Porta-bandeira X Atriz! Selminha Sorriso se prepara para estrear no teatro

Por Gabriel Leal

Acostumada a levantar as arquibancadas da Sapucaí com toda a sua graciosidade no bailado ao lado do mestre-sala Claudinho, a porta-bandeira da Beija-flor de Nilópolis, Selminha Sorriso, está se aventurando em outros palcos, agora como atriz.

A dona da risada mais famosa do Carnaval vai interpretar o orixá Oxum no espetáculo “João Alabá e a pequena África”, que estreia no próximo sábado, 20, na Pedra do Sal, na Gamboa.

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Antes de entrar em cena para ensaiar, Selminha faz prova dos adereços com a equipe de figurino do musical – Foto: Irapuã Jeferson

–  Eu tô adorando a vida de atriz. Eu estaria em casa se não houvesse ensaio, mas amo produzir, fazer coisas que possam ser úteis. O teatro é muito importante, principalmente numa peça como essa, que vai para rua falar de uma cultura tão nossa, tão brasileira. Vamos estar em contato com o povo. É tão bom receber essa energia – disse a porta-bandeira, durante um ensaio no último fim de semana, acompanhado com exclusividade pelo Sambarazzo.

“Ela é perfeita para o papel”, elogia diretor

O papel no musical não será o primeiro do ainda curto currículo de Selminha nas Artes Cênicas. Ela está em cartaz com na peça “Febre do Samba” e também fez participação no filme “Trinta”, oportunidades que Selminha, a conferir pelos elogios do diretor de “João Alabá”, vem sabendo aproveitar.

– Para nós, a Selminha é uma imensa surpresa. Toda a parte do espetáculo que é dançada eu sabia que ia ser incrível. Mas quando ela abriu a boca e começou a falar,  derramou toda aquela doçura. Ela é perfeita para o papel. Não me dá trabalho. É tudo que eu esperava de Oxum. Ela é muito disciplinada e chega muito pronta. Acabei de convidá-la para o próximo espetáculo – adiantou Alexei Waichenberg, que além de dirigir, assina o texto da peça.

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Selminha Sorriso passa o texto da personagem que interpreta no espetáculo “João de Alabá e a pequena África” – Foto: Irapuã Jeferson

A boa desenvoltura de Selminha como Oxum pode ser fruto de outra experiência da porta-bandeira dando vida à mesma personagem. É que, ano passado, a convite do Império da Tijuca, ela cruzou o Sambódromo encarnando o orixá no desfile.

No teatro, Selminha também é dirigida por um “Laíla”

A rigidez na condução dos ensaios do musical renderam a Alexei um apelido carinhoso: Laíla. Quem o “batizou” assim foi Selminha, que compara o estilo linha-dura do diretor teatral com o do diretor de Carnaval da Beija-Flor.

– Ele é meio Laíla. Um dia, me pediu desculpas por ter se exaltado um pouco, e eu disse tudo que tudo bem. Ele adorou ser chamado de Laíla (risos). Entendo momentos de exaltação para o bem do trabalho. No fundo, é porque eles querem que dê certo – justifica Selminha.

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O elenco ouve atentamente as instruções do diretor Alexei Waichenberg, que elogiou o desempenho de Selminha como atriz – Foto: Irapuã Jeferson

A porta-bandeira não faz planos para a carreira de atriz

Sobre o fato de querer levar a sério a carreira de atriz e investir no ofício de atuar, a porta-bandeira prefere deixar tudo acontecer naturalmente, sem fazer grandes planos:

– O que tiver de ser, será. As coisas estão caminhando direitinho. Prefiro deixar a água do rio correr, juntando com minha fé em Oxum. Meu maior projeto era ser porta-bandeira, aconteceu. Depois era ser mãe, e veio o meu filho, Igor. Agora, vou deixando a vida me levar.

Familiarizada com grandes plateias, já que no Carnaval dança diante de milhares de espectadores, Selminha Sorriso vê com tranquilidade a proximidade da estreia do musical.

– Ainda não estou com friozinho na barriga. Estou muito tranquila porque a equipe, os atores, a direção e a produção são maravilhosos. Eles pegam no pé da gente porque no teatro tem que ter emoção, não é como a televisão que pode voltar. São grandes profissionais que estão trabalhando. Aprender é muito bom e o saber não ocupa espaço – ensina.

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Selminha está adorando se aventurar na carreira de atriz – Foto: Irapuã Jeferson