Por Luiz Felippe Reis

A “pura cadência” da bateria da Unidos da Tijuca deve-se, e muito, a mestre Casagrande, o cara que comanda os ritmistas da escola de samba na Avenida e quase que invariavelmente atrai todas as notas máximas. O líder, já histórico, dos ritmistas agora anuncia a aposentadoria já para as próximas temporadas, contrariando a máxima de que tudo que é bom dura pouco – Casão tem mais de 10 anos como mestre.

– Tô me preparando pra parar. Pode ser ano que vem, ou mais um ano. Tô bastante cansado, e a gente tem que dar oportunidade pra quem tá chegando. Tem muita gente boa. Já tenho uma pessoa pra entrar no meu lugar. Não dá pra abrir quem é, mas já tem uma pessoa.  Eu quero parar bem. Não quero ser parado, que aí é ruim – disse Casagrande, aos 54 anos.

Casagrande planeja pendurar o apito: ‘Eu quero parar bem. Não quero ser parado’ – Foto: Gabriel Santos/Riotur

A manutenção de mestre Casagrande, desde 2008 como comandante da “Pura Cadência”, deu a segurança necessária para a Unidos da Tijuca se direcionar às melhores notas no quesito Bateria.

Desde 2011, se aproveitando do descarte regulamentar da Liesa, que invalida a menor nota, os ritmistas tijucanos não perderam décimos. Os anos de 2014, 2015 e 2017 foram as três temporadas marcadas por notas 40. Nos 10 desfiles à frente da bateria, “Casão” teve 32 notas 10 em 42 possíveis. Ele tem um aproveitamento de 76,2% de avaliações máximas no período.

Além do cansaço físico, Casagrande tem outros motivos para pendurar o apito: família, negócios e até a renovação entre os mestres são motivações do contratado da Tijuca.

– Vinte anos que eu não passo um carnaval com a família direito, e eu tenho meus negócios. A gente tem que pensar na frente. Não tá dando pra conciliar. Tem que abrir o caminho pra outra rapaziada chegar – resumiu.

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