Rainha da Mangueira será rainha de bloco contra Bolsonaro: ‘É o lado do povo do samba’, afirma

Por João Miguel Fernandes

Evelyn Bastos, majestade da bateria da Mangueira é, no mundo do samba, das figuras que mais se posicionam e não fogem de uma polêmica, se julgar necessário. Cheia de atitude, ela encara de frente qualquer assunto e vive debatendo nas redes sociais. Nos últimos tempos, as tretas mais quentes são por causa do Presidente da República, Jair Bolsonaro, em quem ela afirma não ter votado nas últimas eleições.

Tanto que ela será a rainha do bloco “Eu avisei”, que desfila na orla da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, na Terça-Feira de Carnaval. É que a turma responsável pelo cortejo pretende reunir opositores ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL) e, de quebra, organizar uma manifestação em clima de folia na porta do condomínio no qual ele morava até se mudar para o Palácio da Alvorada.

Militou! Na edição de janeiro da Feijoada da Mangueira, Evelyn vestiu uma camisa em homenagem à vereadora Marielle Franco (homenageada pelo samba-enredo deste ano). A parlamentar, assassinada em março de 2018, é um dos símbolos da esquerda no Brasil | Foto: Reprodução/Instagram

Ao Sambarazzo, Evelyn decreta (demonstrando quase tanto poder quanto o novo mandatário do país): ela não é uma mulher de sentir medo e, por isso, está super segura em partir pra festa (e “pra briga”) junto com outros foliões que têm a mesma opinião que ela. Na pose da soberana da verde e rosa não sobra espaço para temer a ala numerosa de apoiadores de Bolsonaro, eleito em outubro passado com 57,7 milhões de votos.

— Sou uma mulher que não tem medo de nada. Nunca fui uma pessoa dominada pelo medo. Acho que as coisas acontecem quando têm que acontecer e, se eu preciso ir pra rua me manifestar, vou sem medo. A nossa maior liberdade é o poder de fala e de expressão. E tenho boa posição, de esquerda. É uma galera do Carnaval, escolhi o lado do povo do samba — defende.

Evelyn topou convite para ser rainha de bloco anti-Bolsonaro: ‘É mais que um bloco, na verdade. Uma manifestação de sambistas que não apoiam o presidente ‘ | Foto: Dhavid Normando/Riotur

Noivo publicou foto com Bolsonaro: ‘Muita gente me marcou’

Dia desses (quando o Sambarazzo noticiou que ela ficou noiva do vereador Marcelo Coutinho, de Guaratinguetá), Evelyn foi surpreendida com uma leva de comentários apontando que, talvez, o casal formado em setembro do ano passado tenha mais discordâncias do que parece. É que os internautas acharam uma foto de Marcelo, que é presidente da Câmara dos Vereadores do município paulista, justamente ao lado de Bolsonaro.

Marcelo Coutinho, conhecido como Celão, posou ao lado do Bolsonaro após as eleições de outubro. A foto pegou Evelyn de surpresa, mas isso não diminuiu o amor da moça: ‘Sei que o posicionamento dele é compatível com o meu’ | Foto: Reprodução/Instagram

Apaixonada, a mangueirense minimiza o impacto da postagem feita pelo futuro marido, mas manda recado pra quem acha que ela abriu mão de algum princípio: diz que não se envolveria com um fiel apoiador do atual presidente.

— Muita gente me marcou. Obviamente eu jamais postaria uma foto como essa, mas o Marcelo é presidente da Câmara e isso faz parte da função dele. E, além disso, infelizmente o Bolsonaro foi eleito como presidente do Brasil, enfiado goela abaixo. Eu não namoraria com um cara que fosse fã dele, por incompatibilidade de ideias — garante Evelyn, que vê o amado como um político de centro-direita.

Empossado em 1º de janeiro, Bolsonaro desperta reações de amor e ódio entre o povo brasileiro. No caso de Evelyn, o sentimento está mais para a segunda opção | Foto: Divulgação/Palácio do Planalto

Apesar das posições contrárias às intenções bolsonaristas, a dona da coroa da Estação Primeira faz questão de pontuar que não está torcendo contra o governo ou o Brasil, e aponta o que mais a tem incomodado nos primeiro 15 dias de gestão.

— Parece que ele pegou a frase da campanha, ‘Em nome da família’, e levou isso ao pé da letra. É em nome da família deles. Do melhor amigo do Bolsonaro, do filho do general Mourão… Família, né? Não deixa de ser — provoca Evelyn, em referência às indicações de pessoas próximas ao presidente e vice para cargos importantes em estatais.