Lideranças da Beija-Flor festejam desfile histórico: ‘Ninguém ganha da gente’

Lideranças da Beija-Flor festejam desfile histórico: ‘Ninguém ganha da gente’

Por Kaio Sagaz

A Beija-flor entrou na Sapucaí no segundo e último dia de festa do Grupo Especial pra fazer história. E fez. Com um desfile que tocou nas feridas da sociedade brasileira, ao reproduzir cenas impactantes de uma realidade cheia de violência, desigualdade social, preconceito e intolerância, foi ela a escola que mais causou impacto na temporada.

É que além de modificar totalmente a estética que sempre marcou a azul e branco, a escola de Neguinho da Beija-Flor abordou em alas e alegorias alguns assuntos do cotidiano do brasileiro considerados tabus. Teve reprodução de assalto à mão armada, morte de inocentes, corrupção de políticos e outras mazelas.

A escola arriscou, e o público fez sua parte: aplaudiu, e gostou tanto que invadiu a pista ao fim da passagem da agremiação nilopolitana, cantando um dos sambas mais elogiados do pré-Carnaval, dos versos “Oh, pátria amada, por onde andarás/Teus filhos já não aguentam mais…”.

O tema “Monstro é aquele que não sabe amar, os filhos abandonados da pátria que os pariu” traduziu o sentimento de um povo sofrido.

Marcelo Misailidis e Gabriel David com a comissão de frente ao fundo, no desfile histórico da Beija-flor

“Muda o que muita gente vai pensar do Carnaval daqui pra frente”

Conselheiro da Beija-flor e um dos responsáveis pelo que se viu na Avenida, Gabriel David, herdeiro do patrono Anísio Abraão David, vê o desfile como um marco.

– O carnaval deu um grande passo na sua história. Não foi histórico só para a Beija-flor, foi histórico para o Carnaval. Muda o que muita gente vai pensar do Carnaval daqui pra frente. Bom que tá todo mundo espantado, a ideia era causar esse espanto, sair daqui com todos gritando e cantando esse samba maravilhoso – vibrou Gabriel, de 20 anos.

O desfile considerado arrebatador por muitos foliões também encheu de orgulho o diretor de harmonia e carnaval Laíla.

– O que eu sei é que o Rio de Janeiro e meus companheiros nunca me viram dançar dentro do desfile como dancei hoje. Minha felicidade é muito grande porque enfrentamos uma série de problemas até chegar aqui. Na hora da verdade, meu povo provou que não há ninguém que derrube a comunidade da Beija-Flor. Não tenho nada contra alas comerciais, hoje tenho quatro, mas meu povo da comunidade faz a diferença. Nós conseguimos nosso êxito. Se o povo chorou, se emocionou, sinal que entendeu o nossa recado – comemorou.

Laíla ainda se mostrou preocupado com o futuro do Carnaval carioca, e sugere que as coirmãs sigam o exemplo da Beija-Flor, procurando novas iniciativas.

– Todas as escolas precisam começar a pensar e mudar a cara do desfile. Me deram porrada ano passado, porque vesti a escola toda de índio, mas a escola tá sempre inovando. A Beija-Flor teve coragem. Se a arquibancada chorou, a escola sai feliz – concluiu.

“Ninguém ganha da gente”

Com 50 anos de serviços prestados ao samba, Laíla se dá ao luxo de não precisar pensar duas vezes antes de responder às mais capciosas perguntas. Sobre quem vai ganhar o Carnaval 2018, foi taxativo:

– Dificilmente alguém bate a Beija-Flor depois desse desfile. Ninguém ganha da gente.

Se for campeã, a Beija-Flor não poderá comemorar na quadra, que está interditada. Laíla já informa o local da festa do título: – Será na Mirandela (uma das principais avenidas do Centro de Nilópolis).

Gratidão

Coreógrafo da comissão de frente e um dos responsáveis pelas alegorias da Beija-flor, Marcelo Misailidis destacou a modificação da escola como um ato de coragem

– É sempre uma aposta, em todos os aspectos. Foi muita coragem da Beija de apostar no meu projeto. Acho que a escola tem essa responsabilidade da mudança, de apresentar novidades. É uma escola grande, forte. Tem que se reinventar – concluiu.

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