Por Luiz Felippe Reis

Dono da voz mais importante da Quarta-feira de Cinzas – a que narra, nota a nota, a apuração do Carnaval carioca -, Jorge Perlingeiro abriu as portas do apartamento onde mora, que fica dentro de um famoso hotel na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, para mostrar aos leitores do Sambarazzo um pouco mais de sua intimidade.

O eterno comandante do “Samba de Primeira” (programa que ficou no ar pelo canal CNT por mais de 40 anos) diz que viver num apê em meio a hóspedes, turistas e funcionários da rede hoteleira tira um pouco da privacidade. No entanto, o tipo de moradia tem lá suas vantagens: o serviço de quarto, por exemplo, é de grande valia.

Dono da voz mais aguardada da apuração, Jorge Perlingeiro abriu as portas de casa para o Sambarazzo - Foto: Irapuã Jeferson
Dono da voz mais aguardada da apuração, Jorge Perlingeiro abriu as portas de casa para o Sambarazzo – Foto: Irapuã Jeferson

– Não moro num hotel de diária, é um hotel-residência. Uma torre é hospedaria, aquele vai e vem, etc e tal, e a outra é residencial. Você pode alugar ou ser proprietário, no caso sou proprietário, tenho o meu apartamento. É um pouco impessoal, mas a grande vantagem é não precisar fazer as coisas. Eu não preciso ter empregada, já tenho as camareiras do hotel, isso me dá uma praticidade. Tem comida, academia, hidro, spa… E não penso em deixar de morar por aqui, sinceramente – afirma.

Enquanto Perlingeiro apresentava alguns ambientes do lugar à equipe do site, esbarrou com um de seus mais ilustres vizinhos, o xará Jorge Aragão, que circulava pelo saguão do hotel, que encheu de elogios o amigo de longa data.

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Encontro de xarás! Jorge Perlingeiro encontrou o amigo e vizinho Jorge Aragão, com quem aproveitou para colocar o papo em dia: “Perlingeiro poderia ser o nosso síndico”, sugeriu o cantor – Foto: Irapuã Jeferson

– Ele é um aglutinador de pessoas, né? É um cara centralizador, mas do bem, com instinto de liderança. Sempre nas reuniões de condomínio ele toma a palavra, organiza a papelada, sabe das declarações de sei lá o quê, documento não sei das quantas… É um cara muito organizado. Acho que ele poderia ser nosso síndico. E como amigo é um sujeito fantástico, uma excelência – disparou o cantor, que há pouco menos de um ano mora no mesmo hotel que Perlingeiro.

Morando sozinho, Perlingeiro sente falta da filha, que mora nos EUA: “Se Deus quiser, ela vai voltar”

Depois de mostrar algumas áreas comuns do apart-hotel, Perlingeiro subiu finalmente para o quarto andar para mostrar o lar que escolheu para viver há mais de três anos. E o autor do já clássico bordão “Só se for agora” tem bom gosto. O apartamento tem vista para o mar e é justamente a varanda o lugar da casa preferido do apresentador, principalmente para fazer suas diárias leituras matinais.

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Lugar preferido de Perlingeiro, a varanda principal da casa é onde o apresentador relaxa e aproveita para fazer uma boa leitura – Foto: Irapuã Jeferson

– Aqui leio meu jornal. Não tenho lido muito livro, mais revista de Carnaval. Sento um pouquinho, descanso, vejo essa vista maravilhosa do mar… Mas um detalhe é que eu não olho pra baixo, me dá um certo nervoso, olho sempre para o horizonte. Minha filha, que vive nos Estados Unidos, mora no 26° andar. Não dá pra mim, já me acostumei ao quarto andar – confessou, aos risos.

Cada canto do apartamento de aproximadamente 100m² evidencia o amor e as saudades de Perlingeiro pela filha única, Bruna, de 37 anos. São diversos porta-retratos com fotos da herdeira e também da neta, Taylor, de 16. Para alegria do pai e avô coruja, ambas embarcam para o Brasil, para uma visitinha, no mês que vem.

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Longe da filha e da neta, Perlingeiro aguarda ansioso a chegada das amadas – Foto: Irapuã Jeferson

– Elas vêm em outubro, e já fico querendo que cheguem logo. A Bruna teve que ir pra lá a trabalho, mas deve voltar ao Brasil em dois anos. Se Deus quiser, ela vem pra ficar perto de mim. Sinto muita saudade – revelou.

Na sala, Perlingeiro possui uma adega com ótimos vinhos, um deles presente do amigo Zeca Pagodinho

Na aconchegante sala do apresentador se destaca um dos maiores prazeres de Jorge Perlingeiro: os vinhos. Sem querer assumir o rótulo de especialista, o locutor possui uma adega até bem extensa, considerando as dimensões do espaço.

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Presente do amigo Zeca Pagodinho, o vinho argentino Angélica Zapata é um dos mais valiosos na adega de Perlingeiro – Foto: Irapuã Jeferson

– Eu falava que o Zeca só bebia vinho porcaria. Aí, acho que pra dar uma resposta, ele me deu esse Angélica Zapata da melhor qualidade – contou.

Além dos vinhos de variadas nacionalidades, o artista ainda conserva uma série de bebidas destiladas. De whisky 18 anos à vodka Absolut, tem um pouco de tudo. Mas o “arsenal etílico” é apenas decorativo, garante o personagem da seção “Lá em Casa”.

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Para todos os gostos, menos para o do próprio apresentador! “Só gosto de vinho”, admitiu Perlingeiro – Foto: Irapuã Jeferson

– É só pra decorar, eu não bebo essas coisas. Não abro, você pode ver que estão todas fechadas, não gosto, não. Bebo vinho, e não costumo tomar aqui, bebo mais em algum jantar que sou convidado, aí levo uma garrafa, e tal. Não me considero um especialista, eu sou curioso. Eu acho legal saber a procedência, ter as garrafas em casa e tudo. Mas tem aquele cara metido a sabichão, que começa a falar de onde veio a uva, que foi colocada no barril de um país tal, a não sei quantos graus… aí fica chato, fica um papo de Forest Gump, e aí não é comigo – brincou.

Apesar de gostar de um bom vinho, a embriaguez de Perlingeiro se dá nas pinturas do artista brasileiro Armando Romanelli. As obras do pintor impressionista dominam as paredes do quarto, da sala e também do escritório do mestre de cerimônias, que se mostra um conhecedor da arte:

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Apaixonado por arte, Perlingeiro tem entre seus pintores favoritos o brasileiro Armando Romanelli – Foto: Irapuã Jeferson

– Ah, gosto muito de pintura. E o Romanelli, por traduzir a história de Dom Quixote em seus quadros, um pouco da história da Espanha, admiro bastante. Apesar de ter conhecido o Romanelli, num evento de degustadores de vinho, que eu apresentei, todos os quadros eu mesmo comprei na Galeria Dom Quixote, do Shopping Rio Design. Mas gosto de outros artistas, como o Romero Britto, que hoje é “dono” de Miami, super valorizado, respeitado e venerado. Gosto de Volpi, o Carybe, Terus, Di Cavalcanti, Pancetti, outros nomes mundiais também, como Rembrandt.

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Apaixonado pela história de Dom Quixote de la Mancha, ele é fã da obra do impressionista brasileiro Arnaldo Romanelli – Foto: Irapuã Jeferson

Enquanto domina o quesito artes, quando o assunto chega na cozinha a situação é bem diferente. Na hora da comida, ele reserva essa preocupação às funcionárias do hotel, já que usa e abusa do serviço de quarto. Mas, vez ou outra, se arrisca no fogão e ensaia fazer uma massa, um bife, “nada que dê muito trabalho”. Aos 70 anos, o sambista diz não querer mais tanta obrigação doméstica.

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Pia sempre limpa! Aos 70 anos, Perlingeiro não quer mais se preocupar em fazer comida e prima pela comodidade: “Quero mais serviço, e menos trabalho” – Foto: Irapuã Jeferson

– Cozinha não é o meu forte. Nessa idade, eu quero mais serviço e um pouco mais de descanso. Por exemplo, queimou uma lâmpada: “alô, manutenção? Vem aqui, por favor”. Pintura, conserto e quebrou não sei o quê, aqui tem marcenaria. Quer dizer, tem uma série de serviços e estruturas. Tudo funciona. Tem internet, wifi, e essas coisas que eu sei falar, mas não sei usar. Enfim, é tudo muito bom. Não sou largado, tenho a minha mulher, mas cada um na sua casa – avisou, falando da namorada Miriam, que mora no mesmo bairro de Perlingeiro.

Aos músicos iniciantes que entregam CDs a Perlingeiro na esperança dele conseguir uma oportunidade na carreira, um informe importante: ele não escuta nada em casa, apesar de ter um aparelho de som.

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Mesmo com os milhares de CDs e DVDs que recebe, Perlingeiro confessou: “Aqui em casa não ouço nada, só ouço música no carro, e às vezes” – Foto: Irapuã Jeferson

A TV da sala está sempre ligada em canais de esportes: “Quando tem futebol, agradeço”

É normal imaginar que um apresentador de programas tenha a TV como sua principal opção de lazer, no entanto Perlingeiro não costuma ser tão ligado na telinha, e evita os programas de auditório e as novelas. O futebol e os esportes, de um modo geral, são as atrações que mais cativam o apresentador. Torcedor do America, ele acompanha da Liga dos Campeões da Europa ao campeonato brasileiro da segunda divisão. Até o Mundial de Atletismo, realizado há poucos dias na China, entrou no guia televisivo dele.

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Disso ele entende! Com mais de 40 anos de TV, o apresentador elege suas atrações preferidas: “Gosto de ver futebol, noticiários e esportes em geral” – Foto: Irapuã Jeferson

– Não gosto de ver esses programas de auditório, ah, não vejo. Fiz isso a vida inteira, não curto ficar vendo. Vejo os noticiários todos, acompanho muito os esportes. Quando tem futebol, agradeço, é muito bom. Sou America e tento acompanhar, mas analiso as partidas com isenção de paixões. Não diria que gosto de futebol, gosto de esportes. Acompanhei o Pan, vi agora o Mundial de Atletismo, gosto de vôlei, basquete, tênis… Só não me pede pra ver uma partida de handebol, aquilo eu acho muito ruim. Aí, termino a noite vendo o William Waack (âncora do Jornal da Globo), depois boto num filme e durmo com a TV ligada, normalmente – revelou.

As camisas do America que ganhou de alguns ex-atletas do clube figuram entre as prediletas no extenso closet no escritório do apartamento. A coleção tem camisas retrô e uma bem especial, com o nome do apresentador estampado na roupa.

"Cracaço do America"! Apaixonado pelo clube do coração, Perlingeiro aguarda pela volta do Sangue à primeira divisão do estadual: "Vamos ver como será" - Foto: Irapuã Jeferson
Ilustre americano, Jorge Perlingeiro tem oito camisas do time mais simpático do Rio de Janeiro. O xodó é a que tem seu sobrenome estampado no verso – Foto: Irapuã Jeferson

– Tem camisa que ganhei do Edu (ex-jogador do America e irmão de Zico) e de outros jogadores também. Pra mim, é muito especial. Fui muito ao Maracanã, vi o America nas melhores fases, com grandes equipes… bons tempos. É assim mesmo, coração de americano não bate, apanha. O America não tem torcida, tem testemunha, sangue! – brincou.