Mangueira faz Marielle viver! Viúva vai desfilar e componentes fazem homenagem

Por Redação

A Mangueira tem deixado claro que o lema “Marielle vive” é um dos motores principais do desfile da escola deste ano sobre os heróis negros ignorados por quem conta e escreve a história do Brasil. A homenagem à vereadora do PSOL, assassinada em março de 2018, está ganhando contornos ainda maiores do que o samba-enredo escolhido em outubro (a obra ficou famosa pelos versos “Brasil chegou a vez / De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, mallês”).

Na semana que passou, o carnavalesco Leandro Vieira anunciou que a viúva da parlamentar, a arquiteta e ativista Mônica Benício, foi convidada por ele a desfilar na verde e rosa e topou prontamente a proposta. A novidade encontrou eco no ensaio da comunidade deste sábado, 27, quando placas de rua com os dizeres “Rua Marielle Franco” ganharam a quadra nas mãos de componentes da agremiação e admiradores de Marielle (veja no vídeo abaixo).

Leandro Vieira convidou Mônica Benício, viúva de Marielle Franco, para embarcar no espetáculo da ‘Estação Primeira’ na Sapucaí | Foto: Reprodução/Instagram

Para o artista, a presença de Mônica no cortejo junto da nação mangueirense é uma prova de que a mulher de Marielle — elas tiveram um relacionamento de 14 anos — reconhece o quanto o legado da amada está associado à representatividade de outras negras que atravessam obstáculos semelhantes aos da representante legislativa.

— Ao longo de meses fui questionado de toda a forma possível (e com os argumentos mais tolos e preconceituosos) aonde é que Marielle era ‘heroína de alguma coisa’. A Marielle da Mangueira é mulher negra, nascida e criada na Maré (uma favela que em nada difere da Mangueira), que desde a infância trabalhou para ajudar os pais. Foi camelô (como tantos moradores do Morro da Mangueira), mas por esforço e sacrifício ingressou na universidade (isso, nem tantos da Mangueira conseguiram) — argumentou o artista, que ainda comparou a história de superação às vivências da cantora Leci Brandão, da rainha de bateria Evelyn Bastos, entre outras mulheres negras da agremiação.

Mônica e Marielle estiveram juntas por 14 anos. A mulher da parlamentar passou a viajar o mundo para pedir ajuda internacional à resolução da execução da vereadora, morta em março de 2018 no Estácio, Centro do Rio, junto com o motorista Anderson Gomes | Foto: Reprodução/Instagram

Placa foi quebrada durante a eleição

Num tom completamente diferente do adotado pela Mangueira, o deputado eleito Rodrigo Amorim (PSL-RJ) quebrou uma placa semelhante àquela que fez parte do cenário do evento que marcou o chamado “Palácio do Samba” na noite de sábado. Na ocasião, o ato foi filmado, repercutiu nas redes sociais e chamou a atenção de internautas. A justificativa do então candidato era que a substituição das indicações de ruas pelo nome de Marielle constituía um desvio da ordem pública.

Em resposta à destruição do objeto de sinalização viária, populares criaram uma leva de mil placas que foram distribuídas na Cinelândia, no Centro do Rio, em outubro. Parte delas, ao que parece, foram parar em território mangueirense neste pré-Carnaval. No evento, a escola recebeu foliões do bloco Charanga Talismã e apresentou seu samba-enredo em clima de festa de rua.

Rodrigo Amorim (de camisa preta) foi o deputado estadual mais votado do Rio. Ele ficou conhecido após ter sido filmado quebrando a placa em homenagem à Marielle | Foto: Reprodução/Facebook

Assista ao vídeo da homenagem à Marielle no ensaio da Mangueira:

*Vídeo: Fábio Fabato