Por Luiz Felippe Reis e Kaio Sagaz

“A taça do mundo é nossa” é a canção-símbolo da conquista da Copa do Mundo de 1958 da seleção brasileira de futebol. Mas a Mocidade bem que poderia pegar emprestada a música pra festejar o que rolou na madrugada do último domingo, 15. Com seu “esquadrão de ouro, bom no samba e bom no couro”, a verde e branco conseguiu, depois de muita luta nos bastidores, o título do Carnaval 2017 em divisão com a Portela. A entrega do troféu foi em plena final no palco do “Maracanã do Samba”, a quadra da escola na Zona Oeste do Rio.

Vice-presidente da Mocidade, Rodrigo Pacheco confessou que a chegada do símbolo maior da conquista apenas em outubro foi intencional, tudo para combinar perfeitamente com o clima de festa da final de samba-enredo. Após três anos de administração da nova diretoria, o título chegou mais rápido do que o imaginado:

– Combinamos de maneira proposital, neste dia de festa, para que fosse realizada a entrega oficial do troféu de campeã do Carnaval 2017. A campeã voltou. Isso representa muito, simboliza o resultado que alcançamos. Sempre acreditei num resgate a médio e longo prazo e confesso que chegou antes do que eu planejava. Isso acordou o público, os segmentos e a comunidade. E podem esperar a Mocidade forte em 2018, brigando pelo título, porque nós vamos brigar.

A cúpula da Liesa – Liga Independente das Escolas de Samba, que rege os desfiles do Grupo Especial -, representada pelo presidente Jorge Castanheira e pelo diretor de carnaval da liga, Elmo José dos Santos, esteve no palco e entregou o troféu de campeã.

Lembre o caso

Mocidade perdeu título na Quarta-feira de Cinzas por falha de jurado

As revelações das justificativas dos jurados, no dia 20 de março, escancararam que a perda da vitória pela Mocidade por um décimo foi ocasionada por uma falha do julgador Valmir Aleixo do quesito Enredo, último item a ser lido na apuração da Quarta-feira de Cinzas.

Na justificativa, Valmir cobrou um destaque de chão, que não constava no Abre-alas, que é o roteiro oficial entregue aos jurados – constava apenas num roteiro prévio, que acabou sendo usado pelo julgador de forma errada. Se o avaliador não tivesse tirado o décimo, Mocidade e Portela teriam empatado, mas o título seria da verde e branco no desempate dentro do quesito Comissão de Frente.

No documento que o jurado tinha em mãos, Camila Silva, rainha de bateria, estava prevista pra desfilar como destaque à frente de um determinado carro alegórico. Ela mudou de posição, algo informado no abre-alas.

Torcedores da Mocidade fazem manifestação na porta da Liesa

Integrantes – cerca de 15 pessoas – da torcida organizada “Independentes Mocidade” se reuniram em frente à sede da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) no dia 22 de março, no Centro do Rio, para reivindicar o primeiro lugar: – Queremos o título da Mocidade, foi um erro grosseiro, chegou a hora de moralizar o Carnaval – afirmou o presidente da torcida, Leonardo Novais.

Mocidade recorre à Liesa

Mocidade Independente de Padre Miguel convocou uma coletiva de imprensa, no dia 23 de março, para anunciar as medidas que pretendia tomar. A escola entrou com um recurso administrativo para requerer o título, em divisão com a Portela.

– A Mocidade cumpriu tudo que determina o regulamento e as datas para envio de erratas da Liesa. A Mocidade não pode ser prejudicada. A Mocidade quer o título do Grupo Especial – falou, na época, o diretor de carnaval Marquinho Marino.

7×1 na plenária

Em reunião entre as escolas de samba ficou definido que a Mocidade era mesmo campeã ao lado da Portela do Carnaval 2017, no dia 6 de abril. A votação foi bem expressiva. Dos treze dirigentes que votaram, seis (Mangueira, Vila Isabel, Grande Rio, São Clemente, União da Ilha e Tuiuti), além da própria escola, deram uma força para a verde e branco, apenas a Portela votou contra. Salgueiro, Beija-Flor, Imperatriz, Unidos da Tijuca e Império Serrano preferiram a abstenção.

Luís Cláudio Ribeiro, Rogério de Andrade, Rodrigo Pacheco, Marquinho Marino e Valéria Stelet na plenária da Liesa, logo após a vitória da Mocidade nos bastidores – Foto: Irapuã Jeferson

Aos 32 anos, Pacheco passou a integrar a direção da Mocidade Independente de Padre Miguel no início de 2014, como porta-voz da presidência, após a queda de Paulo Vianna, antigo presidente. No ano seguinte, venceu as eleições na chapa com Wandyr Trindade, o Vô Macumba, sendo eleito vice-presidente, com o apoio do patrono Rogério de Andrade.

Logo na primeira temporada, 2014, uma recuperação incrível no barracão fez possível um desfile digno, que deu o 9° lugar à Mocidade. No ano seguinte, a verde e branco investiu pesado no carnavalesco Paulo Barros, o artista mais bem pago da festa, e o 7° lugar frustrou os planos de voltar ao grupo que desfila no Sábado das Campeãs. Em 2016 mais um projeto grandioso não vingou, e a escola sofreu pelo 10° posto.

Em 2017, quando menos se falava das chances da Mocidade, a glória. Dois jejuns quebrados: 13 anos sem aparecer no Desfile das Campeãs e 20 anos sem gritar “É campeã”.

– O Carnaval como um todo tá num projeto de renovação, é necessário repaginar. Ainda tem muita coisa pra evoluir. É gratificante conquistar um campeonato com tão pouca idade, mas é trabalho, a gente precisa trabalhar pra continuar conquistando – encerrou Rodrigo.

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