Por Redação

Duas paixões da vida de Fernando Horta, a Unidos da Tijuca e o Vasco da Gama sempre estiveram na rota de prioridades do dirigente. Mandachuva na escola de samba, o dirigente quis estender seus métodos de gestão para o clube cruzmaltino e anunciou candidatura à presidência em agosto deste ano. Nesta terça-feira, 7, no entanto, Horta se viu obrigado a se retirar da disputa, no meio da eleição, pela margem de votos acanhada diante dos outros dois concorrentes, o empresário Júlio Brant e o atual comandante Eurico Miranda.

Na boca de urna até as 16h, Horta aparecia com pouco mais de 200 votos declarados, ou cerca de 10% da preferência do eleitorado vascaíno, aproximadamente 1/3 das votações de Eurico e Brant, que desde as primeiras horas da manhã surgiram como favoritos dos associados do Vasco da Gama.

Por volta das 16h30, Horta aderiu à candidatura de Júlio Brant, também candidato de oposição. Mesmo tendo jogado a roalha, o nome do presidente da Tijuca continuou constando entre os presidenciáveis.

Quem anunciou a união foi Alexandre Campello, candidato a vice-presidente da chapa de Julio Brant, com Horta ao lado. Na sequência, os correligionários das duas candidaturas cantaram o tradicional cântico vascaíno "Casaca". Horta não cantou, mas falou.

– A era do Eurico acabou. Minha luta maior é pra não ter esse domínio da família Miranda aqui dentro do Vasco da Gama. Se juntando, a gente tem mais chances de ganhar as eleições. Nós temos que fazer uma mudança pelo Vasco – analisou em coletiva Fernando Horta, que não acompanhou a apuração no ginásio do Vasco da Gama, onde foi realizada a leitura das urnas com os votos, já na madrugada desta quarta-feira, 8.

Em agosto, ao Sambarazzo, Fernando Horta chegou a dizer que a pretensão de virar presidente do Vasco não impediria na atenção à Unidos da Tijuca, mas ele já projetava uma possível saída do comando tijucano.

– São duas paixões. A Unidos da Tijuca está perfeitamente organizada, tem seus profissionais, e a gente vai tentar conciliar. Temos eleições em abril na Tijuca, e lá tem pessoas capacitadas, e o Vasco lamentavelmente não tem. Mas a Tijuca pode ficar despreocupada que, mesmo que eu não seja presidente, vou apoiar. É uma coisa independente da outra – comentou Horta, admitindo na época a possibilidade de deixar o comando da Tijuca no ano que vem, em caso de vitória no pleito vascaíno.

Após muito equilíbrio na boca de urna da eleição, a leitura das urnas mostrou um cenário animador para o atual presidente Eurico Miranda, que venceu a eleição por 136 votos de vantagem em relação ao segundo colocado, com 46,5% das adesões válidas.

Vale lembrar que uma urna está sub júdice, numa queixa feita pelo próprio Fernando Horta, que questiona a legitimidade de associados inscritos a partir de novembro de 2015. Caso o tal montante de votos seja impugnado judicialmente, o resultado muda e quem vence é Brant, candidato apoiado pelo presidente da Tijuca.

Horta, mesmo com a desistência na hora H, ainda teve 432 votos, cerca de 10% do total. Se os votos recebidos por ele fossem para Júlio Brant, a eleição acabava de uma vez com a vitória do oponente, com ou sem urna impugnada.

 

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