Por Luiz Felippe Reis

Última divisão do Carnaval carioca, o Grupo de Acesso E sempre foi o estágio final para uma escola de samba se enxergar na difícil situação de virar bloco. Mas, de dois anos pra cá, a Liesb – entidade que rege os grupos da Intendente Magalhães – tem aberto o leque e permitido que muitas agremiações sonhem com o seu lugarzinho ao sol e um futuro bem mais promissor ainda como escola.

O grupo, que chegou a ser extinto, voltou com tudo em 2015 e abriga cada vez mais representantes, afastando o pesadelo de enrolar bandeira que povoa os pensamentos mais pessimistas de toda agremiação de baixa renda. Em 2014 eram 66 escolas em todos os módulos do Carnaval carioca, em 2018 serão 86, um crescimento de 30% no número de filiadas nas três entidades (Liesa, Lierj e Liesb).

Em dois anos, dezenas de escolas foram criadas e começaram a longa jornada rumo ao sonho de um dia chegar aos desfiles da Sapucaí – Foto: Montagem/Sambarazzo

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Com a janela mais abrangente na Série E, que em 2018 terá 20 escolas participantes, alguns bairros e até cidades, que antes não se viam tão representados assim, agora já têm pra quem torcer – ou ganharam mais opções – nos desfiles de carnaval.

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Nos últimos dois anos, mais de 20 novas escolas foram criadas

Para 2018, oito agremiações estreantes vão representar suas localidades:

Sociedade Razões de Almeida promete honrar a expectativa da turma de São Gonçalo, cidade da Região Metropolitana do Rio, que já conta com a Porto da Pedra, escola com expressivas passagens no Grupo Especial e que atualmente integra a Série A.

 

Independentes de Olaria quer mostrar que diz no pé igual a vizinha Imperatriz Leopoldinense, situada em Ramos, bairro coladinho em Olaria, os dois na Zona Norte da Cidade Maravilhosa.

 

 

Império de Petrópolis vem da turística Petrópolis, município do interior do estado do Rio, e pretender descer a serra para fazer bonito em terras cariocas.

 

 

Império Gonçalense é mais uma de São Gonçalo a debutar no Carnaval do Rio de Janeiro na disputa por uma vaga no Grupo de Acesso D em 2019.

 

 

 

Arrasta Povo é a mais nova representante de Madureira, bairro da Zona Norte do Rio, que já conta com as supercampeãs Portela e Império Serrano, além da Tradição e da União de Jacarepaguá, que têm sede pela região. A escola foi fundada tem nem um mês

 

Acadêmicos do Jardim Redentor faz companhia à Inocentes, hoje na Série A, como a representante da cidade de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, dentro do Carnaval carioca.

 

 

Mensageiros da Paz leva pra Série E a experiência de um bicampeonato no Carnaval de Guapimirim, cidade da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Além de muito samba no pé, a escola espera contar com um ‘dedo de Deus’ nos destinos da agremiação em terras cariocas.

 

Embalo do Engenho Novo, do bairro do Engenho Novo, na Zona Norte da Cidade Maravilhosa, que era bloco, se aproveitou da despromoção do Embalo Carioca para integrar a Série E em 2018 e transformar-se em escola de samba.

 

 

Antes dessas, algumas escolas perceberam a oportunidade e começaram suas jornadas no Grupo E ainda em 2017

Acadêmicos do Jardim Bangu, de Bangu, na Zona Oeste, estreou neste ano com um 4° lugar. Já o Feitiço do Rio, do bairro de Vila Isabel, na Zona Norte, conseguiu o 7° lugar, garantindo vaga na última divisão em 2018. Acadêmicos de Pilares não foi tão feliz e, apesar de ter se filiado à Liesb há poucas semanas do Carnaval, tomou diversas punições durante o desfile e está fora na próxima temporada.

Para o Carnaval 2016, agremiações foram fundadas e já foram campeãs
Nação Insulana, da Ilha do Governador, estreou e foi logo campeã em 2016. A escola caiu em 2017 e volta ao Grupo E em 2018. O bairro da Zona Norte já contava com União da Ilha, Boi da Ilha e Acadêmicos do Dendê.

 

Império Ricardense, de Ricardo de Albuquerque, Zona Norte do Rio, é uma dissidência do Arame de Ricardo e foi campeã da divisão em 2017. Ano que vem disputa o Grupo D. A escola estreou no E em 2016 com um terceiro lugar.

 

União de Maricá conseguiu ir direto para o Grupo C em 2016, ao pegar a vaga do Império da Praça Seca. A novinha vem se mantendo na quarta divisão do Carnaval carioca, orgulhando a cidade da Região Metropolitana do Rio. A criação foi idealizada pelo ex-prefeito Washington Quaquá.

 

Campeã de Nova Iguaçu chegou ao Rio há dois anos e já ganhou dois títulos
Em 2015, o Império da Uva, tradicional agremiação de Nova Iguaçu, resolveu pegar a Avenida Presidente Dutra e disputar o Grupo E no Rio. Logo de cara, ganhou o título. Hoje, a escola ocupa uma vaga no Grupo C, após faturar o campeonato do D em 2017.

 

Alegria do Vilar, de São João de Meriti, que estreou com o vice no mesmo ano, vai participar do Grupo D na temporada que virá. A escola tem como vizinha a Unidos da Ponte, que participa da Série B.

 

 

Engrossam a lista de debutantes em 2015, a Colibri de Mesquita e Chora na Rampa, de Campo Grande.

 

Escolas se safaram de virar bloco

Tupy de Braz de Pina, Acadêmicos de Madureira, União de Vaz Lobo, Boêmios de Inhaúma, Corações Unidos do Amarelinho, Gato de Bonsucesso, Mocidade Unida da Cidade de Deus, Acadêmicos do Dendê e Unidos de Manguinhos foram escolas que deixaram de virar bloco graças à recriação do Grupo E.

Independente da Praça da Bandeira e União de Campo Grande são exemplos de agremiações que voltaram à ativa para a disputa do Grupo E em 2018.

Para não inchar ainda mais a divisão, a Liesb suspendeu as sete últimas colocadas de 2017 que, portanto, não disputam a Série E em 2018. Boi da Ilha, Embalo Carioca, Delírio da Zona Oeste, Chora na Rampa, Unidos do Cabral, Unidos do Salgueiro e Acadêmicos de Pilares perderam as credenciais e não vão desfilar na Intendente no próximo ano.