Reta final! Carnavalesco do Império Serrano abre o coração: ‘Estresse e correria’

Reta final! Carnavalesco do Império Serrano abre o coração: ‘Estresse e correria’

Por Kaio Sagaz

Não tá fácil pra ninguém! Que o diga Fábio Ricardo, carnavalesco do Império Serrano e que, logo no ano de estreia na verde e branco, precisou encarar uma das fases mais críticas em termos de economia da festa mais popular do país.

O trabalho é duro e incansável. E, faltando pouco mais de 20 dias para o desfile, o artista não esconde que é grande a correria e inevitável o estresse.

– Eu já esperava, com o andamento do trabalho e do repasse de verbas (a prefeitura do Rio cortou pela metade a grana que normalmente dava às escolas do Grupo Especial), que iria estar nesse ponto de estresse e correria. Não tá tudo sob controle, temos que correr cada vez mais contra o tempo, mas não está nada desesperador – garante.

Corrida contra o tempo I Foto: Sambarazzo

“O Império está fazendo o dever de casa”

Segundo o artista, mesmo sem a figura de um patrono pra dar aquele gás nos cofres da escola, a presidente Vera Lúcia não tem medido esforços pra conseguir levar a tradicional agremiação de Madureira a colocar com alguma dignidade o carnaval na rua.

– Ela tá investindo tudo o que pode no barracão. Gosto de terminar os trabalhos uma semana ou duas antes do Carnaval. Desta vez, vou terminar no laço. O Império tá fazendo o dever de casa, dentro do possível. E já fiz um projeto pensando na falta de verba e na dificuldade de material. Agora, tô na fase de colocar as esculturas e já metendo bronca nas bancadas de adereço e de forração de carro – detalha.

“Tenho base pra passar sufoco”

Desde que iniciou a carreira no samba, aos 16 anos, tendo como mentor o lendário Joãosinho Trinta, na Viradouro, e, tempos depois, atuando como auxiliar de Max Lopes na Mangueira, Fabinho, como é chamado nos bastidores da festa, já passou por poucas e boas e, claro, aprendeu muito em tempos de vacas magras.

– Já passei muito aperto no acesso, com a Rocinha. Tive que negociar esculturas e fantasias de outras escolas, e usei as mesmas estruturas de alegorias durante os três anos em que fiquei por lá. É no grupo de acesso que mais reinventamos as coisas, e agora tenho base pra passar esse sufoco no Império – argumenta.

“Vai ser um título se ficarmos no Especial”

Escolas mais ricas também fizeram o artista se virar nos 30 na busca pelas melhores posições na Quarta-feira de Cinzas:

– Trabalhei com dificuldades no barracão da Grande Rio, por exemplo, no ano do baralho (enredo de 2015), e ainda dei o terceiro lugar pra escola. No último ano, da Ivete Sangalo (homenageada de 2017), mesmo com todo o luxo dei os meus 90 pontos em enredo, fantasia e alegoria. Aqui no Império não vai ser diferente. Tô lutando pra conquistar os pontos junto com todos os segmentos. Vai ser um título pra mim se ficarmos no especial, como fiz quando passei pela São Clemente (2011, 2012 e 2013).

Negócio da China

Este ano, o Império Serrano vai falar sobre a China na Sapucaí. Dadas as circunstâncias financeiras, o luxo característico dos chineses vai ficar de fora.

– Tive a felicidade de receber elogios nos meus protótipos de fantasias, alguns disseram que dei um banho em muita coisa. Mas vai ser um carnaval muito mais criativo do que o luxo que é a China – revela.

Apesar de abrir o jogo e o coração ao expor o cenário atual nada glamuroso do Império, Fábio Ricardo ainda sonha em ser campeão.

Se o universo conspirar pra eu dar um título pra alguma escola, vai acontecer. No ano passado, com toda a energia da Avenida, pensei que a Grande Rio seria a campeã. O desfile sobre Maricá (2014) foi surpreendente, mas com a Ivete Sangalo eu jurava que seria a minha hora – conclui.

O Império Serrano vai abrir os desfiles do Grupo Especial carioca, no Domingo de Carnaval, 11 de fevereiro.

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