Designer gráfico, mestre de bateria do Salgueiro cria desenhos para instrumentos

Por Luiz Felippe Reis

Não satisfeito em cuidar apenas da qualidade sonora da bateria do Salgueiro nos últimos dez anos, mestre Marcão se dedica ainda à tarefa de embelezar os instrumentos salgueirenses que vão para a Avenida. É que o diretor trabalha como designer gráfico e desenvolve os desenhos que estampam surdos, caixas, tamborins e as demais peças da bateria.

Há três anos atuando como o responsável por criar as artes, o comandante da “Furiosa” (apelido da bateria salgueirense), agora leva a sério o que antes era apenas um hobby.

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Qualidade sonora e visual! Além de comandar a “Furiosa”, mestre Marcão cria todo o designer das peças da bateria – Foto: Sambarazzo

– Eu já desenhava à mão, sempre gostei. Era um hobby meu, na verdade. Desenhava paisagens, caricaturas. Eu cortava cabelo, fazia aqueles desenhos na cabeça, e tal. Não sabia mexer pelo computador, e o “Japa” (diretor de tamborim da escola) me ajudou a trabalhar no “CorelDRAW” (programa de computador utilizado para a criação das artes). Junto com ele veio essa ideia de fazer artes digitais para os instrumentos de bateria e logos diversas. A gente faz esse trabalho pra quem quer ver sua bateria mais bonita. É um trabalho de plotagem, com artes que a gente cria, procurando fazer sempre dentro do enredo. Já fazemos no Salgueiro desde o Carnaval 2013. Hoje, faço pra outras escolas – comenta o artista gráfico.

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Instrumento da Cubango com a arte idealizada por Marcão – Foto: Marquinhos Passos 

E o trabalho de mestre Marcão não agrada apenas as baterias Carnaval afora. A presidente do Salgueiro, Regina Celi, também curte a arte do designer gráfico e dá carta branca para o artista criar. Até a rainha de bateria da escola, Viviane Araújo, dá uma moral e ajuda a pagar todo o processo de fabricação dos instrumentos cheios de estilo da “Academia do Samba”.

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Mestre Marcão revela que as plotagens nos instrumentos enchem a galera da “Furiosa” de gás: ” O ritmista fica mais motivado” – Foto: Sambarazzo

– A presidente Regina admira muito o nosso trabalho, nos dá liberdade total para criar os desenhos, e às vezes apresento modelos para camisas. A escola paga os instrumentos, e a Viviane Araújo, nossa rainha, faz questão de custear a parte do processo da plotagem na fábrica – conta.

Marcão costuma ajudar diversas baterias da Série A na Sapucaí, seja como diretor nas alas ou apenas como ritmista. Ano passado, por exemplo, ele chegou a desfilar em quatro escolas no Grupo de Acesso. Mas, na hora de entrar em cena como designer gráfico, vale o bom e velho dito popular: amigos, amigos, negócios à parte.

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Em processo de criação para os instrumentos do próximo Carnaval, Marcão aproveita quando não ensaia com a bateria para cair dentro do projeto 2016 – Foto: Sambarazzo

– Quando comecei fazia muito na camaradagem. A partir daí, a coisa toda foi expandindo. Mas hoje já não dá mais, a parada é profissional, até porque aqui no Rio trabalho como representante de uma fabricante de instrumentos de São Paulo. Hoje temos como clientes a Curicica, Porto da Pedra, Cubango, Tradição… Fora do Rio, Uruguaiana, Porto Alegre, Manaus, Belo Horizonte e até na Argentina. Às vezes, ainda pedem pra fazer alguma coisa na amizade, mas é difícil. É uma paixão minha fazer, mas eu preciso valorizar esse trabalho – enfatiza.

Parceiro de Marcão nessa empreitada profissional, o diretor de tamborins da “Furiosa”, Luciano “Japa”, foi o responsável por iniciar o projeto gráfico com o mestre.

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Diretor de tamborins do Salgueiro, Luciano “Japa” ajudou mestre Marcão nas artes digitais: “Ele pega rápido” – Foto: Sambarazzo

– Trabalhei 15 anos numa gráfica em São Paulo. Fiz alguns cursos lá e aqui no Rio. Falei com o Marcão, já sabia que ele desenhava, e eu tinha mais a experiência com a parte digital. Daí a gente começou. Ele pegou muito rápido o jeito. Começamos a investir. De início, tínhamos uma dúvida se a plotagem causaria algum dano na afinação, mas fomos percebendo que não, dentro do que os ritmistas passaram pra gente, e no que íamos percebendo nos ensaios. É perfeito do início ao fim, e a plotagem ainda protege a afinação na chuva – garante Luciano.

Embora bem entrosados, às vezes é inevitável uma discussão ou outra na busca da melhor arte.

– A gente discute de vez em quando, mas tudo pra ficar do melhor jeito. É numa boa – diz o diretor.

Além da garantia de qualidade sonora e beleza de cada unidade, mestre Marcão acredita que o trabalho artístico nos instrumentos dê uma injeção de ânimo na rapaziada da “Furiosa”.

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Haja trabalho! Marcão e “Japa” caem dentro do projeto 2016 – Foto: Sambarazzo

– O ritmista fica mais motivado. É uma coisa mais bonita. Antigamente não tinha, era couro puro, do jeito que vinha de fábrica. Agora é algo mais detalhado, com a nossa arte – finaliza.

Quem quiser causar com sua bateria na Marquês de Sapucaí, com artes exclusivas e personalizadas, é só entrar em contato com mestre Marcão através dos e-mails [email protected] ou [email protected]