Enrolou a bandeira! Fundador morre e escola de samba resolve parar de desfilar

Por Ângelo Mathias

Integrantes de uma escola de samba de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, estão passando pela mais triste temporada pré-carnavalesca. É que o fundador da Embaixadores do Ritmo, Adolfo Giró, morreu na última sexta-feira, 25, e a família dele decidiu enrolar a bandeira da agremiação.

Após dar o último adeus a Seu Adolfo, agora a comunidade da escola se prepara para se despedir de vez dos tradicionais desfiles do Complexo Cultural Porto Seco, na capital gaúcha. No dia 11 do mês que vem, seria comemorado o aniversário de 69 anos da instituição.

A decisão de encerrar os trabalhos da Embaixadores do Ritmo foi de Gustavo Giró, o Girózinho, filho de Adolfo. Ele contou ao portal GaúchaZH que havia prometido ao pai que tomaria essa atitude quando ele morresse.

Adolfo Giró, fundador da Embaixadores do Ritmo, do Rio Grande do Sul, morreu e deixou a escola de samba como legado. A família dele, porém, pretende encerrar os trabalhos junto à comunidade | Foto: André Gomes/Liespa

“A escola era dele, não poderia ser de outro”, explica filho

O motivo, segundo o herdeiro, seria a ligação de Adolfo com a escola. Além de fundador (desde 1950), ele foi presidente por 61 anos e também atuou como carnavalesco na agremiação. Em 2011, foi nomeado presidente de honra.

— Fiz uma promessa ao meu pai em 2000. Enquanto ele estivesse vivo, a Embaixadores existiria. No dia em que ele morresse, a escola fecharia. Entendo que a escola era dele e não poderia ser de outro. Ele vai embora e a escola também — afirmou Girózinho.

Presidentes e torcedores não querem fim da escola

Presidentes das outras agremiações de Porto Alegre e a própria Liga Independente das Escolas de Samba da cidade fizeram um apelo para que o filho de Giró repense a decisão.

O líder da Imperadores do Samba, Érico Leoti, pediu que ele não enrolasse a bandeira e acrescentou que, apesar de desejar o contrário, entende a posição da família dada a importância do ex-mandatário para a Embaixadores do Ritmo e também em virtude da situação financeira delicada do Carnaval de Porto Alegre.

Os ursos polares eram o símbolo da Embaixadores do Ritmo, que deve deixar de desfilar aos 69 anos de história | Foto: Fátima Oliveira/Liespa

Prefeitura de Porto Alegre não ajuda escolas

Assim como no Rio de Janeiro, desde a eleição municipal de 2016, o apoio municipal à festa não tem sido mais o mesmo. Para o Carnaval de 2018, por exemplo, o prefeito Nelson Marchezan (PSDB-RS) decidiu não fazer nenhum repasse de verba para as escolas. Este ano, a situação está se repetindo.

Nas redes sociais, também houve pedidos para que a Embaixadores siga firme e forte.

— Tomara que seja temporária esta decisão. Uma das escolas de samba mais antigas e tradicionais do nosso Carnaval não pode ficar de fora da cultura popular — lamentou um internauta.