Por Redação

Através de uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro, o Império Serrano, o próximo Carnaval levará ao Sambódromo uma das maiores novidades que já foram apresentadas na Marquês de Sapucaí em todos os tempos. A verde e branco da Serrinha terá como trilha sonora de seu desfile um clássico da MPB: “O que é, o que é?”, samba lançado em 1982, um dos grandes sucessos do cantor e compositor Luiz Gonzaga Junior, o Gonzaguinha, morto em 1991, em consequência de um acidente de carro no Paraná.

A ideia de transformar “O que é, o que é?” em samba-enredo já estava há muitos anos nos planos do carnavalesco Paulo Menezes, que está retornando à escola da Serrinha, onde assinou o desfile de 2006.

– Nem sei ao certo desde quando essa ideia está na minha cabeça. Mas desde sempre imaginei uma escola desfilando ao som desse samba, mas nunca aconteceu de ter a oportunidade de colocar em prática. Dias após ter sido contratado pelo Império Serrano, apresentei a proposta, a direção topou, e agora estamos, o Império Serrano e eu, dando início aos trabalhos para colocar mais um molho no Carnaval carioca – afirma o carnavalesco.

Menezes revela que, anos atrás, já havia conversado com Daniel Gonzaga, 43 anos, cantor, compositor, músico e filho mais velho de Gonzaguinha, sobre a possibilidade de transformar um dos sucessos do pai em samba para ser cantado na Avenida.

Paulo Menezes está de volta ao Império Serrano – Foto: Divulgação

– O Daniel é o responsável pelos direitos autorais da obra do Gonzaguinha. No nosso primeiro encontro, lá atrás, ele ficou meio assustado quando eu falei da minha ideia, porque jamais imaginou que isso pudesse ser viável. Mas, à medida que eu fui detalhando, ele aprovou e autorizou. Os anos se passaram e há algumas semanas voltei a entrar em contato com ele pra dizer que, finalmente, tinha chegado a hora e no Império Serrano. Ele ficou feliz e surpreso por eu não ter desistido do meu propósito.

O carnavalesco comenta a reação da diretoria da escola quando ele falou sobre levar para a Avenida “O que é, o que é?” .

– A primeira reação foi de muitos olhos arregalados, tipo assim: ‘O que ele tá falando?’. Depois, quando eu comecei a explicar o projeto, os olhos deles começaram a brilhar, e a diretoria se apaixonou e comprou a ideia. O passo seguinte foi consultar o Gilmar (mestre de bateria) pra saber se ele achava o samba adequado para o desfile. Ele, a princípio, também arregalou os olhos, expliquei, ele começou a cantar e batucar, e imediatamente começou a pensar nas bossas que poderá fazer na Avenida. O Leléu (intérprete que vai estrear no Império em 2019) também já testou o samba.

Paulo Menezes garante que está preparado para possíveis críticas, não só pelo ineditismo da ideia, mas pelo fato de que não haverá concurso de samba.

– Sei que uns vão gostar. Outros, não. Mas o discurso que mais se escuta ultimamente é que o Carnaval precisa de novas ideias, que precisa ser repensado. Então, nós estamos fazendo a nossa parte.

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