Por Redação

Apesar dos apelos do presidente Luis Carlos Magalhães, que ao lado de mestre Monarco e Tia Surica, pediu que as torcidas não brigassem ao fim da festa, foi triste o desfecho da disputa de samba-enredo na escola de Madureira. Uma briga de grandes proporções tomou conta da quadra cinco minutos após a escola anunciar que a parceria de Samir Trindade era a grande vencedora do concurso, por volta das 5h30 da manhã deste sábado, 15.

A pancadaria assustou quem estava nas dependências da quadra e a confusão foi parar do lado de fora do espaço de eventos da azul e branco. Grades foram arremessadas para o alto e o descontrole emocional entre torcedores dos sambas finalistas e alguns compositores tomou conta da cena.

Foto: Irapuã Jeferson

O presidente Luis Carlos Maglhães tentou, sem sucesso, apartar alguns focos de briga (até mulheres foram agredidas), assim como o intérprete oficial da escola, Gilsinho, que acabou sendo retirado do tumulto por seguranças e membros da diretoria. Toda a confusão durou aparentemente intermináveis cerca de 20 minutos e foi controlada após a ação de seguranças e diretores da escola.

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“Envergonharam (a Portela)”, disse presidente após lamentável episódio

O tumulto teve início numa das laterais de acesso ao palco e o confronto na quadra também envolveu integrantes da bateria e outros componentes da agremiação.

– As pessoas que eu vi brigando foram da parceria número… Não vou nem citar o nome… Da parceria que girou em torno do Noca. Não estou dizendo que foi o Noca que brigou. A parceria que girou em torno do Noca. Eu identifiquei duas pessoas, essas pessoas vão ser submetidas ao conselho, porque eles envergonharam. Eles dois, não. Todos eles. Cada um ali sabe quem é. Cada um que tá brigando sabe quem é. Nosso presidente de honra que tava ali… Como é que o Monarco, com a história que tem, vai se meter em sacanagem (algumas pessoas afirmaram que teve roubo para favorecer o samba campeão). Como é que o Monarco vai fazer isso? Eles me ameaçaram (as duas pessoas que ele diz serem ligadas à parceria de Noca). Eu saí daqui (do palco) e fui pra lá, pro meio da briga, e eles me ameaçaram. Eles estão fotografados, outras pessoas viram e fotografaram também. Todos eles vão ser submetidos ao conselho para ser expulsos da ala (de compositores). Essa é a ala de Candeia, de Casquinha, de Monarco. Não é a ala desses caras – declarou, inconformado, o presidente Luis Carlos Magalhães.

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Foto: Irapuã Jeferson
Fotos: Irapuã Jeferson
Samba vencedor teve 42 votos, enquanto o segundo colocado agradou mais apenas 5 jurados

Alguns dos torcedores mais exaltados foram direcionados pela segurança da Portela para uma sala reservada, até que tivessem os ânimos acalmados.

A parceria campeã, liderada por Samir Trindade, preferiu permanecer no palco até que as brigas terminassem. A vitória se deu com 42 dos 48 votos registrados, contra 5 da parceria de Noca da Portela e Diogo Nogueira, que precisou sair da quadra escoltado. O samba dos Crias levou somente 1 voto. Quem continuou na quadra quando tudo se acalmou ainda conseguiu aplaudir os compositores vencedores.

– Às vezes, a gente fica de cabeça quente quando perde o samba. Mas tem que lembrar dos ensinamentos de Paulo da Portela, que é o respeito ao sambista, ao coirmão, principalmente à história da Portela e a esse chão sagrado – disse Samir Trindade, compositor que encabeça a parceria campeã.

Segundo a assessoria de imprensa da Portela, não houve feridos e a polícia não precisou ser acionada. Pela primeira vez, em muitos anos, a bateria não sai da quadra tocando para celebrar o samba eleito para embalar o desfile da escola.

Veja um dos momentos de confusão: