Marcas da paixão! Mais uma série de tatuagens de puro amor ao carnaval

Por Redação

No que depender do amor do povo pelas escolas de samba, o Carnaval do Rio está garantido por tempo indeterminado, não interessa quantos obstáculos apareçam ao longo do caminho. Tamanha devoção pelas agremiações cariocas leva milhares de pessoas semanalmente para as quadras e, durante a pré-temporada, garante que as arquibancadas da Sapucaí fiquem lotadas de foliões ávidos pelos ensaios técnicos.

As marcas deixadas por todo esse carinho ganham forma na pele dos sambistas, como o Sambarazzo mostrou dia desses. O sucesso das tatuagens carnavalescas foi tanto que mais adeptos desta onda nos enviaram fotos de suas tattoos. A coletânea reúne abaixo os melhores registros e histórias das marcas da paixão. Confira!

Amor pelo ritmo: do instrumento ao grito de guerra do ídolo

Ritmista da Grande Rio desde 2012, Felipe Côrrea gosta tanto de tocar chocalho que resolveu tatuar o próprio instrumento (que ele chama de “amigo”) no antebraço. Ele tirou uma foto do acessório e levou para o estúdio de tatuagem para que o desenho em seu corpo fosse exatamente como a realidade.

— Quando alguém elogia a ideia e diz que ficou muito bonita, penso logo que deveria patentear! (risos) — brinca Felipe.

Felipe Côrrea é mais conhecido do povo de Caxias, onde está sediada a Grande Rio, pelo apelido de ‘Chocalheiro’. Ele aproveitou a vibe e tatuou o próprio instrumento no braço | Fotos: Ewerton Pereira e Arquivo pessoal

Também com a tricolor de Duque de Caxias no peito, Magna Araújo escolheu fazer um registro eterno para lembrar de Emerson Dias, intérprete que fez muito sucesso por lá entre 2013 e 2018. Hoje no Salgueiro, o músico segue acompanhado de pertinho pela fã, que costuma ir até à quadra da vermelho e branco, na Zona Norte do Rio, para assistir as apresentações dele.

No braço, Magna sempre carrega as iniciais do cantor (E.D.) e o bordão dele, conhecido por conta do grito de guerra “Ei, psiu”.

— Serei pra sempre sua fã. E você pra sempre minha estrela! Ser fã é chorar, gritar, pular, se emocionar, acompanhar, votar, vibrar, rezar, amar e ser fiel ao seu ídolo! — escreveu a sambista sobre Emerson nas redes sociais.

Fã do cantor Emerson Dias, Magna Araújo tatuou o grito de guerra dele no antebraço: ‘Ei, psiu’! | Fotos: Arquivo pessoal

Banhos de água fria pra eternidade: escola caiu e desfile não agradou

Quem tem uma escola de samba do coração sabe que o sentimento por ela é cheio de altos e baixos. Torcedores que fazem questão de desfilar por aí gravados para sempre sentem, literalmente na pele, a emoção da vitória e da derrota.

Essa é a síntese da história de Emerson Oliveira, que se encantou pela Caprichosos nas décadas de 1990 e 2000, quando ventos melhores que os de hoje sopravam para a azul e branco de Pilares. Do Grupo Especial à Série D, onde se encontra hoje, a agremiação permaneceu como a preferida do bamba, que até hoje mostra com orgulho a tattoo que fez no antebraço.

— Achava o máximo quando a Caprichosos levava um 10 na apuração e todo o morro gritava. Me marcou bastante. Tive a ideia de tatuar esta grande paixão, até me chamaram de doido, mas amor é amor. É uma pena que a Caprichosos se encontre nesta situação lamentável. Espero que um dia ela possa se reerguer e voltar ao seu lugar na história — afirma o morador do bairro de Pilares, onde a escola está sediada.

Com dificuldades financeiras, a Caprichosos de Pilares nem desfilou no ano passado, mas Emerson ainda exibe orgulhoso a tatuagem que fez com o símbolo e o nome da escola | Fotos: Arquivo pessoal

Torcedor da Mangueira, Tom Santos transformou a frustração diante do desfile da verde e rosa em 2015 (o enredo era sobre as mulheres do Brasil e ficou em 10º lugar) em motivação para reafirmar a admiração pelo pavilhão e torcer para que dias melhores chegassem. Do fracasso em diante — já com Tom andando tatuado por aí — os resultados só melhoraram e o sonhado campeonato aconteceu em 2016, com a homenagem à cantora Maria Bethânia.

— O desfile de 2015 foi péssimo, mas o amor pela escola vai muito além de títulos — defende Tom.

Torcedor da Mangueira tatuou o símbolo da escola depois de desfile com desempenho aquém do esperado na Avenida; título veio no ano seguinte | Foto: Arquivo pessoal

Apreço pela festa: símbolos do Carnaval

Entre os que gostam tanto do desfile das escolas de samba que emprestaram o corpo para as imagens que remetem aos festejos de fevereiro ou março estão William Sales, Bruno Nascimento e Gisele Andrade. Os três tatuaram símbolos máximos do Carnaval, como os arcos da Praça da Apoteose, um malandro e uma passista.

O ritmista e a porta-bandeira também ganharam vez, assim como os versos de “O que é, o que é?”, de Gonzaguinha (que vai embalar o desfile do Império Serrano este ano) e de “Não deixe o samba morrer”, sucesso na voz de Alcione e de outros artistas.

William Sales, Bruno Nascimento e Gisele Andrade aproveitaram espaços no próprio corpo para registrar o amor que sentem pelo Carnaval | Fotos: Arquivo pessoal

Confira a galeria de fotos com mais tatuagens dos sambistas!

Bruno Dias torce para a Portela e tatuou a águia da escola nas costas
No desenho da panturrila de José Tôrres Neto, a chamada ‘águia altaneira’ carrega o pavilhão azul e branco portelense
Drielly Lorrans apostou numa tattoo apenas com o nome da azul e branco de Madureira, na Zona Norte
Torcedor da Grande Rio, Allan Souza tatuou o brasão da tricolor de Caxias
Fanática pela verde e branco de Ramos, Luiza ‘Imperatriz’ estampou a coroa, símbolo da escola
Yuri Macedo, que torce para a Viradouro, eternizou um casal de mestre-sala e porta-bandeira conduzindo o pavilhão da agremiação
Apaixonada pelo Império Serrano, Paula Silva prestou homenagem à verde e branco tatuando a coroa imperial
Por amor ao Acadêmicos do Cubango, da Série A, Lorena Garcia tatuou o pantheon que compõe a bandeira da verde e branco e o lema ‘Aconteceu’, que faz parte do samba de exaltação
Pedro Flores aproveitou o símbolo da Mocidade Independente de Padre Miguel para homenagear o Rio com versos da canção ‘Cartão de Identidade’, de Paulinho Mocidade
Rogério Prèe apostou no símbolo da Mangueira para demonstrar a admiração pela verde e rosa
A Viradouro também tem lugar especial no corpo do torcedor Alderico Junior
Beija-Flor de coração, o torcedor Flávio Matos foi procurar uma ave estilizada para fazer uma referência à escola
Rúbia Silveira dedicou o ombro à coroa e ao nome da Imperatriz
A Ilha vai ficar pra sempre no corpo da torcedora Isis Bianca, que também tatuou a Apoteose
A devoção pelo Império Serrano é o tema da tattoo de Gabi Ramos
Integrante de uma torcida organizada da Mocidade, Dinei Chagas se inspirou no grupo que forma com colegas quando decidiu qual tatuagem fazer
A coroa do Império, o chapéu panamá e o pandeiro tiveram vez na homenagem que Hélio Oliveira fez à verde e branco da Serrinha
Anderson Oliveira, torcedor da chamada ‘Majestade do Samba’, tatuou o nome da agremiação
Isolda Alves já havia tatuado os quatro títulos da Mocidade quando, em 2017, a verde e branco conquistou um novo campeonato; ela precisou adicionar mais uma estrela ao desenho
Dona do fã-clube da porta-bandeira Giovanna Justo, da São Clemente, Thaina Ferreira também marcou no corpo a admiração pela dançarina
O samba-enredo do Salgueiro para 2010, sobre as histórias e os livros, está gravado na pele de Leandra Moraes
Viciada na Unidos da Tijuca, Nair Netta tatuou o pavão, símbolo da escola; ela também já teve uma cadelinha chamada ‘Tijuquinha’ e pintou as paredes do quarto de azul e amarelo
Fã da Unidos do Viradouro, Kássia Coelho marcou o brasão da escola de Niterói
Fã da rainha de bateria da Mangueira, Renan Silva ‘carimbou’ o autógrafo da majestade Evelyn Bastos
Roberta Barcellos selou a promessa de amar o Salgueiro para sempre
Victor Fábio, apaixonado pela Vila Isabel, pintou o brasão da escola
‘Quando visito a Mangueira, me sinto em casa’, diz Edgard Júnior, que tatuou o brasão mangueirense
Amor pela Mocidade no boné, na camisa e na tatuagem do torcedor Júlio Gomes
Lilly, mulher do cantor Igor Vianna (da Alegria da Zona Sul), gravou o grito de guerra do marido