Por Redação

A decisão do prefeito Marcelo Crivella de cortar pela metade a subvenção municipal às escolas de samba tá deixando muito sambista apreensivo com relação aos destinos da festa. A Liesa decidiu suspender os desfiles, alegando a inviabilidade das apresentações na Avenida com a verba mais acanhada. Carnavalescos do Especial botaram em xeque a visão administrativa do político sob a argumentação de que o Carnaval gera quantias bilionárias em movimentação na economia, impostos e geração de empregos diretos e indiretos pra cidade. Agora foi a vez de Renato Lage, da Grande Rio, se posicionar sobre a polêmica.

‘Assustado’, como ele mesmo se definiu pela situação, Lage acredita que a subvenção poderia até ser maior para criação de carnavais ainda mais elaborados, embora aceite que a crise – que já dura mais de três anos – de fato impõe novas dificuldades.

– A gente fica apreensivo. Mas, enfim, não apoiaram ele? Isso que acontece assusta, imagina cada escola parar. Eu sou produto do meio. Temos outras fontes de recursos. Se tirar toda verba fica ruim, e essa coisa (a decisão de Crivella) resvala na nossa função, que é trabalhar pra fazer o espetáculo. Você imagina um Carnaval sem fantasia, sem alegoria? E a produção disso tudo não é barata, é cara. Pra fazer bonito, tem que ter recurso. Eu acho que deveria ter mais recursos do já tinha, não menos. É uma festa que todo mundo aguarda em termos turísticos. É claro que existe uma crise, que o Brasil atravessa, então normalmente tem que haver consciência pra fazer Carnaval. É difícil me aprofundar, porque desconheço os contratos. Mas a gente fica assustado – declarou Renato.

Renato Lage: ‘Pra fazer bonito, tem que ter recurso’ – Foto: Irapuã Jeferson/Fernando Grilli/Riotur

A decisão de Crivella gerou desdobramentos. Após o anúncio do provável corte de 50%, a Liesa declarou que o Carnaval 2018 ficou inviável e suspendeu os desfiles, até que haja um encontro com o mandatário da Cidade Maravilhosa. Um grupo de torcedores, da página Sambistas da Depressão, convocou um protesto a ser realizado neste sábado, a partir das 15h, em frente ao prédio da prefeitura no Centro do Rio.

Riotur e Secretária de Cultura reafirmam Crivella e apontam crise como vilã pela redução na verba

“A Riotur esclarece que o remanejamento de uma parte da verba destinada às escolas de samba do Grupo Especial não significa que o município deixará de apoiar os desfiles promovidos pelas agremiações. A medida foi tomada em virtude das limitações orçamentárias que já foram amplamente divulgadas pela imprensa desde o início do ano. A revisão de custos e a redução de gastos também foram adotadas em todos os órgãos e contratos da estrutura direta e indireta da administração municipal.

Diante da crise, deve-se priorizar o que é essencial e nesse momento aplicar recursos na educação e na alimentação das crianças nas creches é primordial.

A prefeitura e a Riotur reconhecem a importância da maior festa popular do mundo, que faz da cidade do Rio de Janeiro um dos principais destinos turísticos no período, gerando emprego e renda para a população. Por esse motivo, o Carnaval carioca continuará recebendo o incentivo e recursos do poder público municipal. O repasse da prefeitura para as escolas de samba para o Carnaval 2018 vai chegar a R$ 13 milhões de reais.

A Riotur já estuda o desenvolvimento de mecanismos para que sejam captados investimentos da iniciativa privada. O lançamento de um caderno de encargos, como já é feito para o desfile de blocos que fazem parte da programação do Carnaval de rua, está sendo avaliado.

É importante ressaltar que o repasse de recursos às escolas de samba não é único investimento da prefeitura para o desenvolvimento e realização do Carnaval. O município tem um gasto anual enorme com a manutenção da estrutura do Sambódromo. Em 2017, só para arcar com os custos da iluminação da Passarela do Samba nos dias de desfile, o município desembolsou R$ 655 mil. Além disso, efetivos dos mais diversos órgãos são mobilizados para garantir o sucesso da operação do evento.

Finalizando, não existe motivo para polêmica. O Carnaval do Rio está garantido. E vai continuar sendo o maior espetáculo do planeta.”

Nilcemar Nogueira, que é neta da lendária Dona Zica da Mangueira, é uma agente cultural de larga trajetória no samba. Ela criou o Centro Cultural Cartola, foi dirigente do Museu da Imagem e do Som e lutou para que o gênero samba fosse considerado patrimônio da humanidade, título concedido pela Unesco em 2007. Sobre a polêmica, ela defendeu a argumentação de Crivella sobre as dificuldades das finanças da prefeitura e propôs, a partir da redução de verbas, uma reinvenção para o Carnaval.

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