Por Redação

Preparada para receber os sambas criados por seus compositores neste sábado, 14, a Mocidade Independente de Padre Miguel não pensa em abrir mão do concurso anual que aponta o hino responsável por embalar a apresentação da escola na Marquês de Sapucaí.

É o que garante o vice-presidente da verde e branco, Rodrigo Pacheco, entusiasta do tradicional modelo de disputas, que está sendo substituído nesta temporada em coirmãs como Paraíso do Tuiuti, Império Serrano, São Clemente e Grande Rio, seja em virtude de obras encomendadas a compositores específicos ou por releituras de obras já existentes.

Rodrigo disse ser fundamental a disputa de samba – Foto: Arquivo

– Acredito que as escolas estejam seguindo este caminho por uma questão técnica: pode ser ‘mais fácil’ acertar se há uma equipe que faz exatamente aquilo que você quer do samba. Na disputa, com 20 inscritos, pode ser que nenhum atenda ao enredo – pondera Pacheco.

Apesar de consciente do risco, o dirigente ainda aposta no formato mais famoso, o de competição. E acredita ser fundamental a manutenção do processo, que uma vez extinto iria reduzir drasticamente o calendário dedicado a eventos de samba no estado do Rio – as finais lotam as quadras das escolas de todos os grupos. A da Mocidade já tem data: 22 de setembro.

Samba transformou enredo

Nos dois últimos carnavais, conforme destaca Pacheco, a procura pela letra e melodia ideais para o desfile fez a Mocidade modificar o que pretendia levar para a pista de desfiles. Em 2017, o enredo foi Marrocos e rendeu o campeonato. No último Carnaval, a escola cantou a Índia e conquistou a sexta colocação.

– Nas duas situações, as obras escolhidas contribuíram pra enriquecer o tema e nós mudamos o projeto. A disputa de samba pode contribuir para o conjunto da apresentação, ela é uma tradição das escolas de samba – sustenta o gestor.

Wander Pires é a voz principal da verde e branco – Foto: Arquivo

“A balança não está equilibrada”, argumenta Rodrigo Pacheco

Apesar de defender que seja mantido o processo seletivo das criações musicais feitas pelos poetas da casa, Pacheco reconhece que há uma distorção entre o propósito da iniciativa e a maneira como ela tem acontecido na maioria das quadras.

– As parcerias têm feito altos investimentos para compor equipes de palco e manter a torcida. Isso tem um reflexo negativo, porque as parcerias fazem uma festa completa para os torcedores fora da quadra, e eles deixam de consumir quando entram. Há um impacto na receita, um desequilíbrio na balança – pontua Pacheco, que estará à frente da “Estrela Guia” durante a seleção do samba-enredo responsável por dar o tom do desfile do ano que vem cujo tema é o tempo.

*Foto de capa: Eduardo Hollanda / Divulgação

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