Márcia Lage não deixa Renato usar seus pincéis: ‘Ele estraga’

Por Leonardo Lupi

As escovas de dente eles juntaram faz tempo, coisa de 13 anos atrás. Mas o que nem o amor foi capaz de unir na vida a dois dos carnavalescos Renato e Márcia Lage foi o conjunto de pincéis. Artigo de primeira necessidade na casa dos artistas, os objetos que dão forma e colorido às criações da dupla são o principal motivo de briga do apaixonado casal. Ciumenta toda a vida com os acessórios de todas as horas, Márcia revelou ao Sambarazzo que o tempo fecha quando o marido resolve mexer em suas coisas.

– A gente já amalgamou trabalho, casamento, filhos, despesas… A gente tem também uma forma estética muito parecida, então não temos muito estresse. No olhar, a gente se entende. Agora, o material que a gente usa é bem individualizado. A gente não mistura os pincéis, porque senão dá briga. Ele estraga. Tenho muito ciúme dos meus pincéis, das minhas lapiseiras – contou a carnavalesca, que além de se dividir entre as funções de artista, mãe e mulher, é também uma irmã coruja, pois tem dado uma forcinha para o irmão, Marco Jabu, na divulgação do novo CD dele, que é músico.

Nos meus pincéis ninguém mexe! Ciumenta com seu material de criação, Márcia não gosta nem que Renato chegue perto: "Ele estraga" - Fotos: Reprodução/ Facebook
É meu, e ninguém tasca! Ciumenta com seu material de criação, Márcia não gosta nem que Renato Lage chegue perto: “Dá briga” – Fotos: Reprodução/Facebook

Casal Lage evita misturar questões pessoais com profissionais

Fora as ‘brigas’ pelos pincéis, o casal, já renovado com o Salgueiro para 2017, vive em clima de núpcias, mesmo ficando exposto aos pequenos estresses do mundo do carnaval, a menos de dois meses para a festa. Um dos segredos da boa relação é que Márcia costuma trabalhar em casa, enquanto Renato fica com o desafio de lidar com o funcionamento do barracão.

A opção de tentar se distanciar dos aborrecimentos é também uma forma de Márcia conseguir dar conta de suas responsabilidades como mãe e dona do lar. Assim como grande parte das mulheres, a artista se “vira nos trinta” para conciliar a vida profissional com as obrigações familiares.

Amor é amor, trabalho é trabalho! Renato costuma deixar as questões profissionais no barracão para, em casa, se dedicar à esposa e aos filhos - Foto: Irapuã Jeferson
Não leva trabalho pra casa! Renato costuma deixar as questões profissionais no barracão para, em casa, se dedicar à mulher e aos filhos – Foto: Irapuã Jeferson

– Eu não sou uma pessoa que vive só de carnaval. Tenho filhos que, na época que trabalhei sozinha, moravam comigo, eram adolescentes, então tinha que levar no colégio, tinha reunião… Tenho que ir ao mercado, comprar feijão, arroz. Sou normal. Tenho que falar pra empregada o que ela tem que fazer, como é que limpa. Aí, às vezes a empregada vai embora, eu fico com a casa. Você tem que coordenar esse lado de vida pessoal com lado de vida profissional – relatou a artista.

"Love is in the air"! O casal procura manter o romantismo mesmo com a rotina de trabalho do carnaval. Em setembro desse ano, os pombinhos viajaram a Paris representando a Vai-Vai, escola paulista em que a dupla trabalha, cujo enredo para 2016 será a França - Foto: Reprodução/Facebook
Love is in the air“! O casal procura manter o romantismo mesmo com a intensa rotina de trabalho. Em setembro deste ano, os pombinhos viajaram a Paris representando a Vai-Vai, escola paulista que tem a dupla como carnavalesca. O enredo da agremiação paulista será em homenagem à França – Foto: Reprodução/Facebook

Filhos disputam atenção do casal de artistas, que, se deixar, vive para o samba

Renato e Márcia Lage têm como principal desafio equilibrar a agenda profissional no Salgueiro para dar espaço aos compromissos familiares. Mergulhados com a preparação do Carnaval, os dois têm que aguentar reclamações dos filhos, que disputam a atenção da dupla com fantasias e alegorias.

– Tem horas que eles não aguentam. Se deixar, a gente fica no furdunço do samba 24 horas. Mas a gente abstrai também, sai com eles, vai num restaurante japonês, faz uma pipoca e vê um filme em casa. A gente é bem cobrado, principalmente pela mais nova, adolescente – contou Márcia, mãe de dois filhos.