Por Redação

Em 2007, o Brasil recebeu a notícia que seria sede da Copa do Mundo de futebol sete anos mais tarde. A partir dali, diversos estádios brasileiros ganharam modernização, se adequaram ao tal ‘Padrão FIFA” e viraram referência no território nacional nos quesitos conforto, modernidade e Infraestrutura. Esse fenômeno de transformação em direção ao futuro – que se impõe no presente – está chegando ao Carnaval.

É que o presidente da Riotur, Marcelo Alves, que é empresário do ramo de marketing, promete liderar uma campanha para modernizar o palco principal do samba carioca. Entre as sacadas do dirigente da empresa municipal de turismo estão: novas luzes, desta vez de led e com detalhamentos mais artísticos; telões ao longo dos setores da Avenida; cadeiras numeradas e reformas nas arquibancadas. Mais rigor nos credenciamentos é outra bandeira do homem forte da Riotur e principal elo entre o Carnaval e o prefeito Marcelo Crivella.

Presidente da Riotur, Marcelo Alves quer nova Sapucaí, uma arena moderna e totalmente reestruturada – Foto: Irapuã Jeferson
“Temos que ter uma arena tecnológica e moderna”

Parte dessas mudanças seriam pra já, logo no Carnaval 2018. A ideia é contar com a iniciativa privada para os investimentos milionários. Em entrevista ao Portal da Band à coluna “Setor 1”, Alves criticou a atual estrutura e discorreu sobre as mudanças.

– Se temos o maior espetáculo da Terra, temos que ter uma arena condizente, tecnológica, moderna para receber esse espetáculo. Hoje a Sapucaí está muito aquém do mínimo das arenas do mundo. A iluminação é analógica, não se pode tratá-la em um projeto de luz para nenhum espetáculo, porque é fixa e fria. Então tem que ser com lâmpadas de led, além da economia que vamos ter. A nossa ideia é retirar alguns refletores que hoje estão dentro do Sambódromo e reaproveitar do lado de fora, para aumentar a sensação de segurança. A gente está olhando para o produto Carnaval como um todo. O que podemos buscar no mercado, de parceiros comerciais, de marcas, para investimentos em todo o projeto: no Terreirão do Samba, Intendente Magalhães, nos blocos e na Sapucaí. Sem parcerias comerciais, entendendo que esse é o principal produto turístico do Rio de Janeiro, e um produto que gera uma urgência absurda de relacionamento de marcas com o público, a gente não vai conseguir investimento para fazer grandes melhorias. Se temos esse título de “maior festa do mundo”, é claro que precisamos melhorar muito, em tudo – analisou.

Uma semana antes do Carnaval 2017, Marcelo Alves e Crivella estiveram no Sambódromo para conferir os últimos detalhes antes do desfile e para entregar um cheque simbólico à Liesa – Foto: Site da Prefeitura
“A luz é muito ruim para a transmissão”

Há poucas semanas, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ex-diretor da TV Globo e atual conselheiro de cultura da administração Crivella falou da necessidade de um “Sambódromo HD”, apelidando a atual Avenida de “Sarcófago do Samba” ao se referir às luzes da pista de desfiles. Marcelo Alves reforça essa precariedade da Sapucaí.

– Isso é necessário. Nos grandes espetáculos do mundo, cada artista, cada show tem a sua luz, preparadas por lighting designers, com projetos de iluminação. E evidentemente, tudo combinado com a televisão, que tem suas questões técnicas. A luz que tem hoje é muito ruim para a transmissão – concluiu.

Foto: Irapuã Jeferson
“Queremos telões em cima de cada setor”

Outra medida pra modernizar é a inclusão de telões ao longo dos setores da pista. A ideia vai ajudar o público presente no Sambódromo a entender ainda melhor os desfiles que passam na Sapucaí, além de possibilitar imagens em detalhes que não dá pra ver do alto das arquibancadas.

– Eles serão ferramentas para proporcionar ao público o espetáculo em detalhe. Qualquer arena do mundo conta com telões. Só o Maracanã tem quatro. O Sambódromo não tem nenhum. O que queremos são telões em cima de cada setor. De forma que você, sentado em local, olhando para frente, veja o telão. Para passar, antes do espetáculo, o que você vai ver: o enredo, o que está sendo mostrado, como foi criado, contado pelo carnavalesco. Durante o desfile, os telões devem mostrar o detalhe: o passista e o ritmista, por exemplo. E nos intervalos, passar o Rio de Janeiro, vender a cidade para quem está ali. Temos ali 80 mil espectadores, a maioria deles turistas – explicou.

“Se queremos ter uma arena com padrão mundial, não justifica não termos lugar marcado”

A mais difíceis das transformações está nas reformas para a instalação de cadeiras nos concretos das arquibancadas e finalmente numerar os acentos.

– Uma ideia antiga nossa, ainda está em estudo. Mas por questões de projeto (original), ainda não é viável instalar cadeiras. Porque o degrau é muito estreito. Então precisaria de uma reforma significativa, com um alongamento de degrau, para que a gente pudesse instalar uma cadeira e ainda sobrasse espaço para as pessoas circularem na frente. Hoje não dá. E com isso se perderiam muitos assentos (a capacidade do Sambódromo é de 80 mil lugares). Isso vai ser discutido na reunião. Mas se queremos ter uma arena com padrão mundial, não justifica não termos lugar marcado. Em qualquer lugar do mundo, quando você compra o ingresso, você sabe em que lugar vai sentar. Na Copa do Mundo todo mundo adotou, na Olimpíada todos respeitaram. Nos grandes eventos, todo mundo adota. O turista compra o assento, mas não sabe em que lugar vai sentar. Tem que chegar cedo. Se for ao banheiro, pode perder o lugar. A ideia é dar conforto para quem está nos visitando e comprando o espetáculo – disse.

Ao lado de Jorge Perlingeiro, locutor oficial do Carnaval, Alves no dia da apuração da Quarta-feira de Cinzas – Foto: Alexandre Macieira/Riotur
Riotur quer diminuir credenciais e número de pessoas na pista: ‘No palco não entra ninguém além dos artistas’

Marcelo Alves vai sugerir à Liesa – a liga que controla o Grupo Especial do Rio – uma redução sensível ao número de credenciais para reduzir consideravelmente a quantidade de pessoas na pista de desfiles:

– O que quero propor ao Jorge Castanheira (presidente da Liesa) é diminuir o número de pessoas na pista. É uma missão nossa. Nós já reduzimos muito esse ano. Eu quero reduzir isso muito, porque entendo que ali não é pista, é palco. E no palco não entra ninguém além dos artistas, que são as pessoas das escolas. Totalmente. Eu quero dividir isso com o Castanheira, para que a gente tenha ainda mais rigor na questão dos credenciamentos e permanência de pessoas no palco. E no palco não entra ninguém além de técnicos e artistas.

Foto: Raphael David/Riotur

Outro projeto que segue no embalo das mudanças estruturais do Sambódromo é a criação de um museu, que teria o nome de “Rio Carnaval Experience”:

– O projeto do museu está pronto. Estamos na fase de comercialização, atraindo marcas que tenham relacionamento com o Carnaval ou com o mercado de turismo, como cartões de crédito, que tenham interesse em estar conosco nessa empreitada. Se chama Rio Carnaval Experience, uma experiência no mundo do Carnaval. Será embaixo do Setor 11.

Foto de Capa: Alexandre Macieira/Riotur