Lado B! Carnavalesco da União da Ilha, Jack Vasconcelos é professor universitário

Não é só nos barracões que Jack Vasconcelos, 38 anos, mergulha no universo das fantasias e alegorias. Há oito anos, o atual carnavalesco da União da Ilha e do Paraíso do Tuiuti trabalha como professor. Ele dá expediente no curso de pós-graduação em “Carnaval e Figurino” da Universidade Veiga de Almeida, na Tijuca, Zona Norte do Rio, e coloca sua experiência à disposição dos alunos, que aprendem com o artista truques e preciosas dicas sobre o ofício de fazer carnaval.

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Quando não está trabalhando em suas ideias para os desfiles da Ilha e do Paraíso do Tuiuti, Jack Vasconcelos fica em sala de aula: ele é professor na Veiga de Almeida – Foto: Irapuã Jeferson

O Sambarazzo acompanhou uma aula ministrada por Jack. Desde que iniciou o curso, com a primeira turma, em 2007, o carnavalesco já ensinou algumas disciplinas, entre elas “Desenvolvimento de Enredo” e “Projeto de Alegoria”. Atualmente, os alunos aprendem com o artista o conceito e as técnicas de “Design de Fantasia”. Como a rotina anda puxada por causa da proximidade dos desfiles das duas escolas que cuida – na Ilha, ele divide a responsabilidade com Paulo Menezes -, Jack optou por lecionar apenas uma disciplina neste período, que vem exigindo dos estudantes muito da capacidade para desenhar.

– A intenção não é que os alunos saiam daqui exímios desenhistas, mas sim que eu possa dividir macetes. Não é necessário ter dom, todos podem desenhar. Trago exemplos dos meus carnavais pra eles e divido minhas experiências. Não há um padrão para fazer carnaval, mas esse é o meu método. Mostro meu projeto mais recente e os primeiros que fiz, para eles notarem a evolução. É assim que avalio eles, observando o quanto evoluíram com as aulas – conta Jack, que garante não ser rígido e diz que não carrega na tinta da caneta vermelha na hora de avaliar os alunos.

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No período atual do curso, o carnavalesco ensina técnicas de desenho – Foto: Irapuã Jeferson

Julgado na Sapucaí, em sala de aula Jack é quem tem o poder das notas 10: “Não pego pesado”, garante

Para alunos, o professor Jack é só elogios. Bem-humorado, quando ele é chamado para esclarecer alguma dúvida, brinca com o samba da Mangueira e solta um “Quem me chamou? Não sou a Bethânia, mas ouvi alguém me chamando”, para risada coletiva da turma, composta por 20 estudantes. Rafael Menezes, de 26 anos, conta que admira o trabalho do professor e bate altos papos com o carnavalesco durante as aulas.

– É bom saber que um profissional gabaritado como o Jack vai te dar aula. Acompanho carnaval há alguns anos, e sempre tive fascínio pelo desenho das fantasias, ficava em casa tentando reproduzir. O trabalho que mais gosto dele é o da Tuiuti para 2015, foi impecável. Havia um design muito bem feito – enaltece Rafael, que é jornalista formado pela Veiga de Almeida.

O coordenador do curso, Klayton Eller, Jack Vasconcellos - Lado B - Foto Irapuã Jeferson (5)
Klayton Eller, coordenador do curso, acompanha boa parte das aulas do artista e ainda participa dos desfiles de Jack como destaque – Foto: Irapuã Jeferson

Carnavalesco do Império Serrano, Severo Luzardo foi aluno de Jack e tirou nota dez

Aluno de Jack, o carnavalesco Severo Luzardo apresentou um projeto inusitado ao professor e ganhou nota máxima na disciplina. Pela experiência no samba, ele foi além do que o professor e colega de profissão exigia, e acabou tirando nota máxima.

– O Severo fez o trabalho mais foda do curso. Foi inusitado trabalhar com um colega de profissão. A tarefa era criar um enredo, uma fantasia e uma alegoria de um enredo sobre pneus. Eu quis seguir trabalhar com um enredo assim por conta dos enredos patrocinados com temas desse tipo. Ele criou isso tudo, e ainda trouxe uma camisa tematizada com o enredo que criou e um samba-enredo para o projeto. A nota foi 10 – conta Jack, que além de ter sido mestre do carnavalesco do Império Serrano ainda contou com Milton Cunha como colega de universidade, já que o atual comentarista de carnaval da Rede Globo já deu aula no mesmo curso.

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Nota 10! Acostumado a ser julgado na Avenida, Jack diz ser generoso na hora de avaliar seus pupilos e costuma distribuir muitas notas máximas pelas criações dos estudantes – Foto: Irapuã Jeferson

Jack também rende homenagens a uma aluna bem especial que já fez parte da turma: uma senhora de 65 anos, de Goiânia, que se matriculou no curso e emocionou a todos com o projeto apresentado por ela, que não tinha muita noção de como desenhar e, por isso, encheu de orgulho o professor Jack Vasconcelos.

Por João Paulo Saconi