Jogo rápido! Coreógrafa do Império criou comissão de frente em uma semana: ‘Elenco me acompanha há um tempo’

Por Redação

Uma das poucas informações sobre os bastidores das comissões de frente que não costuma ser mantida em segredo é o tempo (geralmente muito longo) que elas demoram para ser desenvolvidas e ensaiadas. Não à toa, o primeiro quesito a entrar na Marquês de Sapucaí é também uma preocupação prioritária das escolas de samba, dos carnavalescos e, claro, dos coreógrafos.

No desfile do Império Serrano deste ano, porém, o público vai assistir uma apresentação elaborada num período muito curto, de apenas sete dias. Quem revela o detalhe ao Sambarazzo é Claudia Mota, primeira bailarina do Theatro Municipal, que reassumiu o comando do segmento na agremiação – por onde já havia passado há dois anos.

O ritmo acelerado para o trabalho não é sinal de corrida contra os prazos, já que o Império foi o primeiro a definir o samba-enredo de 2019 (uma adaptação da canção “O que é, o que é?”, de Gonzaguinha), ainda em abril do ano passado, pelo menos cinco meses antes das coirmãs. O enredo proposto pelo carnavalesco Paulo Menezes é sobre as diferentes visões da vida. Outro ponto que favoreceu a agilidade no processo de trabalho de Claudia foi o entrosamento com o elenco, com quem já trabalha há cinco temporadas.

— Eu amei. Fiquei muito emocionada quando soube que desfilaríamos ao som desta música, até chorei. Ela é muito familiar pra todo mundo e tem tudo a ver com que o Império está preparando. A escolha antecipada acelerou tudo. Eu mesma fiz a coreografia em uma semana, e o meu elenco já me acompanha há um tempo, é profissional e pegou tudo muito rápido. Tem sido uma preparação tranquila — conta a profissional.

Mesmo mais adiantada que os outros colegas da área (incluindo a própria irmã, Priscila Mota, que é coreógrafa da Mangueira e só soube com qual samba trabalharia em outubro), Claudia não diminuiu a quantidade de ensaios e segue trabalhando diariamente no barracão, entre 18h e 2h da manhã. Às vezes, o treino acontece de madrugada, na própria Passarela do Samba.

“Eu só sei que confio na moça, e na moça eu ponho a força da fé (…)”! É em Claudia Mota, primeira bailarina do Municiapal, que o Império Serrano deposita as fichas esperando as notas 10 no quesito comissão de frente | Foto: Reprodução/Instagram/@edifrancsabtm

Segredo revelado: cor não tem gênero

Com a coreografia pronta há tanto tempo, o período que antecede o grande dia é a ideal para deixar o público com “gostinho de quero mais”. No último domingo, 13, por exemplo, o colunista Ancelmo Gois, do Jornal O Globo, divulgou um detalhe sutil (e bastante polêmico) sobre algumas das fantasias que os bailarinos vão vestir.

Representando o universo das crianças, um menino estará com uma roupa rosa, e uma menina de azul. Coincidência ou não, a ministra dos Direitos Humanos Damares Alves havia prometido que somente o contrário seria visto no país durante sua gestão e a do presidente Jair Bolsonaro, chamada por ela de “nova era no Brasil”.

A Ministra dos Direitos Humanos Damares Alves declarou semana passada que, no novo governo do país, meninos vestem azul e meninas vestem rosa. A comissão de frente do Império Serrano irá na contramão da afirmação dela | Foto: Reprodução/Youtube

Jornada dupla com mestre-sala e porta-bandeira

A dedicação intensa de Claudia ao trabalho – são praticamente 40 horas semanais nas dependências da escola – é para garantir que tudo corra bem na abertura do desfile da verde e branco de Madureira, bairro da Zona Norte do Rio. Isso porque será também dela a responsabilidade pelo segundo segmento a se apresentar para o júri: o casal de mestre-sala e porta-bandeira, formado por Diogo Jesus e Verônica Lima, e coreografado pela veterana.

A dupla de sambistas passou a formar um par recentemente e se prepara para a primeira exibição em conjunto diante dos julgadores. Antes das avaliações oficiais, os dois já ganharam a aprovação (e o coração) da especialista em dança, que chegou a recebê-los em casa para que tivessem o primeiro ensaio.

— Desde o começo, eles mostraram que têm uma química muito boa. Depois do primeiro encontro, fiz questão que eles passassem a ensaiar e se apresentar sozinhos, porque acho que esse período é importante para que se conheçam. Acontece assim no balé, quando trocamos de partner. Agora, estamos nos preparando pra apresentar inovações. Se eu fosse jurada, iria achar chato assistir sempre a mesma coisa — explica Claudia, que conta sempre com o aval de Paulo Menezes para definir como será a condução do pavilhão pelo casal.

Diogo e Verônica estão ensaiando com o auxílio de Claudia Motta. Eles tiveram que fazer uma pausa nos treinos por conta da gestação da porta-bandeira, que deu à luz a pequena Maria Clara, em outubro do ano passado | Foto: Divulgação

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