‘Nunca quis sair da Viradouro’, afirma Mestre Ciça

Por Redação

“Sou sua fã”. Foi ouvindo esta frase de uma admiradora anônima que mestre Ciça, da Viradouro, se despediu da Praça da Apoteose no último sábado, 16, após o ensaio técnico da escola no Sambódromo. Os cumprimentos do público eram a cereja do bolo para a sensação de dever cumprido deixada pelo treino: os ritmistas se apresentaram como se o desfile estivesse valendo, com boa parte das bossas e coreografias oficiais.

De volta à Viradouro após 10 temporadas, mestre Ciça conta que não gostaria de ter deixado a escola em 2009 | Foto: Divulgação

A passagem pela Avenida marcou o retorno de Ciça ao “solo sagrado” em companhia da bateria da Viradouro, após 10 anos de separação. O músico deixou a vermelho e branco em 2009, assim como o carnavalesco Paulo Barros, que também está de volta nesta temporada. Segundo o mestre, a intenção não era passar uma década longe.

— Na verdade, eu nunca quis sair da Viradouro. Alguns motivos me levaram a isso, faz parte. Mas tô de volta e acho que o ensaio foi muito bom — avaliou Ciça, que ajudou a equipe de diretores a guardar parte dos instrumentos numa carreta que partiria em breve para a quadra em Niterói.

Nos carnavais em que esteve afastado do pavilhão, Ciça acumulou passagens bem-sucedidas por Grande Rio e União da Ilha (três anos gabaritando o quesito nesta última), com direito ao “Estandarte de Ouro”(prêmio concedido pelo jornal O Globo aos destaques da festa) de Melhor Bateria de 2017.

Por dentro do ritmo de mestre Ciça: no ensaio técnico da Viradouro no último sábado, 16, músico se empenhou em seguir praticamente à risca o roteiro que criou para o desfile oficial da vermelho e branco | Fotos: Alexandre Macieira/Riotur

Expectativa alta

O retorno tem gostinho especial graças à dobradinha com o carnavalesco multicampeão. Isso porque em 2007 (“A Viradouro vira o jogo” era o enredo) Barros foi o responsável por colocar a bateria de Ciça inteira em cima de um carro alegórico que representava um jogo de xadrez.

Em 2007, Paulo Barros e mestre Ciça colocaram a bateria em cima de um carro alegórico no desfile da Viradouro | Fotos: Liesa e Reprodução/Ouro de Tolo

O xeque-mate não aconteceu na ocasião (a escola fico em quinto lugar), mas a cena entrou pra história e é o que faz com que Ciça acredite na real chance de vitória este ano. Agora, o tema é “Viraviradouro” e aborda contos e lendas relacionados à superação e à transformação.

— Foi um grande trabalho. E é muito bom estar novamente com Paulo e com a comunidade da Viradouro, que é maravilhosa. Vai ser um grande desfile, sem dúvidas — prometeu o líder do ritmo, repleto de confiança no próprio trabalho e no da equipe.

Ainda escondendo quais surpresas o artista esconde para o figurino da ala musical, Ciça já deu pistas do espetáculo que ele mesmo pretende apresentar no Domingo de Carnaval, quando a Viradouro será a terceira a pisar no Sambódromo.

Em frente aos módulos de jurados, ele vai abrir espaço em meio à bateria para que os componentes que tocam tamborins fiquem virados para os julgadores. Quando isso acontecer, todos os outros integrantes do grupo vão se abaixar. O teste rolou em campo de jogo, no último fim de semana, e foi registrado pelo Sambarazzo. Confira o vídeo!