Falsianes! Mais de 100 credenciais fakes são apreendidas no Sambódromo

Por Mônica Puga

Rolou um cara-crachá intenso nos acessos às dependências do Sambódromo nesta segunda-feira, 4, quando acontecia o segundo e último dia de desfiles do Grupo Especial do Rio.

Seguranças da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) recolheram ao menos 100 credenciais falsas, a maior parte delas em cópias mal feitas, segundo um dos responsáveis pelo controle há três carnavais.

— Só eu apreendi mais de 30 hoje. Tem muitas que são grosseiras, então é fácil perceber. Mas as que são bem feitas dão mais trabalho. É preciso checar o número da empresa, o CPF, o número de série, pra ver se são oficiais — detalhou o agente, que preferiu não se identificar.

Expulsa! Mulher que foi pega com a credencial falsa da foto foi expulsa da pista por seguranças – Imagem: Sambarazzo

Voz da Sapucaí, Jorge Perlingeiro culpa tecnologia e sucesso da festa

Locutor oficial dos desfiles e da apuração da Quarta-Feira de Cinzas, Jorge Perlingeiro acha que a expressiva quantidade de falsificações se deve à popularidade do evento e à facilidade na reprodução:

— Acho que a qualidade do espetáculo é muito boa e o Carnaval é o único evento no mundo que não existe a palavra convite. Ou você tem ingresso pago ou tem credencial. Então, credencial passa a ser a moeda de troca. O cara prefere ter uma credencial pra ele circular do que um convite que ele compra que tem que gastar pra ficar num local fixo. No passado, se criou um comércio e a gente tentou acabar com isso. Embora seja um número exagerado de credenciais válidas, quase 25 mil, tem que analisar que a Globo (emissora responsável pela transmissão) tem 1000, os seguranças são 1500, os vendedores ambulantes 4000, enfim, é muita gente credenciada. Órgãos públicos, a parte de limpeza… Hoje a modernidade das máquinas copiadoras é muito grande, scanners… mas não é tão boa qualidade, não é um material tão perfeito que possa passar despercebido — afirmou.

Com as milhares de credenciais distribuídas, o apresentador reconhece que não é tarefa fácil verificar cada uma durante a festa na Avenida:

— Colocamos holograma e é uma coisa incorruptível. Mas é igual Lei Seca. Pra averiguar, não param todos os carros.

Jorge Perlingeiro – Foto: Sambarazzo

Credenciais falsas custam a partir de R$ 1500

O mercado negro dos passes livres à Marquês de Sapucaí trabalha com altas cifras. A comercialização ilegal – e que não oferece qualquer garantia -, além de perigosa custa caro: a partir de R$ 1500.

Perlingeiro, veterano quando o assunto é Passarela do Samba, poderia ter a credencial na cor que quisesse (há diferentes modalidades do crachá, delimitando as áreas de acesso conferidas ao portador do cobiçado documento). No entanto, ele não tem nenhuma.

— Acho que sou o único que não usa credencial. Mas não é porque eu sou diferente, não. Quem não me conhecer aqui na Sapucaí não conhece mais ninguém. Eu tô aqui há 35 anos. É que me incomoda, ela (a cordinha para pendurar) rola no meu pescoço às vezes, e eu corro muito, pra cima e pra baixo — confessou.

“A qualidade do espetáculo é muito boa e o Carnaval é o único evento no mundo que não existe a palavra convite”, argumenta Perlingeiro – Foto: Riotur

Apesar da segurança do Sambódromo ter ficado atenta aos picaretas, o controle rigoroso só não foi aplicado a um trio que roubou a cena na Sapucaí: Neymar, Anitta e Gabriel Medina, que chegaram a circular livremente escoltados pela equipe de controle.

Vídeo! Presidente da Liesa participou da operação para confiscar credenciais falsas