que comanda o programa “Quintas com Quintaes”, no Youtube, onde entrevista personalidades do Carnaval.

João Doria com o presidente da LigaSP Paulo Sérgio Ferreira na visita à Fábrica do Samba – Foto: Marcelo Messina/LigaSP
Crivella cortou 50% da verba pública aos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial, Série A e Escolas Mirins; ele não esteve no desfile da Sapucaí em 2017 – Foto: Reprodução

A Prefeitura de São Paulo já desembolsou R$ 126,2 milhões na obra da Fábrica do Samba. Já o governo federal investiu R$ 80 milhões (R$ 40 milhões anteriormente e mais R$ 40 milhões nesta segunda). O investimento total estimado está acima daquele inicialmente anunciado, de R$ 124 milhões. A previsão de conclusão era pra 2015, mas houve uma paralisação na gestão anterior, do ex-prefeito Fernando Haddad.

“A intenção é tirar a cara de Parintins do Carnaval de São Paulo”, arquiteta Mauro Quintaes

Se São Paulo pode virar alternativa cada vez mais atrativa no mercado, Quintaes já bebe dessa fonte e planeja estéticas diferentes para dar uma contribuição artística na festa da terra da garoa pela Peruche:

– Aqui em São Paulo, estou tentando uma estética diferente de carros alegóricos, fugindo um pouco daquele padrão retangular. Estou seguindo uma linha diferenciada também de esculturas, buscando formatos distintos, criando materiais diferenciados, pra sair do lugar-comum… Cada carro tem uma leitura diferente, uma estética e padrão de escultura diferente, embora trabalhe com o mesmo escultor. A intenção é essa, aliviar um pouco essa coisa retangular e vertical que o Carnaval de São Paulo sempre impôs, aquelas coisas enormes, bonecos estáticos na sua expressão, tirar, enfim, a cara de Parintins do Carnaval de São Paulo, mantendo, claro, as características da festa, que é muito diferente da festa do Rio.

Em 2018, Mauro Quintaes desenvolve na Peruche uma homenagem ao sambista carioca Martinho da Vila. O enredo é “Peruche celebra Martinho: “80 anos do Dikamba da Vila”.

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