Por Luiz Felippe Reis

Narrador dos desfiles do Carnaval do Rio de Janeiro, Luís Roberto não perde a oportunidade de saber cada detalhe de preparação das escolas do Grupo Especial. Há seis anos, desde que comanda as transmissões da festa pela TV Globo, o locutor tem incluída na rotina diária algumas visitinhas aos barracões da Cidade do Samba às vésperas das apresentações no Sambódromo.

Por lá, dá-lhe de horas e horas de conversas com carnavalescos, coreógrafos, casais, cantores, mestres de bateria… das doze agremiações. Tudo, é claro, pra chegar no dia do Carnaval com os enredos e todas as novidades na ponta da língua. E é claro que nessas idas aos barracões, Luís, que dia desses assumiu ser torcedor da Beija-Flor de Nilópolis, não deixa de projetar o resultado do Carnaval e palpitar sobre as favoritas ao título na Quarta-feira de Cinzas.

Luís Roberto, ao lado da parceira de transmissão do Carnaval carioca, Fátima Bernardes, em mais uma série de visitas aos barracões da Cidade do Samba, no Rio - Foto: Divulgação/TV Globo
Luís Roberto, ao lado da parceira de transmissão do Carnaval carioca, Fátima Bernardes, em mais uma série de visitas aos barracões da Cidade do Samba, no Rio – Foto: Divulgação/TV Globo
Acirramento. Essa é a palavra que mais vezes veio à cabeça do narrador enquanto admirava as alegorias, fantasias e projetos deste ano. Para ele, a Estácio de Sá, que subiu para o Especial no ano passado, vai endurecer a disputa contra o rebaixamento. Na hora de apontar favoritas ao campeonato, o narrador não titubeia: Salgueiro, Beija-Flor e Tijuca são as eleitas.

– O mais legal é que as escolas conviveram bem com a chamada crise. Arrumaram soluções bem legais, os barracões estão praticamente prontos. A beleza está garantida. O equilíbrio está garantido, tanto na parte de cima da tabela, como também a luta pra não cair vai ser muito, muito, muito acirrada. Estácio vem pra tentar se manter e vai dificultar muito a briga pra não cair. As grandes vão estar disputando o título, o Salgueiro, a Beija-Flor, a Tijuca. A Mocidade vem com a proposta de 8 ou 80, vai dar muito certo, ou pode correr riscos. Estou bem animado. Vai entrar pra história como o carnaval que se virou com a crise. Uma safra de sambas de alto nível. Tô animado, e é isso que eu espero: bastante equilíbrio – projeta Luís Roberto, que divide a ancoragem da transmissão do Carnaval com a jornalista Fátima Bernardes.

Luiz Roberto
Lado folião! Luís Roberto concorda com a opinião de que as escolas de samba deveriam reduzir o tempo do desfile em prol da transmissão pela TV – Foto: Divulgação/TV Globo
Luís Roberto é acostumado a falar bastante sobre futebol durante os outros 11 meses do ano, e em fevereiro os comentários mudam de foco e são direcionados ao Carnaval. De olho no futuro da festa mais popular do Brasil, o narrador concorda com a opinião do ex-diretor de TV José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, que em recente entrevista ao Sambarazzo defendeu que as escolas de samba deveriam diminuir o número de componentes e, com isso, reduzir o tempo de desfile na Avenida.

– Faz parte do conjunto de espetáculo, a Avenida é um grande teatro, e ele precisa ir se entendendo ao passar dos anos pra ser cada vez mais sedutor ao público. Tenho minha visão crítica também. As escolas poderiam ser um pouco menores, o desfile um pouco menor, acho 82 minutos muito. Do ponto de vista do espetáculo para televisão, fica repetitivo. Tudo é uma evolução a tudo o que o público tá pedindo e querendo. O Carnaval está atento a essas mudanças – finaliza Luís.

Em seis dias, começa o Carnaval carioca versão 2016.

Colaborou: Irapuã Jeferson