Por Redação

Numa mesa de bar, numa sala de aula ou num velório: aquilo que Zeca Pagodinho diz pode cair bem em qualquer uma dessas situações, e em várias outras. Além de colecionar músicas de sucesso, ele também é autor de ótimas tiradas irreverentes, capazes de animar qualquer tipo de evento.

Não à toa, Jessé Gomes da Silva Filho, o Zeca Pagodinho, já protagonizou momentos memoráveis em seus 59 anos anos de história: brindou com o público incontáveis vezes durante os shows com aquela inseparável gelada — inclusive levou cerveja pra entregar ao presidente da República no Palácio do Planalto, em Brasília — e ainda protagonizou um inesquecível resgate ao socorrer as vítimas de uma enchente em Xerém, na Baixada Fluminense, em 2013.

Jessé Gomes da Silva Filho é o Zeca Pagodinho, autor das 40 frases reunidas neste “Abre aspas” | Foto: Isac Luz/Site EGO

No legado do boêmio inveterado, há reflexões de gente bêbada e de gente sóbria, e muitas poderiam ser creditadas a alguns filósofos de outros carnavais. Felizmente, as palavras são de um brasileiro nato, que demonstra não ter se iludido com a fama e segue circulando entre os becos e vielas da chamada “Cidade Maravilhosa”, de onde parece não pretender arredar o pé.

Para reunir toda a “filosofia de botequim” de Zeca Pagodinho, o Sambarazzo buscou, nas entrevistas que o artista concedeu, algumas pérolas do cantor e compositor. O resultado poderia virar um livro de cabeceira para o povo do samba, que adora uma piada e, claro, é fã do poeta de “Deixa a vida me levar”.

CONFIRA AS 40 MELHORES FRASES DE ZECA PAGODINHO!

1) “A minha vida não tem muita fórmula, minha vida vai acontecendo. A gente tem vontade de fazer as coisas e faz. Fazer é simples, porque a gente é simples”.

2) “Lá poderia não ter”. (Sobre a caixa de cervejas que levou ao Planalto numa visita ao ex-presidente Lula).

3) “O que eu fiz, faria em qualquer outro lugar”. (Sobre o episódio em que ajudou os vizinhos a se salvarem de uma enchente em Xerém).

4) “Não escuto samba ruim. Só escuto samba bom. Todos os que eu escuto são bons”.

5) “Agora, se eu subir uma ladeira, meu amigo… tem que armar um barraco pra eu dormir lá em cima! E também já não tem mais barraco. Já não tem mais tendinha. Vou fazer um morro pra mim, do meu jeito. Eu ia fazer e não deixaram, lá em Xerém”.

6) “O samba é eterno. Pode até mudar, mas ainda é o samba”.

7) “Eu sou portelense, mas amo todas as escolas. Jamais poderia ser jurado. Ia dar 10 para todo mundo.”

8) “Não adianta botar 10 banheiros para 200 mil pessoas. Não dá. E na hora de mijar nego não pensa em… Na hora que der vontade… Eu mesmo sou um! Tenho incontinência urinária. Tomo remédio. Se puder, eu vou mijar andando mesmo. Não quero saber, não, fazer o quê?”. (Sobre o xixi na rua em meio aos blocos de Carnaval).

9) “Pode ser andando, pode ser bebendo, pode ser dentro do avião. Compor é em qualquer lugar”.

10) “Me dou muito bem com ela. Não tenho problema nenhum. Nos encontramos sempre e batemos um papo.” (Sobre a relação com a bebida).

11) “Eu sou um cara querido e todo mundo sabe que sou verdadeiro. Comigo não tem caô”.

12) “Acho muito chato aquele povo que corre pra lá, corre pra cá. Não, deixa eu ficar na rua. Noventa minutos é uma eternidade. Eu faço tanta coisa em 90 minutos”. (Sobre futebol).

13) “Eu gosto de festa, meu negócio é festa. Nao quero tomar partido com nada. Quero saber de felicidade, de comemorar. É disso que eu quero saber”. (Sobre ter opinião pra tudo).

14) “Não tenho paciência. Teatro? Pô…Só se for cinema que tiver bebida! Aí, eu fico. Mas ficar parado olhando, não dá. Se tiver uma mesinha pra comer um pastelzinho, uma cervejinha, aí eu assisto qualquer coisa.”

15) “Eu sempre falo algum palavrão”.

16) “Também sou fã dele. Gosto dele. Gosto de gente decente. Cara botou para moer mesmo. Saúde, seu Joaquim”. (Sobre a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa no processo do mensalão).

17) “Na minha casa não tem esse negócio. Vai todo mundo, todo mundo se respeita”.

18) “Sou criado em terreiro. Médico de pobre é pai de santo. No último caso é que se vai ao médico. O psicólogo era o centro, o chinelo e uma boa macumba”.

19) “Quando você tem mais poder de grana, a religião fica um pouco de lado. Quanto mais rico, mais descrente. Me desculpe, mas eu vejo por este lado. Se eu tivesse morando em Xerém, meus filhos estariam indo à igreja, ao terreiro, a um culto”.

20) “Tenho medo de fantasma. Outro dia um amigo disse: ‘Vem cá, você é criado no espiritismo, como assim tem medo de fantasma?’. É uma boa pergunta. Ele disse: ‘Você já viu algum fantasma?’. Se eu tivesse visto, não estaria aqui para contar. Seria um deles agora”.

21) “Eu não queria acreditar é na morte. Esse é que é o problema. Acho que Deus é bom, porque pra me tirar de um mundão desse, com cerveja gelada e mulheres bonitas pra lá e pra cá, vai me tirar daqui pra onde? Pra ficar no céu, com duas asinhas, pra cá e pra lá? Não vai ficar muito bem, cara. Neste caso, eu prefiro até descer”.

22) “Peco pra caramba. Mas peco contra mim, não é contra os outros, não. Pros outros, eu sou muito bom. Eu sou ruim pra mim. Não acredito que o inferno seja tão ruim assim, não. Um inferninho, às vezes, é legal”.

23) “Acho que o mais fácil na vida é rezar e beber uma cervejinha. Quando não tô bebendo, eu tô rezando, e às vezes faço as duas coisas ao mesmo tempo”.

24) “A minha música leva alegria, sem dúvida, mas eu… Eu só queria ouvir a minha música tocar no rádio e passar na rua e ouvir dizer: ‘Pô, olha lá, aquele cara é o autor daquela música'”.

25) “A minha vontade era entrar num estúdio e colocar aquele fone. Quando eu coloquei aquele fone… Porra, aí eu falei: ‘Agora eu sou um artista'”.

26) “Houve uma época em que Xerém foi ficando chato pra mim. Um cara indo de Romaria. Só faltava parar avião em Xerém. Não, parou duas vezes… O Lula foi lá de helicóptero, e a Angélica foi lá de helicóptero.”

27) “O sucesso é muito bom, mas, para mim, que sou criado no mundão, pra lá e pra cá… Gosto da liberdade, ser vigiado é muito chato.”

28) “Minha mulher nunca me perguntou de onde eu vim, e acho que ela nem quer saber também. É cada buraco que ela prefere nem escutar. Eu digo: ‘A casa é sua, a rua é minha'”.

29) “Na rua, eu sou verme igual a outro qualquer. Gosto de conversar. Vou num botequim, tem um cara bebendo e eu digo: ‘Dá uma cerveja aí’.”

30) “Hoje, o dinheiro que eu ganho a minha família aproveita. Por que onde eu posso ir? No samba? Não posso. No Tivolli Parque? Nem pensar.”

31) “Nunca gostei de escola de samba, de participar, de fazer samba-enredo. Até ia, mas ficava do lado de fora, nas barraquinhas. Na Portela, ficava na casa do Djalma. Uma vez eu e o Arlindo resolvemos entrar e o samba acabou (…) Pelo que eu conhecia de escolas, que meus tios contavam e levavam a gente pra Avenida, quando passava a Portela era aquela coisa, e hoje é completamente diferente”. (Sobre as disputas de sambas-enredo).

32) “O pobre não vê mais o Carnaval”. (Sobre a internacionalização da festa).

33) “Dá muito trabalho. Todo mundo se mete. Aí, vem um cara que faz roupa, o figurino, e fala pra botar… Você sabe fazer samba? (…) Esse é o dinheirinho que o compositor da escola ganha, a gente já ganha dinheiro com samba o ano todo”. (Sobre o motivo de não participar dos concursos de samba-enredo).

34) “Quem pode ajuda e quem não pode é ajudado. O mundo é feito assim”.

35) “O palco é uma coisa e a rua é outra. Gosto de colocar meu chinelo e ir pra favelinha… Agora é comunidade. Vou lá tomar chope, fico ali até de manhã. A gente vai vivendo a vida assim. Quando tenho que ir pro estúdio, aí eu viro o Zeca Pagodinho”.

36) “Por isso parei de caminhar: porque a cada 100 metros, tem uma barraca e eu tenho que tomar uma. Na ida até dá, mas na volta tenho que tomar uma”.

37) “O que me incomoda muito é ver essas crianças no sinal. Vou levar meu neto na escola e vejo uma criança do tamanho dele, que podia ser atropelada. O que posso fazer é parar e dar uma ajuda.”

38) “Velório da minha família é o melhor que tem. A gente bebe de tudo. No do meu pai, foram 10 caixas de cerveja, salgadinho, jogo de ronda, tudo”.

39) “Eu ia pra casa com um saco de calcinha e sutiã em todo show. Aí dava pras empregadas, pras vizinhas… Até hoje, não consigo entender o que é isso. Não me vejo assim. Não me toquei que sou o Zeca Pagodinho”. (Sobre o assédio das fãs).

40) “Onde eu moro, tem umas meninas da noite, que ficam na minha porta. Infelizmente, né? Ou felizmente, pra mim tá tudo certo. São minhas amigas. Passo, dou um dinheiro pra elas e vamos beber”. (Sobre as prostitutas que trabalham perto da casa onde mora).

Frases:

De 1 a 16 — Entrevista para a Folha de São Paulo.

De 17 a 30 — Entrevista para o quadro “O que vi da vida”, do “Fantástico”.

De 31 a 37 — Entrevista para o “Na Lata”, com Antônia Fontenelle.

De 38 a 39 — Entrevista para o “Canal Leda Nagle”.

Frase 40 —Entrevista para a revista Veja no Youtube.

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