Fora do Carnaval, mestre Jonas trabalha instalando ar-condicionado

Por Luiz Felippe Reis

Quando não está na Avenida regendo uma bateria de escola de samba, mestre Jonas pega no batente como técnico de refrigeração e eletricidade, instalando ar-condicionados por todo o Rio de Janeiro. O Sambarazzo acompanhou uma jornada de trabalho do ex-diretor de bateria da Cubango, num escritório no bairro do Estácio, no Centro do Rio.

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Trocou o apito pela furadeira! Mestre Jonas instala e faz manutenção de ar-condicionado – Foto: Sambarazzo

– Trabalho com isso desde 1985. Aprendi na época de quartel. Fiz curso de elétrica e depois me especializei em refrigeração. Aí, entrei no Carnaval, virei mestre de bateria e comecei e revezar os dois trabalhos. Esse serviço é mais duro do que a bateria, claro. A instalação de um ar-condicionado, normalmente, dura umas duas horas. É trabalhoso – explica.

Para encarar o pesado ofício, Jonas faz uso de dezenas de ferramentas, que precisam ser manuseadas com perfeição para o bom funcionamento de todo o processo de instalação. Ele faz uma analogia interessante do trabalho com a missão de comandar uma bateria na Sapucaí.

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Parafernalha! Durante o processo de instalação, Jonas utilizou várias ferramentas – Foto: Sambarazzo

– Aqui é que nem na bateria, né? Tem que dominar todas as ferramentas, assim como o mestre domina todos os instrumentos. Se não tiver o domínio, você passa vergonha com um cara que saiba tocar. E se não manjar de todas as ferramentas, não consegue fazer o trabalho direito – compara o mestre.

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Com a mesma habilidade que mostrava à frente dos ritmistas da Cubango, Jonas ajusta aparelhos de ar-condicionado – Foto: Sambarazzo

Companheiro inseparável de Jonas no trabalho diário, Seu Roberto, de 62 anos, além de parceiro profissional é vizinho e grande amigo do mestre de bateria. Segundo os amigos da dupla, os dois possuem semelhanças que vão além do trabalho em comum.

– Ele é um cara extraordinário, considero como um irmão meu. Inclusive a nossa vizinhança diz que somos irmãos. Dizem que a gente é parecido – revela, aos risos, Seu Roberto.

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E aí, se parecem? Mestre Jonas carrega para o trabalho seu “irmão mais velho”, Roberto – Foto: Sambarazzo

Embora esteja sem escola de samba desde que saiu da Cubango, em 2014, Jonas continua prestando serviços ao Carnaval, ajudando a formar centenas de jovens ritmistas estrangeiros. No mês que vem, o sambista viaja para a Europa, onde vai ministrar algumas aulas de percussão.

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Anos de serviços prestados! Mestre Jonas à frente dos ritmistas da Cubango, onde ficou até o ano passado – Foto: Arquivo Pessoal

– Tenho vários grupos de samba na Alemanha. Eles sempre me chamam para melhorar a batida, pegar o swing, que é a maior dificuldade deles. O swing é nosso, é complicado pra eles. Mas são muito pacientes. Sempre anotam tudo, têm disciplina. Alguns grupos de lá, que vêm pra cá, desfilam no Salgueiro, na Portela, na Unidos da Tijuca e em outras escolas – finaliza o orgulhoso professor.