Por Redação

Críticas pra todo lado e muito debate no mundo do samba sendo ampliado. Assim dá pra resumir os efeitos do anúncio do satírico enredo “Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco”, de Leandro Vieira, da Mangueira, até aqui. Na noite desta terça-feira, 11, o carnavalesco fez a leitura da sinopse, carregada de alfinetadas, e no pacote algumas falas direcionadas aos compositores da festa, incluindo os da verde e rosa.

De frente para os criticados, Leandro falou sobre o desgaste dos sambas-enredo atuais e do quanto é importante pra escola uma obra diferente, fora dos modelos pré-produzidos, ou que sigam “receitas de bolo”, como ele define.

– Quero que os compositores olhem para este enredo como uma oportunidade de se refazerem também. De se colocarem na condição de culpado na destruição de muita coisa no Carnaval. Não vou falar de coisas certas e erradas na disputa, de escritórios e sei lá o quê. Mas quero que entendam que num momento de virada, de retomada, as velhas fórmulas não vão servir mais. Quero que vocês não sejam lembrados como a última geração, a que jogou uma pá de cal no desfile das escolas de samba. Os compositores têm uma contribuição grande no caráter perecível nos sambas de hoje. Os compositores estão focados em ganhar a disputa, então recorrem a receitas de bolo, na velha forma de se fazer carnaval. Os sambas que as pessoas não cantam mais nas ruas, nos blocos, nas rodas de samba, então tem que ser diferente – disparou o artista, que vai fazer um passeio no desfile pelas origens do Carnaval.

Cereja do bolo! Carnavalesco Leandro Vieira não deixou de cobrar um algo a mais aos compositores da Mangueira – Foto: Irapuã Jeferson

“A gente tá sendo parte da construção da cultura”

Pra completar, Leandro deixa claro que o objetivo do desfile mangueirense de 2018 é muito maior do que simplesmente brigar pelo título:

– Peço que vocês se vejam como responsáveis por virarem uma página, pra que esta não seja a última geração dos desfiles. Eu faço a plástica, e vocês o samba. Então, juntos, temos que assumir a culpa pelo desgaste dos desfiles e fazer mais do que ganhar o Carnaval. A gente tá sendo parte da construção da cultura.

Leandro Vieira vai para o terceiro desfile à frente da Mangueira. No ano de estreia, com enredo sobre a cantora Maria Bethânia, já conquistou um campeonato pela Estação Primeira.

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