Por Redação

Max Lopes é uma entidade do Carnaval carioca: são 44 desfiles assinados e mais de 40 como carnavalesco. Conhecido como “Mago das cores”, o artista dos mais conhecidos dos barracões, hoje batendo ponto na Acadêmicos de Santa Cruz (Série A), tem uma vasta coletânea de carnavais memoráveis. Um deles, na Viradouro em 1992, chamou atenção pelo requinte e por um acidente chocante.

“E a magia da sorte chegou”, que exaltou a história e a cultura cigana, foi o enredo daquela temporada, que ficou marcada pelo incêndio de impressionantes proporções no carro da geleira, que representava a Rússia. Após 25 anos da tragédia, Max foi convidado para ser padrinho da “Festa Cigana e Feira Mística Beneficente”, que será realizada neste sábado, 5, no Espaço Cultural Jardim das Artes, em Niterói, Região Metropolitana do Rio.

Lopes guarda boas memórias de 1992, mas não há como esquecer das chamas que destruíram a alegoria predileta do carnavalesco. Ao Sambarazzo, o artista recorda de uma cigana que visitou o barracão pouco antes do desfile e previu a tragédia.

– A cigana Gracira, matriarca de Niterói, esteve no barracão para abençoar as alegorias. Ao chegar, ela previu acontecimentos, inclusive disse escutar uma voz do além: ‘fogo, fogo na Avenida’. Outros ciganos ouviram e perguntaram em voz alta como cortar o mal. A cigana continuava falando …’Fogo fogo… Corta… Cachorro…’. Então ela me aconselhou colocar um cachorro para guardar as alegorias do mau presságio – lembrou.

O Carnaval de 1992 marcou um dos momentos mais tristes da carreira de Max Lopes: na Viradouro uma alegoria inteira foi destruída pelo fogo em plena Avenida – Fotos: Reprodução/Internet

O “cachorro” presente na previsão da cigana era justamente uma referência – não entendida naquele momento – ao carro da geleira, que tinha como decoração vários “Husky siberiano”, raça de cães originária da russa Sibéria:

– Não poderíamos imaginar que seria a alegoria das geleiras, meu carro preferido que estava repleto de cachorros, realmente. Foi um terror perder aquele carro, está na lista dos melhores das minhas criações. O carnaval da Viradouro de 1992 foi um escândalo. Até hoje é comentado o luxo daquele ano. A tragédia, viria então, através dos cachorros.

Em 2010, a Grande Rio lembrou fatos marcantes da Avenida e, claro, teve de recordar da alegoria criada por Max Lopes que pegou fogo.

Em 2010, a Grande Rio retratou o carro da Viradouro de Max Lopes ao recordar fatos marcantes da Avenida – Foto: Blog Pedro Migão
Para tornar real a reprodução, um dos efeitos mais bacanas do carro era a fumaça formada por gelo seco que dava a sensação das geleiras – Foto: Reprodução da internet

Embora o acidente não tenha ferido ninguém, o pós-Carnaval deixou tristes lembranças ao carnavalesco, que se sentiu magoado por um boato. Na época, rolou uma história de que Max Lopes não teria seguido os conselhos da comunidade cigana ao não representar no desfile uma fogueira, símbolo das festas dos ciganos.

– Na verdade, acredito muito no destino, ninguém faz carnaval pra perder, tragédias acontecem. Inventaram que a escola não tinha fogueira, que não ouvi os ciganos, mas foi tudo mentira. Tive consultoria do presidente da União Cigana do Brasil (Mio Vacite) e de toda a comunidade cigana do Rio de Janeiro, ninguém sabe a verdade. Uma cigana havia previsto que algo de muito ruim poderia acontecer – esclareceu Max, que até hoje é amigo de Mio.

Organizador da festa cigana deste sábado, 5, Roberto El Martini desfilou com Max Lopes na Porto da Pedra em 2009, numa parte do desfile que citava o povo cigano – Foto: Arquivo pessoal

Padrinho do evento “Festa Cigana e Feira Mística Beneficente”, neste sábado, 5, Max Lopes vai encontrar um povo pelo qual se apaixonou e que, pelo visto, até hoje tem muita gratidão pelo veterano carnavalesco.

– Sempre fui fascinado pela cultura cigana, danças e todo mistério que envolve esse povo. É um povo muito colorido, sempre gostei de trabalhar com as cores. A comunidade cigana sabe que fiz aquele carnaval com muito capricho – concluiu.

Idealizado por Roberto El Martini, o evento rola das 12h às 22h, no Espaço Cultural Jardim das Artes, na Avenida Quintino Bocaiúva, 2 – São Francisco, Niterói, e a entrada é R$30. O valor será todo ele revertido para a Casa do Índio, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Max, aliás, está todo envolvido com eventos de cunho religioso. Este ano, ele ainda vai assinar a identidade visual da quinta edição da Expo Religião, evento idealizado pela jornalista Luzia Lacerda, que será em outubro, no Porto das Artes, no Porto Maravilha, no Rio.

Relembre o incêndio:

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