Mestre-sala da Portela, Alex Marcelino é enfermeiro em UPA da Baixada

Por Gabriel Leal

Os portelenses que porventura se sentirem mal e forem buscar atendimento médico por aí podem dar de cara com uma figura muito conhecida da “Majestade do Samba”! É que, além de ocupar o cargo de primeiro mestre-sala da Portela, o dançarino Alex Marcelino é técnico de enfermagem e bate ponto na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Comendador Soares, município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Técnico de enfermagem, o mestre-sala da Portela dá expediente numa UPA da Baixada – Foto: Irapuã Jeferson

O mestre-sala de 32 anos é fã do Carnaval desde que nasceu, mas foi na adolescência que seu coração despertou para outra paixão: a enfermagem.  Há mais de 15 anos atuando na área da saúde, Alex já passou por inúmeras clínicas e hospitais no Rio de Janeiro, onde diz já ter visto – e vivido – de tudo.

– Como aqui é uma unidade de pronto atendimento é mais tranquilo, mas em vim do Souza Aguiar (hospital público do Centro do Rio). Já vi algumas coisas meio complicadas. Tem um pessoal que faz umas aventuras com pepinos, garrafas… e acaba no hospital – detalha o mestre-sala, que também cursa faculdade de Farmácia.

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Alex presta assistência a uma paciente que se deixou fotografar para a reportagem do Sambarazzo – Foto: Irapuã Jeferson

Sucesso na Avenida protegendo o pavilhão portelense, a simpatia do mestre-sala também conquista os colegas de profissão, que dão nota 10 a Alex no quesito companheirismo.

– Ele é atencioso, simpático, colaborador e brincalhão. O único problema é que vive pedindo para trocar plantão por causa do Carnaval – frisa, em tom de brincadeira, a técnica de enfermagem Eliane Valeanga, que trabalha com Alex há oito meses.

“Eu preciso desses dois extremos ”, diz o enfermeiro-dançarino

Quando não está trajando o jaleco branco, Alex troca o figurino formal por belas fantasias, para riscar o chão ao lado da porta-bandeira Danielle Nascimento. Convidado por ela para integrar a equipe da Portela, o mestre-sala é só elogios à parceira de dança.

Alex no desfile de 2015, com a amiga e parceira Danielle Nascimento – Foto: Felipe Araújo

– Voltar a dançar com a Dani é o ápice da minha felicidade. Fora do Samba, somos muito amigos. A gente se entende nos ensaios. Ela me ensinou a responsabilidade de ser um primeiro mestre-sala – relembra Alex.

Enquanto no hospital o enfermeiro Alex preza pela seriedade, na Sapucaí é o sorriso largo é que dá o ar da graça. É no maior palco da festa do samba que ele consegue recarregar as energias gastas nos plantões na UPA.

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O mestre-sala faz pose de dançarino num intervalo dos trabalhos na UPA – Foto: Irapuã Jeferson

– Eu brinco que eu não escolhi a enfermagem, a enfermagem que me escolheu. Aqui no hospital nos divertimos muito, somos muito amigos. Mas tem hora que fica difícil. Vemos pessoas perdendo entes queridos. Mas minha vida é isso. Eu nasci no samba, ele me realiza. Quando estou dançando me transformo, parece que sou outra pessoa.  Minha fisionomia até muda. Eu preciso desses dois extremos – conclui Alex.