Evelyn Bastos já pensa em sucessora da comunidade: ‘Meu propósito’

Por João Paulo Saconi

Como numa monarquia tradicional, a rainha de bateria Evelyn Bastos quer manter a coroa de realeza dentro do reino do Morro da Mangueira. Pra não dar brecha a qualquer boba de outra corte se meter nos tronos reais do ‘Palácio do Samba’, a mulata, que está há apenas três anos à frente dos ritmistas da verde e rosa, já está pensando numa sucessora, que venha do projeto social da escola.

– Eu vim de projeto social, ganhei cesta básica quando pequena, então o que eu puder fazer e contribuir pra que isso tenha continuidade e pra que a minha sucessora seja uma menina que venha da Mangueira do Amanhã (projeto social da agremiação), que se dedique a isso… Eu vou fazer! Esse é meu propósito e a minha função como rainha de bateria – afirma Evelyn, que recentemente viu a irmã, Emelyn Bastos, ser eleita rainha da bateria na escola mirim da Mangueira. As duas são filhas de Valéria Bastos, que também já foi rainha de bateria da segunda maior campeã do Carnaval.

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Herança! Evelyn Bastos, rainha de bateria da Mangueira pelo quarto carnaval seguido, quer que substituta seja da comunidade. O cargo já foi ocupado por famosas como Gracyanne Barbosa e Preta Gil | Foto: Felipe Araújo

‘Rainha de bateria tem que estudar’, defende Evelyn

Além do talento mostrando no samba do pé, a rainha mangueirense faz questão de lembrar as meninas da comunidade da Mangueira sobre a importância do estudo. Prestes a se formar em Educação Física, Evelyn quer dar o exemplo para as aspirantes ao posto de estrela da “Tem que respeitar meu tamborim”:

– O presidente (Chiquinho da Mangueira) pede pra ver os boletins e é bem rígido nessa questão. As meninas da comunidade me têm como referência, então, tenho que ter muito cuidado com o que vou fazer e falar. Sempre peço para estudarem, porque uma rainha de bateria tem que estudar. Tem que se dedicar para saber falar, para saber chegar e não ser somente o samba. Onde eu posso, levo isso. Falo isso pra elas, subindo e descendo o morro, dentro da minha rotina.

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“Tem que estudar”, diz Evelyn sobre o posto de rainha de bateria, que ela ocupa na Mangueira desde o Carnaval 2013 | Foto: Felipe Araújo

Nem só a beleza – que Evelyn já provou ter de sobra em seu ensaio para o Sambarazzo – e nem só o samba no pé. Além das qualidades geralmente esperadas de uma rainha de bateria, a mangueirense ainda destaca que construir uma marca própria é algo que ela não abre mão.

– Pra ser rainha de bateria é primordial você ter uma identidade real, independentemente de você estar com roupa luxuosa, com pena, com pouca pena, descalça, de pé no chão… Mas ter uma identidade real e mostrar o amor que vem de dentro é o que te embeleza e te faz realmente uma rainha de bateria – finaliza.

Cheia de samba de pé, Evelyn Bastos vai, pelo quarto ano seguido, apresentar a bateria “Tem que respeitar meu tamborim”, comandada pelos mestres Rodrigo Explosão e Vitor Art, quando a Mangueira entrar na Avenida na Segunda-feira de Carnaval, pelo Grupo Especial, encerrando os desfiles da festa mais popular do Brasil com o enredo “Maria Bethânia – a menina dos olhos de Oyá”, desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira.