Me julguem! Se fosse quesito, rainha de bateria da Portela diz que valeria nota 10

Por Luiz Felippe Reis

Campeãs de holofotes e flashs durante os desfiles da Marquês de Sapucaí, as rainhas de bateria são as figuras mais buscadas pela mídia e pelo público enquanto a festa come solta. E olha que isso acontece sem que as lindas mulheres estejam diretamente ligadas à competição entre as escolas de samba. Agora, já imaginou se de repente, por algum estalo súbito da galera da Liesa (Liga das Escolas de Samba – entidade responsável por administrar o Grupo Especial), o posto de rainha de bateria virasse um quesito?

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Já imaginou as belas rainhas de bateria do Carnaval carioca sendo julgadas? – Fotos: Riotur e Ag.News

Se isso acontecesse, quem será que se daria melhor? A rainha de comunidade ou a beldade mais famosa? Qual a melhor fórmula? Sambar no pé ou conquistar o público? Enfim… projeções e conjecturas à parte, o certo é que teria marmanjo por aí com vontade de dar nota dez para todas. Mas haveria de ter um critério para descontar alguns décimos, assim como é feito com os demais quesitos. E tem rainha que já reflete sobre a hipótese. À frente dos ritmistas de mestre Nilo Sérgio desde 2013, Patrícia Nery não foge da raia e garante que teria plenas condições de defender 30 pontos para a Portela.

– Não mudaria nada na minha preparação. Me dedico bastante e te digo sem problemas que estaria pronta para tirar 10. A missão da rainha é estar à frente da bateria sem atrapalhar a evolução dos ritmistas, e faço o meu papel nessa escola que eu tanto amo, me dedicando, me preparando e sabendo que a Portela está em primeiro lugar – diz Patrícia, que é estudante de psicologia e recentemente passou num estágio do Pinel (hospital psiquiátrico do Rio de Janeiro)

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“Estou pronta”, garante Patrícia Nery – Foto: Irapuã Jeferson

Com a autoconfiança em dia, Patrícia, no entanto, admite que nem sempre esteve plenamente segura de suas atuações como a realeza principal da Tabajara do Samba (apelido da bateria da Portela). No primeiro ano, a publicitária de 42 anos tinha dificuldades em lidar com as emoções na hora do instante triunfal: o desfile.

– Por toda minha história na Portela, por tudo que passei nos desfiles que participei, como musa, nas alas, e naquele ano pela primeira vez como rainha, eu estava nervosa, muito emocionada. Não sabia se sambava, se cantava ou chorava, foi difícil me conter. Mas, com o passar dos minutos, você vai esquentando e fica naturalmente mais tranquila – lembra Patrícia, que não é a única a se atrapalhar na estreia do cobiçado posto. Até Juliana Paes, uma das mais festejadas rainhas da história do Sambódromo, deu trabalho para mestre Ciça quando começou a desfilar à frente dos ritmistas da Viradouro.

Mesmo ciente de que seu gingado não vai contar pontos, Patrícia Nery garante ajudar como pode no projeto da Portela de quebrar o jejum de 31 anos sem títulos. A escola vai desfilar com o enredo “No voo da Águia, uma viagem sem fim…”, primeiro tema assinado pelo carnavalesco Paulo Barros na única representante de Madureira no Grupo Especial carioca.