Por Redação

O turbulento processo eleitoral no Salgueiro parece estar longe de acabar. Nesta quarta-feira, 6, o vice da chapa da atual presidente, Regina Celi, utilizou as redes sociais para anunciar o rompimento com a mandatária. Jô Casemiro criticou a tática que Regina e os advogados adotaram para tentar mantê-la no cargo através de recursos judiciais que anulassem o julgamento do processo que a tornou inelegível, no mês de maio.

O vice, que fez parte da gestão salgueirense nos últimos quatro anos disse ainda que irá tomar providências judiciais para que novas eleições sejam convocadas na “Academia do Samba”. Ainda nesta quarta-feira um novo recurso da Chapa 1, liderada pela presidente, foi rejeito por unanimidade no Tribunal de Justiça do Rio.

Jô Casemiro, vice-presidente do Salgueiro, divulgou carta em que rompe com a estratégia adotada por Regina Celi para se manter na presidência da escola | Foto: Reprodução/Facebook

Na carta que escreveu (leia a íntegra no fim da matéria), Jô Casemiro disse que só foi procurado por Regina e pela equipe jurídica no último dia 4 de junho, 20 dias após o julgamento que decidiu pela inelegibilidade da chapa. Ao ser informado sobre a estratégia de recorrer mais vezes à Justiça pedindo uma revisão da decisão, Casemiro propôs que o grupo optasse por um novo pleito eleitoral, mas disse que a hipótese não foi aceita pelos advogados de Regina Celi.

“Por continuar achando que o Salgueiro não pode tornar-se refém de recursos que se arrastarão por tempo indeterminado e perigoso, ingresso hoje com movimentos jurídicos visando a convocação (para o mais breve possível) de novas eleições, para que a agremiação possa, com segurança, planejar seu futuro e o Carnaval 2019”, escreveu Jô Casemiro.

No mundo do samba, não é incomum os vice-presidentes terem papel decisivo na administração das agremiações. O Sambarazzo mostrou, em outra ocasião que alguns deles têm voz de comando e influenciam diretamente nos rumos tomados pelas escolas.

Também na Justiça, oposição pede para tomar posse imediatamente

O candidato à presidência André Vaz, que fez oposição à atual comandante durante o processo eleitoral, contou que a Chapa 2, representada por ele, está pedindo judicialmente para ser reconhecida como a nova responsável pela gestão da vermelho e branco, já que a decisão de tornar Regina Celi inelegível permanece sustentada pelo Tribunal de Justiça do Rio. Vaz disse acreditar que a eleição de maio deveria ser mantida.

— Nós já entramos com uma petição pedindo a posse imediata da nossa chapa, que foi a única a cumprir rigorosamente o regulamento da escola. Não vi a carta do Jô (Casemiro), mas não acho que tem que ter nova eleição. Nós estamos dentro da lei, com tudo certinho. É normal agora falarem em nova eleição, só que não acredito no êxito dele. O Salgueiro precisa mudar — afirmou André Vaz.

Confira a íntegra da carta de Jô Casemiro, vice-presidente do Salgueiro:

“Venho informá-los da minha preocupação com o futuro do G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro. Uma vez que a Chapa 1 foi julgada pelos desembargadores da 25ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e considerada “inapta” conforme acórdão publicado dia 30 de maio de 2018( 15 dias após o julgamento no Tribunal), e ontem a Chapa 2 entrou com nova petição pedindo posse imediata , no processo já existente em primeira instância, me posiciono a favor da convocação de um novo pleito, com inscrições de chapa já baseadas nesta decisão em segunda instância. Pois acredito ser este o modo mais rápido de se resolver este imbróglio.

Somente após 20 dias do julgamento , no dia 4 de junho, fui chamado pela presidente Regina Celi para uma reunião no escritório do Dr. Ubiratan. Estiveram presentes membros da extinta Comissão Eleitoral (representada por Marcelo Montero e Patricia) e do Conselho Deliberativo (representado pelo presidente Renato Raposo e pelo secretário Osvaldo Salgueiro).

Na reunião foi confirmado que a tática defendida seria a impetração de recursos pela permanência do resultado da eleição ocorrida no dia 6 de maio de 2018 até que se esgotem todas as instâncias. Na ocasião, me mostrei preocupado com a tática de infindáveis recursos, ainda que o Dr. Ubiratan me garantisse que a chapa de oposição que foi a menos votada não poderia tomar posse. Ainda assim, saí da reunião um tanto temeroso com esta possibilidade.

Foi questionada ainda a hipótese de outro sócio tentar entrar no processo e pedir a marcação de nova eleição. Entretanto, a ideia foi absolutamente rechaçada por Dr. Ubiratan. Logo, ao sair, fiz novas consultas a advogados – tanto da minha família, quanto de pessoas ligadas à Harmonia da escola – e todos foram unânimes em dizer que esta tentativa era absolutamente possível e válida.

Após nova conversa hoje com a presidente, informo que, por continuar achando que o Salgueiro não pode tornar-se refém de recursos que se arrastarão por tempo indeterminado e perigoso, ingresso hoje com movimentos jurídicos visando a convocação – para o mais breve possível – de novas eleições, para que a agremiação possa, com segurança, planejar seu futuro e o Carnaval 2019.

Deixo claro que minha decisão não se trata de nenhuma divergência pessoal da administração que ajudei a existir e fui vice no último mandato ( Me orgulho do trabalho que a presidente Regina realizou). Trata-se de divergências da tática jurídica e de atitudes administrativas tomadas pós processo eleitoral de 6 de maio.

Sempre buscarei o que julgar melhor para a instituição Salgueiro. Devo isso a meus antepassados, que busco honrar.

Abraços.

Jô Casemiro”

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