R$ 750 mil! Nova virada de mesa no Grupo Especial seria acompanhada de multa

Por Redação

Após dois anos de mudanças de última hora no regulamento do Carnaval carioca, o temor de que uma nova virada de mesa marque negativamente a temporada de 2019 foi um dos temas mais comentados na Praça da Apoteose durante a apuração desta Quarta-feira de Cinzas, 6.

No Grupo Especial, foram rebaixadas Imperatriz Leopoldinense e Império Serrano. Na Série A, caiu a Alegria da Zona Sul.

Mas qualquer sinal de alteração nas regras do jogo pode custar caro, pelo menos em relação à elite do samba. Desde junho de 2016, a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa) cumpre um termo de ajuste de conduta assinado com o Ministério Público que estabelece uma multa de R$ 750 mil caso a mesa seja virada novamente.

A assinatura do documento teve como finalidade o arquivamento de um inquérito que investigava a possível violação dos direitos do consumidor por parte da Liesa ao não rebaixar, como prometido, duas agremiações na festa do ano passado.

A sequência de mesas viradas duas vezes no Carnaval carioca levaram o Ministério Público a procurar a Liesa para fechar um termo de ajuste de conduta: caso o regulamento seja alterado de última hora pela terceira vez, a liga deve pagar multa de R$ 750 mil | Fotos: Riotur

A única possibilidade de o “acordo” ser quebrado sem a cobrança de multa seria em caso de “ocorrência de evento fortuito ou força maior” (não há, porém, descrição exata de quais seriam tais brechas). Quaisquer que fossem as reconsiderações quanto ao resultado precisariam ser feitas, porém, antes da leitura das notas e da formulação do resultado.

Ao Sambarazzo, Luiz Pacheco Drumond, presidente da Imperatriz, disse aceitar a derrota e assegurou que não vai fazer qualquer manobra pra manter a escola na elite da festa:

— Não vai ter virada de mesa. Perdi — assegurou Luizinho.

Imperatriz e Império Serrano foram rebaixadas na apuração desta Quarta-feira de Cinzas, 6. Qualquer resultado que não seja a ida das duas agremiações para a Série A deve gerar multa para a Liesa | Fotos: Sambarazzo e Riotur

Virada em dose dupla

Em 2018, apesar de Especial e Série A terem escolhido agremiações sentenciadas ao descenso, ninguém arredou o pé: por decisão das ligas das escolas de samba (Liesa e Lierj, respectivamente), o rebaixamento foi cancelado com a justificativa de que o corte pela metade da verba municipal havia prejudicado os envolvidos no espetáculo. Foram salvas Grande Rio e Império Serrano e, um nível abaixo, a Acadêmicos do Sossego.

Em 2018, a Grande Rio homenageou Chacrinha com menos um carro alegórico (o último da escola ficou emperrado na concentração da Avenida Presidente Vargas); além disso, a tricolor estourou o tempo máximo de desfile — após a queda na apuração, o rebaixamento foi cancelado | Foto: Michele Iassanori/Sambarazzo

No ano anterior, entre as agremiações da elite, ganhou “imunidade” a Paraíso do Tuiuti que, assim como a Unidos da Tijuca (11ª colocada daquele ano) teve a passagem pela Avenida prejudicada por um grave acidente com uma alegoria. No caso da Tuiuti, uma vítima fatal: a radialista Liza Carioca, muito querida pelos profissionais de imprensa carnavalesca.

A sequência de resultados desrespeitados repercutiu na “Passarela do Samba” este ano. Grande Rio, uma das beneficiadas, e São Clemente abriram as apresentações fazendo mea-culpa e criticando explicitamente as viradas de mesa.