Por Redação

Com um enredo cheio de críticas políticas, intitulado “O Brasil de la Mancha – Sou Miguel – Padre Miguel. Sou Cervantes. Sou Quixote cavaleiro, pixote brasileiro”, a Mocidade entrou na Avenida mostrando todo seu viés polêmico.

A comissão de frente, comandada pela dupla Jorge Texeira e Saulo Finelon, transformou o embate literário entre Dom Quixote e os moinhos da obra de Miguel de Cervantes numa luta contra a corrupção.

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No desenrolar da apresentação da comissão, que durava dois minutos e meio em cada cabine de jurado, os bailarinos desempenharam uma batalha entre Dom Quixote e seu fiel escudeiro, Sancho Pança, e a praga maior do Brasil: a corrupção.

No início da coreografia, assim que o guerreiro via no moinho um monstro a fantasia tomou conta da história, e uma plataforma de petróleo iluminada de vermelho dava indícios de que o protesto chegava às bandas da Petrobras.

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A partir daquele momento, saíam de dentro da plataforma diversos figurões tradicionais da corrupção: Engravatados, os chamados “colarinho branco”, com malas cheias de dólares. Além de toda a proposta, o diferencial da comissão é que os protagonistas estavam “invisíveis”: um truque de ilusionismo transformava os personagens em corruptos “sem face”, nas palavras do coreógrafo Jorge Texeira, que não afirmou que Dilma e Lula estavam entre os corruptos da comissão.

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No entanto, uma personagem sem rosto era um tailleur vermelho, vestimenta clássica adotada pela presidente Dilma Rousseff, e um outro dançarino se apresentou com uma luva que evidenciava que na mão esquerda havia um dedo a menos, exatamente como o ex-presidente Lula, sugerindo que a dupla de governantes foi, sim, “homenageada” no desfile.

– Fazemos um link com os monstros da literatura brasileira. Aí, ele chega ao brasil e o monstro que passa a ver é a corrupção, nossos políticos, doleiros, falamos das falcatruas que existem no Brasil. A história da Petrobras foi um de nossos maiores escândalos. Uma representação do que mais incomoda hoje no país – completou Texeira.