Por Luiz Felippe Reis

O Carnaval 2017 teve que esperar até julho deste ano para conhecer todos os enredos que estarão na Avenida em fevereiro próximo. Enquanto o público apaixonado esfrega as mãos para saber quem vai chegar com força aos desfiles, as escolas e, especialmente, os carnavalescos começam a tocar os trabalhos para o desenvolver dos temas, que se apresentam com leituras bem distintas entre si.

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Diversidade! Vários tipos de temas aguardam o Carnaval 2017 – Foto: Fernando Grilli/Riotur

Última campeã da festa, a Mangueira deixou a linha de homenagear uma personalidade no passado inesquecível do Carnaval 2016 e buscou um enredo com um viés popular, buscando levar pra Sapucaí a relação íntima do povo brasileiro com as imagens religiosas; Salgueiro e Beija-Flor se inspiraram na literatura para o desenvolver de suas histórias; Tijuca e Vila Isabel vão soltar o som e buscar as origens da música, sendo que a escola do Borel foca mais na musicalidade norte-americana.

A Portela se propõe a um mergulho nas águas doces do mundo, num tema cheio de história, que também é amplamente abordada na São Clemente com o seu “Onisuáquimalipanse”, que vai mostrar as ambientações para a construção do Palácio de Versalhes. E ainda tem a Tuiuti com uma reverência ao movimento tropicalista, marcante durante os anos 1960 no Brasil.

A Imperatriz quer defender e exaltar os índios; a Grande Rio é Ivete Sangalo; a Mocidade vai mostrar as belezas e a rica cultura de Marrocos, país do extremo noroeste africano; e a Ilha vai com um enredo afro.

Domingo

Enredo “superbacana” na Tuiuti

O movimento Tropicalista influenciou a geração nos idos de 1960, embalada por artistas de diversas vertentes, incluindo a música, a poesia e as artes plásticas. Pegando um gancho no Movimento Modernista, do manifesto antropofágico, o carnavalesco Jack Vasconcelos desenvolve o “Carnavaleidoscópio tropifágico”, numa visão romântica, crítica, mas sem perder o bom-humor e altamente carnavalizada daquele período histórico brasileiro.

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O Domingo de Carnaval vai ser dia de Ivete para a Grande Rio

Uma das divas contemporâneas da música popular brasileira, a baiana Ivete Sangalo é a grande homenageada da Grande Rio, através do enredo “Ivete do rio ao Rio”, do carnavalesco Fábio Ricardo. O tema quer, além de levantar a poeira e fazer rolar a festa na Sapucaí, mostrar a história artística e de vida da cantora, passando pela origem familiar da famosa até o desabrochar de uma das artistas mais veneradas do país.

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Foto: Irapuã Jeferson

 

Visão social não escapa aos olhos da Imperatriz em homenagem aos índios do Xingu

Pra exaltar a cultura, a história, os legados e a riqueza indígena, a Imperatriz Leopoldinense não pretende escapar as questões sobre os direitos desse povo tão presente na história de fundação do país. “Xingu – O clamor que vem da floresta”, de Cahê Rodrigues, além de reverenciar os índios e homenagear os 50 anos do Parque Indígena do Xingu, quer também servir de proteção e deixar a mensagem da importância da preservação das áreas dos povos do Xingu.

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Foto: Leandro Ribeiro

 

Origem africana dos ritmos na Vila

Última escola a divulgar enredo para o Carnaval 2017, a Vila Isabel se propõe a um desbravar histórico sobre a origem africana dos estilos musicais pelo continente americano. “O som da cor” é um enredo autoral do carnavalesco Alex de Souza, que vai para o segundo ano seguido na azul e branco de Noel.

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A inspiração literária do Salgueiro

Adaptado da obra literária do italiano Dante Alighieri, “A divina comédia” o enredo “A divina comédia do Carnaval”, que é desenvolvido pelos carnavalescos Renato e Márcia Lage, pretende levar a “Academia” ao décimo título da galeria. Escrita no Século XIV,  o poema narrativo mostra uma trajetória pelo Inferno, Purgatório e Paraíso, como uma trilogia, descrevendo cada etapa da viagem. Ao final, numa espécie de paraíso do samba, a vermelho e branco oferece o desfile a três dos maiores carnavalescos da história: Fernando Pamplona, Joãosinho Trinta e Arlindo Rodrigues.

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Beija-Flor apaixonada pela virgem dos lábios de mel

“Iracema – A virgem dos lábios de mel”, desenvolvido pela comissão de carnaval da Beija-Flor, quer emocionar o público da Avenida e fechar com muito amor o Domingo da festa mais popular do Brasil. Baseada no romance “Iracema – a lenda do Ceará”, escrito por José de Alencar, uma das pérolas da literatura brasileira, a azul e branco desbrava a história de amor entre a personagem principal da trama com o navegador português Martim, que, juntos, dão origem a Moacir, o primeiro cearense miscigenado.

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Segunda-feira

União da Ilha é afro

Fazia um bom tempo que a Ilha não se reencontrava com uma narrativa toda ela baseada na estética afro. E não teve como adiar. A pedido da comunidade, esse tipo de enredo foi o eleito pelo presidente Ney Filardi, e “Nzara Ndembu – Glória ao senhor do tempo” será desenvolvido pelo carnavalesco Severo Luzardo. O tema promete levar para Avenida uma mensagem poética sobre a relação da humanidade com o tempo.

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Especialidade de Rosa Magalhães na São Clemente

“Onisuáquimalipanse” é o enredo desenvolvido pela carnavalesca campeoníssima Rosa Magalhães para a São Clemente. A narrativa com viés histórico lembra, e muito, o tipo de tema que mais consagrou a artista durante a década de 1990 em seus diversos títulos com a Imperatriz. A criação do Palácio de Versalhes num ambiente da França do Século XVII devem dar uma linha mais requintada no carnaval da escola de Botafogo.

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Mocidade pra lá de Marrakech

Para fazer a Mocidade retornar ao protagonismo do passado, a dupla de carnavalescos formada por Alexandre Louzada e Edson Pereira prepara um enredo sobre Marrocos, país do extremo noroeste da África. “As mil e uma noites de uma Mocidade pra lá de Marrakech” vai exaltar a cultura marroquina, capaz de dar cores e variados elementos à confecção de desfile da verde e branco.

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Foto: Reprodução/internet

 

Direto dos Estados Unidos, Unidos da Tijuca solta o som

Com um estilo todo moldado na comunicação fácil com o público, a Tijuca lança um enredo pra lá de popular e que vai mexer com os fãs de várias partes do mundo. “Música na alma, inspiração de uma nação”, desenvolvido pela comissão de carnaval, formada por Mauro Quintaes, Annik Salmon, Marcus Paulo e Hélcio Paim, parte de um encontro acontecido em 1957 entre Louis Armstrong e Pixinguinha para unir Brasil e Estados Unidos, levando pra Avenida um pouco da história dos ritmos mais consagrados em terras americanas com homenagens especiais a alguns ídolos dos “States”.

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O rio que passou na vida da Portela

A Portela se propõe a um mergulho nas águas doces do mundo, fazendo menção, claro, à música composta por Paulinho da Viola, um dos grandes artistas portelenses. Desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros, “Foi um rio que passou em minha vida e meu coração se deixou levar” vai falar sobre aspectos culturais, religiosos e costumes de alguns rios do planeta.

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Com a ajuda do santo, Mangueira espera o bi

A busca pelo bicampeonato mangueirense vem acompanhada de um enredo ‘popular’, como define o carnavalesco Leandro Vieira, que desenvolve “Só com a ajuda do santo”, que revela um pouco da relação bem íntima do povo brasileiro com o sacro, de como as pessoas comuns lidam com as imagens religiosas, num desfile que promete tirar um retrato três por quatro da devoção brasileira.

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Foto: Michele Iassanori