Liesa Pista! Ala da São Clemente critica farta distribuição de credenciais

Por Redação

A reedição da São Clemente do enredo “E o samba sambou…”, de 1990, vai distribuir muitas críticas ao mundo do samba. Nesta quinta-feira, 15, o carnavalesco da agremiação, Jorge Silveira, postou uma roupa nas redes sociais que retrata a farta distribuição de credenciais de pista durante os desfiles das escolas de samba.

A ala de número quatro foi batizada de “cara-crachá”, em referência ao clássico bordão de Severino, personagem de Paulo Silvino (1939-2017) no programa “Zorra Total”, da TV Globo. Ainda há estampada na fantasia a frase “amigo do presidente” e uma imagem bem-humorada do presidente da escola, Renato Almeida Gomes, o Renatinho.

São Clemente fará uma crítica ao mundo carnavalesco na reedição do desfile de 1990 | Foto: Reprodução/Instagram

A polêmica sobre as credenciais de pista distribuídas pela Liesa ganhou força depois do acidente com uma alegoria da Paraíso do Tuiuti, no Carnaval de 2017, que atropelou e matou a radialista Elizabeth Joffe, mais conhecida no samba como Liza Carioca. O episódio ainda deixou outras dezenas de pessoas ficaram feridas, todas portando credencial de imprensa, documento concedido pela Liesa e pela Riotur.

Na época da tragédia, uma audiência na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, com sambistas e jornalistas especializados, foi convocada pelo vereador Reimont (PT), que chegou a sugerir a redução da cessão de credenciais a artistas, convidados e celebridades, aplicando um modelo de credenciamento mais ‘criterioso’, nas palavras escritas no documento oficial que resumiu a audiência. Segundo o ofício, a fiscalização seria feita pelo sindicato dos jornalistas.

Famosos costumam circular na pista de desfiles ostentando credenciais especiais durante a passagem das escolas de samba pelo Sambódromo – Foto: Arquivo

‘É muita gente na pista’, diz presidente do Salgueiro

Dirigentes do Carnaval também já se colocaram contra a farta distribuição das credenciais especiais. A presidente do Salgueiro, Regina Celi, já chegou a criticar o excesso.

– É muita credencial, muita gente na pista. A Avenida é lugar de desfilar, mas as pessoas querem é estar ali. Quem quer assistir que compre um camarote ou um ingresso de arquibancada – disse Regina logo depois do acidente com a Tuiuti.

No Carnaval deste ano, após a negativa repercussão do acidente, havia menos pessoas credenciadas na pista de desfiles.

*Foto de capa: Reprodução Instagram

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