Cidade do Samba! Pedido de interdição de barracões preocupa presidentes: ‘Toda hora uma porrada’

Por Redação

Os 14 barracões da Cidade do Samba, na Zona Portuária do Rio, segue — como é de costume — trabalhando a todo vapor às vésperas do Carnaval. A menos de 20 dias da festa, as agremiações do Grupo Especial foram surpreendidas nesta quarta, 13, com uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público (MPRJ) que pede a interdição do espaço, conforme adiantou o Jornal O Globo. O pedido enviado pelos promotores à Justiça tem como base relatórios do Corpo de Bombeiros que apontam que o complexo carnavalesco não possui a estrutura necessária para controlar casos de incêndio e pânico.

Ministério Público do Rio pediu à Justiça que determine a interdição da Cidade do Samba por inadequação aos protocolos para combate de incêndio e pânico do Corpo de Bombeiros; pedido é urgente e estipula multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento — caso o Judiciário autorize | Foto: Arquivo

Ao Sambarazzo, dois dirigentes explicaram que há um pedido da corporação para que todos os armazéns de fantasias e alegorias sejam equiparados aos dos barracões 2, 3 e 4, onde estão instaladas, respectivamente, União da Ilha, Paraíso do Tuiuti e Grande Rio. Esses espaços pegaram fogo antes do Carnaval de 2011 (onde hoje está a Tuiuti, estava a Portela quando teve o incêndio) e, após terem sido reformados, dispõem de dispositivos mais modernos para casos assim.

Apesar da “desatualização” das outras 11 unidades da Cidade do Samba em relação a essas três, todos os entrevistados garantiram que seguem à risca os protocolos de segurança (com extintores e mangueiras funcionando, bem como brigadistas disponíveis o tempo todo — três para cada escola). A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) não foi encontrada para comentar o assunto.

Após o grande incêndio que atingiu três barracões da Cidade do Samba em 2011, esses espaços tiveram os mecanismos contra incêndio renovados, o que não aconteceu com as outras unidades. Versão é contada por presidentes do Grupo Especial | Foto: Reprodução/Ouro de Tolo

‘Já estamos ferrados’, lembra líder da São Clemente

Para o presidente da São Clemente, Renato Gomes (o Renatinho), uma interdição a esta altura dos trabalhos poderia ser fatal para a festa. No caso da agremiação da Zona Sul, todas as fantasias elaboradas pelo carnavalesco Jorge Silveira estão prontas. Mas ainda falta acabar os carros alegóricos.

— Já estamos ferrados. Sem dinheiro, sem nada. O carnaval é a maior festa do Brasil, cultural e todo mundo tá dando porrada. Não temos nem dinheiro pra isso, mas pagamos três brigadistas, como manda o figurino. Todo mundo tá cumprindo as ordens para se proteger — defende Renatinho, fazendo referência ao atraso na captação de recursos feita pela Liesa (somente na semana passada ficou acertado o patrocínio de R$ 1 milhão por agremiação, prometido pela Light).

Renatinho, da São Clemente, protesta contra a intenção de interditar a Cidade do Samba: ‘Já estamos ferrados’. Escola prepara reedição do enredo ‘E o samba sambou’, de 1990 | Foto: Rafael Arantes/Sanbarazzo

‘Acho que já estamos acostumados’, diz presidente do Império

Mandatária do Império Serrano, Vera Lúcia soube do pedido do MPRJ quando foi procurada pela reportagem. Ela estava num táxi, indo trabalhar no barracão da verde e branco, e lembrou que já houve uma inspeção por lá nesta terça, 12, feita por técnicos do Ministério do Trabalho — e tudo correu bem, segundo ela. Agora, a novidade fez com que ficasse apreensiva:

— É notório que todas as escolas ficariam sem acabar o Carnaval, não só o Império. Mas acho que já estamos acostumados: isso (as interdições) acontece sempre perto do Carnaval e atrapalha muito. Acho que deveriam procurar as escolas após os desfiles e, aí sim, conversar sobre o que pode ser feito — propõe Vera, em referência à interdição feita em 2017 pelos próprios profissionais da área trabalhista.

A presidente do Império, Vera Lúcia, acredita que novas adequações à política de combate a incêndios deveriam ser feitas apenas após o Carnaval. A agremiação de Madureira, na Zona Norte, vai cantar a canção ‘O que é, o que é’, de Gonzaguinha, na Avenida | Foto: Sambarazzo

‘Com interdição, não tem Carnaval’, rebate dirigente da Tijuca

Fernando Horta garante que todos no barracão da Unidos da Tijuca prezam pela “segurança máxima” no decorrer dos trabalhos e diz que tudo o que é necessário para combater um incêndio está funcionando. O presidente não entende, porém, como ficaria o desfile no caso de uma possível interdição.

— Se forem interditar, não tem Carnaval. Tá todo mundo correndo pra acabar! Sempre procuramos a segurança máxima no nosso barracão, temos tudo funcionando e contamos com os três brigadistas — diz Horta.

Fernando Horta, da Unidos da Tijuca, não vê possibilidade do Carnaval das escolas de samba acontecer se a Cidade do Samba for interditada. O enredo do povo do Morro do Borel, na Zona Norte, é o pão | Foto: Sambarazzo

Última ocorrência foi no barracão da Beija-Flor

Em agosto do ano passado, o alerta vermelho para problemas com produtos inflamáveis foi aceso no barracão da Beija-Flor. Um incêndio de pequeno porte começou em peças de madeira e chegou a queimar parte da fachada da sede artística da chamada “Deusa da Passarela”. Na ocasião, funcionários da vizinha Mocidade Independente de Padre Miguel ajudaram a apagar as chamas. Ninguém ficou ferido.

Funcionários de outras agremiações ajudaram a combater as chamas no barracão da Beija-Flor em agosto de 2018. Bombeiros chegaram depois | Fotos: Sambarazzo

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