O melhor da festa! Veja como foi o Desfile das Campeãs

Por Redação

Com arquibancadas lotadas tanto quanto nos dias de desfile oficial, as seis campeãs do Carnaval de 2019 cruzaram a Avenida neste sábado, 9, já com um pézinho na próxima temporada. Mocidade, Salgueiro, Portela, Vila Isabel, Viradouro e a campeã Mangueira reapresentaram os espetáculos que as levaram até a ponta de cima da tabela e aproveitaram para deixar o público com gostinho de quero mais rumo a 2020.

De olho no espetáculo,arquibancadas, frisas e camarotes chegaram ao que parecia ser a lotação máxima. No Setor 1, espaço mais popular da “Passarela do Samba”, foliões agraciados com ingressos cedidos pelas agremiações mantiveram quente o termômetro dos desfiles que já deixam saudade no coração dos cariocas.

Confira como foi cada apresentação! (Clique nas fotos para ampliar)

Mocidade se prepara para cantar Elza

Reapresentando o desfile sobre o tempo, a Mocidade Independente de Padre Miguel chamou atenção por ser a única com enredo definido para o ano que vem. O vice-presidente Rodrigo Pacheco desfilou com uma camisa em referência à cantora Elza Soares, que será a grande homenageada da verde e branco. Viajando para Quito, no Equador, a artista não marcou presença, mas escalou a neta, Virna Soares, para substituí-la.

Outra ausência importante foi a do carnavalesco Alexandre Louzada, que anunciou na quinta, 8, a saída da agremiação após quatro carnavais. Ainda não foi divulgado quem ocupará a vaga.

Salgueiro comemora Carnaval feito em dois meses

O intérprete Quinho, que está de volta ao Salgueiro este ano, fez um discurso apaixonado antes da apresentação da vermelho e branco, quinta colocada da tabela, nas Campeãs. Ele disse, no microfone, que o desfile sobre Xangô foi preparado em apenas dois meses, desde quando o presidente André Vaz foi empossado após uma decisão judicial retirar a ex-presidente Regina Celi do cargo.

A mandatária anterior, aliás, acompanhou a apresentação deste sábado diretamente da pista de desfiles antes de ser retirada do local por cinco mulheres representantes da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). Ao Jornal O Globo, o presidente da entidade, Jorge Castanheira, informou que Regina teve um mal-estar e precisou ser acompanha até o camarote da liga. No entanto, ela mesma demonstrou estar descontente com a situação.

Principal estrela da noite, o pavilhão do Salgueiro foi conduzido pelo casal de mestre-sala e porta-bandeira Sidclei Santos e Marcella Alves. Eles disseram ao Sambarazzo, na dispersão, que estão confirmados nas respectivas funções até o fim da gestão atual, em 2022.

Portela nos braços de Witzel e Paes

De braços abertos sobre a vida da cantora Clara Nunes, homenageada deste ano, a águia da Portela foi abraçada por Wilson Witzel (PSC), governador do Rio, e Eduardo Paes (DEM), ex-prefeito da capital. Eles acompanharam o desfile da quarta colocada em pontos distintos da “Passarela do Samba”.

No Setor 1, Paes ficou perto da bateria e ganhou abraços calorosos dos componentes (ele é torcedor da azul e branco). No Setor 9, próximo ao segundo recuo da bateria, Witzel foi presenteado com um chapéu Panamá nas cores da agremiação.

Rivais nas urnas em outubro passado, Witzel (eleito governador) e Paes ‘voaram’ com a águia da Portela na Avenida. Um ganhou abraços dos componentes, o outro um chapéu Panamá | Fotos: Sambarazzo

No repeteco do espetáculo, a cantora Mariene de Castro voltou a brilhar na comissão de frente assinada pelo coreógrafo Carlinhos de Jesus. Ele está renovado para seguir à frente do quesito ano que vem. Demais segmentos ainda aguardam o posicionamento da diretoria, que se prepara para a eleição do mês de abril.

Vila carregada pelo luxo, pela comunidade e pelo povo petropolitano

Na comemoração pelo terceiro lugar, que marcou a recuperação da escola após cinco anos fora das Campeãs, a Vila Isabel passou pela Avenida impulsionada pelo luxo do conjunto alegórico e das fantasias e pela alegria da comunidade do Morro dos Macacos e do povo de Petrópolis, cidade da região serrana homenageada pelo enredo da azul e branco. Uma ala de moradores do município formou um “blocão” que encerrou o cortejo em alto-astral.

No rosto deles, estampado o mesmo sorriso contagiante da rainha de bateria Sabrina Sato, que foi outro ponto alto da noite, por conta da simpatia e da fantasia de Maria Fumaça.

Na equipe de carnaval, praticamente todos se apresentaram com passaporte carimbado para 2020. O carnavalesco Edson Pereira, o intérprete Tinga e o mestre de bateria Macaco Branco já foram confirmados pelos dirigentes da agremiação. Falta ainda o coreógrafo da comissão de frente, Patrick Carvalho, que espera um acerto até o final da semana, e teve uma das mais elogiadas comissões de frente e arrancou nota máxima do júri técnico com um turista perturbando a “vida” dos moradores do Museu Imperial de Petrópolis. O casal de mestre-sala e porta-bandeira Raphael Rodrigues e Denadir Garcia também não foi anunciado, por enquanto, na lista de renovações.

Viradouro encanta a Sapucaí pela segunda vez

Mesmo sem o fator surpresa, a Viradouro voltou a fazer a alegria do público com as surpresas preparadas pelo carnavalesco Paulo Barros para o enredo “Viraviradouro”, sobre contos e fábulas relacionados à superação. O artista, que costuma desfilar de maneira discreta ao fim dos cortejos que assina, foi alçado às alturas pela fênix que criou para compor a última alegoria, simbolizando o renascer da própria escola de Niterói. A vermelho e branco conquistou um vice-campeonato histórico após ter sido campeã da Série A no ano passado.

Da comissão de frente até a última ala, cada passagem fez o povão prender o ar. Príncipes transformados em sapos, um motoqueiro fantasma abrindo caminho entre três alas e piratas se aventurando em meio a um turbilhão de água: tudo funcionando perfeitamente como planejado dele Barros para o desfile oficial.

Na saída da Avenida, em plena Praça da Apoteose, a Viradouro encerrou o desfile ao som de gritos de “É campeã”, o que fez o coração dos integrantes da escola Niterói voltarem para casa acreditando que o ano que vem pode guardar ainda mais surpresas.

Mangueira arrasta o povão ao comemorar o título

Vinte vezes campeã do Carnaval, a Mangueira foi a última a entrar na Sapucaí, arrastando uma legião de apaixonados e de torcedores empolgados com o título. O enredo “História para ninar gente grande” impulsionou, embalado pelo samba que estava na boca do povo, o sucesso da comemoração. Foram 75 minutos de festa, com a participação de bambas mangueirense como Alcione, Nelson Sargento e Leci Brandão.

A homenagem à vereadora Marielle Franco (PSOL), assasinada em março do ano passado, ficou ainda mais forte. Pelas alas e alegorias, placas e cartazes com o nome dela apareceram mesmo que não tivessem relação com um trecho específico da história contada pelo carnavalesco Leandro Vieira. Junto com os tributos, as faixas de “É campeã”, nas cores da escola, também ajudaram a enfeitar fantasias e alegorias.

Entre uma paradinha e outra, a bateria “Tem que respeitar meu tamborim”, sob o comando de mestre Wesley, fez todo mundo cantar em alto e bom som os versos “Brasil, chegou a vez / De ouvir as Marias, Mahins, Marielle, malês”. À frente dos ritmistas, a rainha Evelyn Bastos esbanjou beleza vestida de Esperança Garcia, negra escravizada considerada a primeira advogado do país.