Por Luiz Felippe Reis

Em tempos de crise e de corte na subvenção municipal – o prefeito Marcelo Crivella reduziu a verba pras agremiações de R$ 2 milhões para R$ 1 milhão -, as escolas de samba ganharam uma boa notícia na última semana. É que um projeto de lei, de autoria do deputado estadual Chiquinho da Mangueira (PMN), que também é presidente da verde e rosa, foi aprovado e vai aliviar os gastos das contas de água e esgoto das escolas de todos os grupos.

As agremiações passarão a pagar apenas o que a Cedae – Companhia Estadual de Águas e Esgotos – chama de “tarifa social de água”, que reduz em aproximadamente 70% os gastos nas contas mensais desses serviços citados, normalmente cedidos pela empresa estatal aos clubes desportivos de bairro, moradores das favelas e conjuntos habitacionais populares.

– A importância é que são todas as escolas beneficiadas, até o Grupo E, lá da Intendente Magalhães. É uma maneira da gente ajudar as escolas como instituições culturais, sociais e educacionais. E ainda mais num momento desse, que o prefeito tirou a subvenção de maneira absurda. A Petrobras não patrocina mais, o governo do estado também não. Cada escola perdeu R$ 2,5 milhões nos últimos anos. Hoje, o que se arrecada não é compatível com o espetáculo que as escolas fazem. A gente precisa se reunir e discutir os gastos. A Mangueira, por exemplo, encarou uma dívida quase que impagável. Se nada for feito, o Carnaval corre sérios riscos em 10 anos – alertou Chiquinho da Mangueira, que é presidente da verde e rosa desde 2013.

Autor de projeto que vai baratear contas de água e esgoto das escolas de samba, o deputado e dirigente do samba Chiquinho da Mangueira exalta importância da lei, mas alerta: ‘O Carnaval corre riscos em 10 anos’ – Foto: Reprodução

Pra determinar o valor exato que as escolas devem pagar na “tarifa social da água”, Chiquinho ainda depende de uma reunião na Liesa e dos valores das três últimas contas de água das agremiações para que haja um cálculo preciso.

Na época mais próxima ao Carnaval, as escolas do Grupo Especial chegam a pagar de água e esgoto um valor que varia de R$ 15 mil a R$ 20 mil mensais, só no barracão. Juntando com a quadra, o gasto pode chegar aproximadamente a R$ 25 mil. Chiquinho acredita que o desconto deve possibilitar às agremiações pagamentos de apenas 30% desse valor.

Numa conta rápida, usando um gasto arbitrário: quem paga R$ 22 mil normalmente, passaria a desembolsar R$ 6,6 mil.

O projeto não teve problemas para ser aprovado na Alerj, Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, e fica na dependência da sanção do governador Luiz Fernando Pezão.

Os descontos são dados ao CNPJ, ou seja, vale para quadra, barracão e qualquer espaço em nome da escola de samba. A contrapartida que as agremiações devem fornecer ao estado é a cessão das quadras aos colégios públicos vizinhos para atividades estudantis.

*Foto de Capa: Alexandre Macieira/Riotur

 

 

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