Por Redação

Já nas altas horas da madrugada do Domingo de Carnaval o clima de romance vai tomar conta da Sapucaí, quando a Beija-Flor de Nilópolis iniciar o derradeiro desfile da primeira noite de apresentações da Avenida.

É que o tema oficial da maior campeã do Sambódromo é uma narrativa baseada no romance “Iracema – a lenda do Ceará”, escrito por José de Alencar, uma das pérolas da literatura brasileira. A virgem dos lábios de mel – Iracema – virou um símbolo da história do estado nordestino por retratar o amor entre a personagem principal da trama com o navegador português Martim, que, juntos, dão origem a Moacir, o primeiro cearense miscigenado. Tudo isso diante do cenário histórico da colonização européia no continente americano no início do século XVII.

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Mas o belo conto, pra virar enredo, teve que ganhar uma disputa interna contra um tema-homenagem ao ex-comunicador José Abelardo Barbosa Medeiros, o Chacrinha, que tinha força também na azul e branco. O duelo entre os enredos foi duro. Entre conversas, argumentações e convencimentos, foram uns 3 meses de angústia para o nilopolitano. Ao final, deu Iracema pra alegria da comunidade e da comissão de carnaval, que estava na torcida pelo anúncio da virgem dos lábios de mel.

– Houve a história do Chacrinha, que era muito bom, mas era mais uma homenagem, e isso pesou. Iracema é uma história de amor. Foi naturalmente, não foi algo forçado. É como uma corrida, né? E ela foi vencendo, foi passando à frente, então ela venceu pela própria força dela. A história está fazendo 150 anos, e é super atual. O que mais se fala hoje é a presença da mulher na política, na vida social, e ela é uma guerreira do amor, a Iracema, e daí nasceu o Moacir, o primeiro miscigenado, e o Carnaval precisa desse tipo de história – opina Fran Sérgio, um dos integrantes da comissão da Beija-Flor, ao lado de Victor Santos, André Cezari, Bianca Behrends e Claudio Russo, todos liderados por Laíla.

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Comissão da Beija-Flor, que queria e conseguiu emplacar Iracema como enredo, já tem o projeto da narrativa quase pronto – Foto: Rodrigo Mesquita

Através do Facebook, os torcedores da Beija-Flor fizeram a diferença para a definição de Iracema. Cada postagem de um apaixonado pela escola na rede social era um pontinho a mais na disputa interna para a escolha do tema.

– Comunidade foi essencial. As pessoas, conforme sabiam, achavam lindo e postavam. Eles participaram muito dessa disputa de fazer um enredo que você acha que é legal pra escola no momento certo. Iracema nada mais é que a nossa própria origem. Nós somos indígenas. Ela é um anagrama de América. Como a América foi colonizada, da forma que foi, a paixão dela pelo português, o Martim. É uma história cheia de encantos. A gente tem certeza que fará um grande Carnaval, rústico, primitivo, bem na base indígena – adiantou o carnavalesco octocampeão da festa mais popular do Brasil.

Maior campeã da Século XXI, com sete títulos, a Beija-Flor de Nilópolis será última a desfilar no Domingo de Carnaval, pelo Grupo Especial, buscando o décimo quarto campeonato na história.