Mestres do volante: diretores de bateria trabalham no táxi

Por Diego Barreto

Você costuma andar de táxi no Rio de Janeiro? Em caso afirmativo, da próxima vez que esticar o braço para fazer sinal, preste bastante atenção no motorista. Com sorte, é possível esbarrar com um mestre de bateria de escola de samba na direção.

É que, paralelamente ao Carnaval, alguns deles trocam os apitos que usam para comandar os ritmistas pelo volante: Thiago Diogo, da Grande Rio, Capoeira, do Império da Tijuca, e Celinho, da Porto da Pedra, são alguns exemplos de profissionais do samba que tocam duas carreiras ao mesmo tempo.

Mestres Capoeira (Império da Tijuca), Celinho (Porto da Pedra) e Thiago Diogo (Grande Rio) em encontro no Sambódromo
Mestres Capoeira (Império da Tijuca), Celinho (Porto da Pedra) e Thiago Diogo (Grande Rio) em encontro no Sambódromo – Foto: Irapuã Jeferson

– O táxi, assim como o samba e o Carnaval, é uma cachaça. Tem vezes que nem estou trabalhando, mas, se um passageiro faz sinal, a gente acaba parando – conta mestre Capoeira, que do trio é o que está há mais tempo no táxi, são 21 anos rodando “na praça”.

Thiago Diogo, que se tornou taxista há dois anos, revela que costuma se divertir enquanto dirige. Segundo ele, a possibilidade de conhecer gente de todo tipo é um fator que ameniza o estresse diário provocado pelo confuso trânsito do Rio.

– Eu costumo dizer que o táxi é um divã e o taxista um psicólogo ou, em alguns casos, um psiquiatra (risos). Um dos grandes baratos da profissão é que você lida com pessoas diferentes, conversa sobre todos os assuntos. Tenho uma coleção de histórias engraçadas com passageiros – afirma Thiago, que numa de suas corridas já socorreu um noivo em apuros:

– O noivo fez sinal para o táxi, tinha esquecido as alianças e estava desesperado pra chegar à igreja. Foi bem engraçado, mas, no fim, deu tudo certo.

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Celinho, que foi incentivado por Capoeira a ingressar na carreira de motorista, diz que outra vantagem da profissão é a flexibilidade de horários, que permite uma boa brecha na agenda para se dedicar ao Carnaval.

– Durante o Carnaval, e nos dias que antecedem o desfile, eu fico à disposição da escola e diminuo bastante o trabalho com o táxi. Mas, se acontece de eu estar voltando da quadra ou do barracão e um passageiro faz sinal, claro que eu paro – diz Celinho, que acabou levando um calote numa dessas situações:

– Eu voltava de um ensaio na Mangueira. Um rapaz fez sinal, e eu parei. Quando ele chegou ao destino, desceu do carro e ficou procurando a carteira nos bolsos. De repente, do nada, ele saiu correndo, e eu tomei uma volta. Acabei rindo da situação.

Capoeira também tem histórias curiosas para contar. Certa vez, ele não segurou o riso ao ver uma senhora entrar no táxi e, sem perceber que o carro já estava ocupado, sentar em cima de outra passageira.

– Era uma senhorinha idosa e ela não viu que tinha uma moça no banco de trás. Abriu a porta e sentou no colo da outra. Uma comédia. Ficamos os três rindo.

Thiago Diogo se diverte quando algum passageiro o reconhece como mestre de bateria:

– Tem gente que me pede até para fazer foto. Acho o maior barato.

Outro mestre de bateria que dá expediente no táxi é Casagrande, da Unidos da Tijuca, que estava fora do Rio no dia da reportagem produzida pelo Sambarazzo.