Deu a Elza… Soares! Cantora põe voz no samba da Mocidade pra 2019

Por Redação

Torcedora das mais apaixonadas pela Mocidade Independente de Padre Miguel, Elza Soares emprestou o vozeirão para gravar na semana passada a introdução do samba-enredo da escola para o CD oficial do Carnaval 2019. O momento em que a cantora de 88 anos interpretou a obra à capela, num estúdio em Copacabana, Zona Sul do Rio, foi registrado num vídeo — divulgado acima pelo Sambarazzo — por quem teve a honra de acompanhar.

A canção que ganha a assinatura vocal de Elza foi escrita pelos poetas Jefinho Rodrigues, Diego Nicolau, Marquinho Índio, Jonas Marques, Richard Valença, Roni Pit Stop, Orlando Ambrosio e Cabeça do Ajax. Com aclamação da comunidade, a obra foi escolhida no fim de setembro pela diretoria da escola para ser interpretada pelo cantor Wander Pires como o hino oficial que vai embalar o enredo “Eu sou o tempo. Tempo é vida”, desenvolvido pelo carnavalesco Alexandre Louzada.

Durante a gravação do samba da Mocidade, Elza Soares posou com o vice-presidente Rodrigo Pacheco e a vice-presidente social Cíntia Abreu, e também com o compositor Diego Nicolau, um dos autores da obra | Fotos e vídeos: Juliano Almeida

Pé no chão de Padre Miguel

Para além do laço afetivo com a verde e branco, Elza tem raízes no mesmo chão que a Mocidade. A artista nasceu na favela da Moça Bonita (onde hoje fica localizada a Vila Vintém) no bairro de Padre Miguel, Zona Oeste do Rio. Quando criança, a sambista tinha medo da folia e acompanhava tudo de dentro de casa, conforme contou à revista Veja Rio, ano passado.

Pelo pavilhão da chamada “estrela guia”, já desfilou como puxadora (em quatro carnavais da década de 1970) e como madrinha da bateria “Não existe mais quente” (em 2010). A “mulher do fim do mundo”, como ficou conhecida a partir do penúltimo álbum que lançou, é uma das principais intérpretes do samba-exaltação “Salve a Mocidade”, que enaltece mestre André, de quem foi bastante amiga.

Elza Soares nasceu no bairro em que a Mocidade está sediada desde a década de 1950 | Foto: Divulgação

Em nome da Mocidade, Elza chegou a interceder junto a Raimundo Padilha, governador do Rio entre 1971 e 1975, que não rebaixasse a agremiação para o Grupo de Acesso. No ano do episódio, da qual a independente já não se recorda, havia chovido muito durante o desfile da escola, motivo pelo qual ela insistiu em pedir pela permanência da agremiação no Grupo Especial (o Grupo 1, na época). É muito amor envolvido.

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