Por Redação

Centenas de pessoas foram às ruas na tarde deste sábado, 17, para manifestar descontentamento com a decisão do prefeito Marcelo Crivella de reduzir em 50% a subvenção das escolas do Grupo Especial e também dar menos verba às agremiações dos grupos de acesso.

Representantes de várias escolas, como Portela, Mangueira, Beija-Flor e Grande Rio, realizaram um “desfilaço” em direção ao Sambódromo, que teve concentração na entrada principal do prédio da prefeitura, no Centro do Rio.


– Só nos resta entender que o prefeito não largou o bispo. É uma questão religiosa. É uma busca por esvaziamento do Carnaval como um todo, isso falando de escola de samba. E vai chegar em outros segmentos do Carnaval, a tudo que tiver ligado ao que eles chamam de ‘festa do coisa ruim’ – esbravejou o carnavalesco da Beija-Flor, Cid Carvalho, que participou do ato promovido pela página “Sambistas da Depressão”.



Carnavalesco da São Clemente, Jorge Silveira também reservou o dia de folga para protestar e defendeu a causa citando a relevância social do considerado o evento mais popular do planeta.


– A gente espera o contrário, acreditamos que é o momento de se investir mais. As escolas do Especial têm um número enorme de profissionais. Mas a gente não deve esquecer que esse corte prejudica ainda mais as escolas do Acesso e as da Intendente Magalhães (no Campinho, onde desfilam as agremiações dos grupos B, C, D e E). É necessário que a prefeitura entenda que o Carnaval tem um papel social, cultural e econômico de base fundamental para a cidade. Não é hora de cortar, é hora de investir – reclamou o artista.

“Qualquer pessoa que tem caixinha de isopor sabe a importância da festa”

Coreógrafo da Beija-Flor, Marcelo Misailidis foi outro a participar do movimento em prol da manutenção da verba que a prefeitura dava às escolas – para 2017, cada uma do Especial recebeu R$ 2 milhões.


– É uma afronta ao patrimônio cultural da nossa cidade. Esse embate, essa discussão é importante pra esclarecer a população da importância da festa. É uma festa pra trazer recursos pra cidade. Qualquer pessoa que tem uma caixinha de isopor sabe a importância de uma festa. Não é uma festa que onera os cofres públicos, pelo contrário. Gera riqueza. Os eventos são fundamentais – argumentou.


Segundo a Riotur, o Carnaval deste ano arrecadou para o município cerca de R$ 3 bilhões e atraiu mais de 1 milhão de turistas. Apesar dos números expressivos, o órgão diz não ver motivos para polêmica e promete tentar mais recursos com a iniciativa privada.


Na última quarta-feira, 14, a Liga Independente das Escolas de Samba, a Liesa, suspendeu os desfiles de 2018. A entidade responsável pelos desfiles do Grupo Especial do Rio alega que o corte na verba inviabilizaria a produção do espetáculo.

*Fotos: Irapuã Jeferson/Sambarazzo

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